Se você é muito antenado nas notícias do mundo da tecnologia, provavelmente já ouviu falar na MediaTek — e, se você é daqueles que lê notícias esporadicamente, tenha certeza de que em breve também vai ouvir falar bastante sobre essa companhia. Com sede em Taiwan, ela é uma fabricante de processadores para portáteis que vem surpreendendo por aliar preços baixos e excelente desempenho.

Em julho do ano passado, a MediaTek já surpreendia o mercado ao ter seu chip dentro de metade dos aparelhos de baixo custo e intermediários, dando a entender que o reinado da Qualcomm no mundo dos portáteis poderia ser ameaçado. Durante a CES deste ano, a companhia apresentou um processador octa-core de verdade, ou seja, capaz de rodar todos os oitos núcleos simultaneamente.

Testes preliminares mostraram que ele poderia não apenas igualar o desempenho de equipamentos como o Snapdragon 800, mas também superá-lo — e tudo isso custando metade do preço de produção do concorrente. O panorama parece muito bom, mas será que a MediaTek tem vantagens suficientes para fazer o mercado apostar nela também nos aparelhos top de linha?

Um pouco de história

A MediaTek começou como uma divisão dentro da chinesa United Microeletronics Corporation, responsável por desenvolver processadores para equipamentos eletrônicos. Isso durou até 1997, quando ela se separou e virou uma corporação independente, responsável por dar vida a produtos de diferentes marcas, como Sharp, Acer, Lenovo, ZTE, AlcatelASUS e Huaweii.

A empreitada no mundo dos smartphones começou em 2011, quando a companhia apresentou um processador Cortex A9 de 1,0 GHz. O início tímido começa a ficar para trás em dezembro de 2012, quando a MediaTek apresenta o MT6589, seu primeiro chip quad-core, logo adotado pela Alcatel, mas que pouco incomodou a concorrência e foi mal recebido pela crítica.

Nesse ponto, apesar de não ter agradado aos analistas, a MediaTek passou a ser adotada por diversas marcas chinesas e até mesmo pela Sony, o que ajudou a impulsionar sua evolução. Um ano depois, a companhia surpreende com o anúncio de um processador “oito núcleos de verdade”, mostrando que tem muito a oferecer a seus clientes.

Atualmente, produtos como o ASUS MeMO Pad HD 7, Lenovo IdeaTab, Acer Iconia, Alcatel Onetouch Pixi 8 e Sony C3 são alguns dos quais embarcam um chip MediaTek. Estima-se que a arrecadação da empresa com vendas em 2013 chegou a R$ 9,75 bilhões, valor 37,1% superior do que o arrecadado em 2012. A previsão da Bussinesweek é que, em 2014, este valor ultrapasse a casa dos R$ 11 bilhões.

Preço e desempenho

A Alcatel anunciou durante a CES 2014 o smartphone One Touch Idol X+, aparelho com configuração respeitável, excelente design e preço razoável (US$ 330). O principal recurso do gadget, porém, era o seu processador: o MT6592, um octa-core da MediaTek que, diferente de outros octa-core, é capaz de pôr para funcionar seus oito núcleos ao mesmo tempo.

A companhia apresentou resultados de testes de benchmark para comprovar a eficiência de seu chip, colocando o processador em um patamar bastante elevado e se mostrando quase pronto para duelar com os gigantes do setor. Para averiguar a veracidade dos testes, a Forbes solicitou análises a empresa GameBench, que mais uma vez atestaram o alto desempenho do MT6592.

O grande destaque durante os testes foi o baixo consumo de energia se comparado com o Snapdragon 800, grande nome da Qualcomm na atualidade. “Embora o Snapdragon tenha um desempenho geral sólido, a eficiência energética da MediaTek foi bastante impressionante e levou a um resultado geral maior”, afirma o diretor-executivo da GameBench, Sri Kannan Iyer.

A Wired ressalta que a fabricação em larga escala permite à companhia taiwanesa oferecer preços baixos às suas parceiras. Assim, elas podem criar gadgets que aliam uma ótima experiência multimídia, eficiência energética e preços mais acessíveis, algo muito bem-vindo em qualquer parte do planeta.

LTE: um diferencial que ainda falta

No geral, os testes realizados pela GameBench mostraram que o MT6592 teve um desempenho geral 18% superior ao Snapdragon. Entretanto, apesar de animador, esse resultado por si só não coloca o chip da MediaTek como uma melhor opção para qualquer mercado — pelo menos não por enquanto.

E isso acontece por pelo menos um motivo: atualmente, não há um chip octa-core da MediaTek com suporte para a tecnologia LTE, cada vez mais presente nos smartphones. Tal suporte já é padrão nos principais processadores da atualidade, algo que sem dúvida afasta a MediaTek dos grandes aparelhos de ponta.

Mas isso vai mudar em breve, pois a empresa traz ao mercado duas opções do gênero. Uma delas é o MT6595, o primeiro octa-core LTE do mundo, com quatro núcleos Cortex A17 de 2,2 GHz, quatro Cortex A7 de 1,7 GHz e arquitetura de 32 bits.

Além dele, a grande aposta para morder uma fatia de mercado ainda maior é o MT6752. Anunciado no início deste ano, o chip é um octa-core de 64 bits com suporte para LTE e oito núcleos ARM v8 Cortex A53. Sua comercialização deve começar no terceiro trimestre deste ano, sendo que a produção em massa se inicia apenas nos três últimos meses de 2014.

Importância do mercado emergente

A impressão que se tem é de que a MediaTek pegou os concorrentes todos de surpresa com seu sucesso, mesmo que ele seja “restrito” a mercados emergentes em países como Brasil, China e Índia — porém, lembre-se de que, juntos, estes países reúnem mais de 2,5 bilhões de pessoas, o que seria mais do que um terço da população mundial.

Se o grande desafio da MediaTek é expandir seus negócios para o Ocidente, a Qualcomm já sentiu o baque e se movimentou para apresentar soluções capazes de frear o avanço da nova rival. Exemplo disso é o lançamento do Snapdragon 615, primeiro octa-core de 64 bits e com suporte a LTE da empresa.

“Consumidores da China querem octa-core”, afirmou o vice-presidente de marketing da Qualcomm, Tim McDonough. “Isso está em uma posição alta na lista [de prioridades] deles, enquanto nos Estados Unidos e na Europa ocidental os consumidores querem outras coisas. Então, nós reconhecemos que, se isso é o que os consumidores chineses querem, a Qualcomm tem que dar conta dessa necessidade. É isso o que nós estamos fazendo”, relata o executivo.

Talvez a ausência de suporte para LTE em todos os produtos que embarcam chips MediaTek seja a última barreira para a companhia se estabelecer no Ocidente e fazer frente de vez para grandes nomes da fabricação de processadores para portáteis. A Qualcomm ainda é a maior do setor quando se trata dessa compatibilidade, e isso parece ser mais prioritário para os consumidores desta parte do planeta.

O fato é que a briga entre as fabricantes de processadores para portáteis deve esquentar ainda mais no segundo semestre e, especialmente, em 2015. Quem será capaz de oferecer os dispositivos mais potentes e econômicos para seus clientes? Só o tempo dirá, mas é bem provável que a MediaTek continue a incomodar seus concorrentes.

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