Chegou a hora de contar a trajetória de uma das empresas de tecnologia que está presente em praticamente todos os principais mercados do setor e tem o domínio absoluto em sistemas operacionais em computadores. A Microsoft está em desktops, notebooks, celulares, programas e serviços — seja como líder de mercado ou um dos grandes nomes. E essa quase hegemonia já dura algumas décadas, sem sinal de enfraquecimento.

A jornada dela começa de forma bem simples, com dois amigos empenhados, mas fazendo negociações bastante arriscadas. Logo, lançamentos como o MS-DOS e o Windows balançaram o mercado e consagraram essa companhia. A seguir, conheça essa história.

O começo de tudo

A Microsoft é fundada em 1975 por William Henry "Bill" Gates III e Paul Gardner Allen, amigos de infância com uma paixão em comum por tecnologia. Allen já trabalhava no ramo da informática há pouco tempo, mas Bill ainda frequentava a faculdade.

Antes de começar a primeira companhia "oficial", eles já mantinham um pequeno negócio chamado Traf-O-Data. Esse sistema criava relatórios de trânsito a partir da leitura de dados e não durou muito tempo, mas já avisava ao mundo: essa dupla tinha potencial.

Tudo começou mesmo quando Allen mostra ao futuro sócio uma capa da revista Popular Electronics com o Altair 8800, um computador que era revolucionário na época. Empolgados, eles começaram a desenvolver um software interpretador em linguagem BASIC para esse modelo. Em seguida, a dupla entra em contato com a fabricante MITS oferecendo o negócio.

O problema é que eles só tinham a ideia na cabeça e nada mais. Em poucas semanas, a dupla constrói o programa do zero em uma simulação e, contrariando todas as hipóteses, ganha o contrato. É aí que a Microsoft nasce na cidade de Albuquerque, no estado do Novo México. Sem escolha, Bill Gates abandona a faculdade pra se dedicar só ao trabalho.

Nasce uma empresa

O nome Microsoft foi escolhido por Allen e mistura as palavras microprocessador e software. Isso indica que a empresa seria inicialmente focada em programas para chips cada vez menores, o que se provou uma aposta bem certeira sobre o futuro.

Como você pode ver acima, a primeira logo é bem sem graça: toda em preto e branco, com o nome separado e desenhado em linhas curvas. Bill Gates é nomeado como o primeiro CEO.

No fim da década de 1970, a ainda pequena Microsoft se muda com seus 13 funcionários para Bellevue, em Washington. Nesse período, ela cria um sistema operacional chamado Xenix, baseado em Unix e licenciado para a operadora AT&T.

Foto tirada em 1978 com 11 dos 13 primeiros funcionários da Microsoft. Gates e Allen estão na base da imagem.

Ela começa mesmo a brilhar quando assina um contrato com a IBM, maior empresa da área na época. Ela iria fornecer um sistema operacional para o primeiro computador pessoal da gigante, o clássico IBM PC. O problema? De novo, a Microsoft não tinha nada pronto!

Ela então licencia um sistema já finalizado chamado QDOS de uma fabricante local por apenas 25 mil dólares e faz algumas alterações, chamando-o MS-DOS. O acordo com a IBM foi de 430 mil dólares (ou seja, extremamente lucrativo), além de uma cláusula que liberava a Microsoft pra vender o produto pra outras companhias.

Em 81, o contrato com a IBM acabou com o lançamento do PC e o MS-DOS explodiu ainda mais, já que era um dos poucos sistemas operacionais populares da época.

Primeiros lançamentos

Já o primeiro hardware da companhia foi o Z-80 SoftCard, uma placa com um processador integrado para que outras máquinas rodassem o sistema operacional CP/M e seus aplicativos. Um dos principais clientes? Ninguém menos que Steve Jobs e seu Apple II. As duas ainda vão se cruzar várias vezes nessa história.

Um aparelho da Apple com chip Microsoft? Sim, já existiu!

Em 1983, a Microsoft lança o seu primeiro mouse. Contudo, ele nem era o principal produto, mas sim uma ferramenta chamada Multi-Tool Word. Esse editor de texto que aceitava diferentes formatações de escrita logo ficaria conhecido como Word.

Ele era um dos primeiros programas compatíveis com o mouse e foi o primeiro distribuído em disquete em uma revista, uma prática que ficou muito famosa nos anos seguintes. A empresa ainda abre uma pequena editora nessa época e um dos primeiros trabalhos impressos por lá foi o... Apple Macintosh Book.

Mas o negócio deles era mesmo software. Nesse mesmo ano de 83, 30% de todos os computadores pessoais do mundo tinham o dedo da Microsoft. Só que nem tudo são boas notícias, já que Paul Allen deixa a empresa após ser diagnosticado com a doença de Hodgkin.

O Microsoft Office

A segunda metade da década de 1980 é um período de criatividade fértil na empresa, com o lançamento da primeira versão de vários produtos de sucesso e que existem até hoje. 

O editor de planilhas Excel, por exemplo, foi lançado em 1982 pelo nome de Multiplan, mas só ganhou a denominação oficial três anos depois. Consegue imaginar a organização em planilhas assim?

Já o PowerPoint nem pertencia à Microsoft. Ele saiu pela primeira vez em 1987 com o nome de Presenter, até que a empresa comprou a desenvolvedora Forethought.

A versão que conhecemos hoje veio em 1990. Especialmente o Excel foi um duro golpe na Lotus, uma desenvolvedora de software que por vários anos tentou rivalizar com a Microsoft, mas perdeu qualquer chance de vitória.

Uma versão jurássica do PowerPoint ainda sob a desenvolvedora antiga (e no Mac)

Esses editores seriam todos unidos em um pacote chamado Microsoft Works, que saiu primeiro no Macintosh e, em 1989, apareceu no Windows já sob o nome de Microsoft Office.

De volta para 1986, a Microsoft se muda novamente, agora para Redmond, onde fica a atual sede. Ela também faz a oferta pública de ações e levanta 61 milhões de dólares na jogada. No ano seguinte, Bill Gates entra pela primeira vez na lista de pessoas mais ricas do mundo da revista Forbes, sendo o mais jovem milionário da História sem ter herdado alguma fortuna. Ele conquistou o posto de homem mais rico do mundo em 1995, quando já acumulava quase 13 bilhões de dólares.

Uma janela para o sucesso

O Windows 1.0 saiu em 1985, um ano depois do lançamento do Macintosh, que teve ajuda da própria Microsoft no desenvolvimento de programas.

Essa primeira versão não fez o sucesso esperado, já que era nada mais do que uma interface gráfica multitarefas para o MS-DOS. Mas ele era também o primeiro do tipo a ser comercializado em massa, e logo a tecnologia se espalhou.

Ao mesmo tempo, ela ajudou a produzir o OS/2 para a IBM, que depois virou um rival, mas nem de longe arranhou essa nova sensação do mercado. A amizade com a empresa só foi desfeita por causa da linha Windows NT, que é voltada para o mercado corporativo e concorria direto com o OS/2.

Antes disso, mais uma polêmica com a IBM: o órgão regulador do comércio nos Estados Unidos investigou as duas marcas por suspeita de controle de mercado pela dupla: o MS-DOS dominando os consumidores e o OS/2 voltado para executivos. Não foram registradas penalizações.

Lançado em 1990, o Windows 3.0 fez história por ser o primeiro a permitir multitarefas e por melhorar de forma radical o design da interface. Essa foi a primeira versão de muita gente veterana em PCs por aí, inclusive no Brasil, e também marcou a estreia do game Paciência. Já o Campo Minado apareceu dois anos depois, no Windows 3.1.

Tanto o desenvolvimento de programas para outra marca quanto lançar um sistema gráfico eram lances ousados da Microsoft.

Cada vez mais, a Microsoft estava consolidada como uma empresa de software. E, mesmo já indo tão bem, a era de domínio quase absoluto do Windows ainda nem tinha começado.

Sentimentos mistos: nasce o Internet Explorer

Em 24 de agosto de 1995, a Microsoft apresenta o Windows 95 com uma campanha de marketing absurda.  Se deu certo? Ele ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas em só quatro dias! Essa versão trouxe uma série de novidades que viraram obrigatórias nas edições futuras e são queridas por muita gente, como o Menu Iniciar e a Barra de Tarefas.

Foi aqui também que surgiu o navegador Internet Explorer. Ele ficou de fora do Windows 95 original, mas vinha em um pacote Plus de atualização. A ideia da Microsoft foi embutir o Internet Explorer como navegador padrão em todos os computadores com Windows, matando concorrentes como o Netscape e dominando a internet.

Isso também chegou a ser investigado como prática ilegal de mercado, mas virou padrão da empresa mesmo assim.

O IE chegou a ter 95% do mercado no começo dos anos 2000 e só começou a cair a partir de 2004, quando surgiu o Firefox, e ainda mais em 2008, com o Google Chrome. Lentidão na navegação, brechas de segurança e uma interface que parecia atrasada em relação aos novos rivais foram os principais responsáveis. Ele foi aposentado pelo Microsoft Edge em 2015.

Pode confessar, você só usava o Internet Explorer para baixar o navegador favorito em um PC novo ou formatado.

Com o Windows 95, surge o The Microsoft Network, um serviço de internet discada que depois virou um portal de conteúdo multimídia e uma marca própria.

A sigla? MSN. Já o MSN Messenger, que a gente tanto sente falta, foi lançado em 1999. Ele foi renomeado para Windows Live Messenger em 2006 e descontinuado em 2013, para dar preferência ao Skype nos sistemas de comunicação da empresa. 

Vai dizer que você não sente falta de chamar a atenção dos outros e colocar aqueles subnicks cheios de indiretas?

A consolidação definitiva

Percebe a estratégia da Microsoft que fez ela virar essa gigante? Ela fazia acordos de distribuição e licenciamentos matadores com fabricantes de PC e colocava o serviço dela em tudo. Era difícil achar um computador nessa época que não tivesse o sistema operacional ou ao menos algum programa da empresa.

Em 1997, os caminhos da Apple e da Microsoft voltam a se cruzar. A Maçã andava mal das pernas financeiramente e Steve Jobs havia acabado de retornar como CEO. Durante uma edição do evento Macworld, Jobs anuncia uma parceria com a companhia de Gates, que investiu 150 milhões na rival pra liberar o suporte ao Office e tornar o Internet Explorer padrão no Mac por cinco anos.

A Apple também topou encerrar o processo de acusação de plágio do Windows, que teria copiado o Mac OS. A plateia não recebeu nada bem a notícia.

Já o Windows 98 também foi só alegria em vendas e elogios. Tanto ele quanto o 95 tinham aqueles protetores de tela clássicos de canos coloridos, labirintos, casa assombrada e fundo do mar. Quer saber mais? Calma! O TecMundo ainda vai falar sobre o Windows em um vídeo separado, detalhando cada versão

Um ano antes, em 1997, a Microsoft compra um serviço de correio eletrônico que estava bombando, o Hotmail, e faz dele o seu serviço padrão. Em 2013, ele teve o nome trocado para Outlook.com.

O fim de uma era

Em 2000, bomba na Microsoft! Assume como CEO Steve Ballmer, o trigésimo funcionário da história da empresa. Ele já estava há 20 anos na companhia como gerente de vendas — e, acredite se quiser, ainda tinha cabelo no começo da carreira.

Ballmer sempre foi muito enérgico no palco, mas seus momentos mais icônicos foram na apresentação do Windows 1.0 e durante o evento de 25 anos da companhia, em que ele entrou para a História com o bordão "Developers! Developers! Developers!".

Seguindo a vida

A Microsoft entra no mercado de consoles só em 2001, com o primeiro Xbox. Ele não foi um sucesso de cara, mas já mostrava que vinha uma competidora por aí. Assim como a gente não contou a história do PlayStation no vídeo da Sony, fica ligado que vem um só sobre o Xbox por aí.

Avançando um pouco mais no tempo, o Windows 8 foi uma grande revolução na interface com a Metro, as tiles e o Menu Iniciar modificado para ser usado também em tablets. Só que o público não curtiu muito, mas o sistema voltou a ser elogiado pelo Windows 10, de 2015.

Entre novidades mais recentes, a gente tem que citar ainda o .NET Framework, de 2002, a plataforma de desenvolvimento e execução de serviços. Ela tem variantes como a Silverlight, usado em gigantes como a Netflix.

Já o sistema de busca Bing surge em 2009 para competir com o Google. A linha Surface de híbridos entre tablet e laptop surgiu em 2012, mais voltado para produtividade. E tem ainda o superambicioso projeto HoloLens, que traz realidade virtual e holografia em um só aparelho.

Pedras no caminho

E não tem só sucesso, não! Ao longo dos anos, algumas decisões da Microsoft deram muito errado. Um dos maiores destaques negativos é o Windows Millenium Edition, ou ME, que saiu em 2000. Ele era bastante instável e repleto de bugs, fazendo muita gente voltar ao bom e velho 98.

O Vista também foi mal recebido, apesar de estrear a interface Aero. Ele foi considerado bem inferior ao sucesso Windows XP, inclusive por ser pesado e lento.

E tem ainda o Zune, um player de música que queria destronar o iPod (sendo que muita gente acreditava que ele era mesmo melhor que o rival). O resultado? Nem arranhou a concorrência e foi descontinuado.

Os acertos e erros do Windows Phone

A entrada no mundo mobile acontece bem mais cedo do que você imagina.

Sim, o Windows Phone só foi oficializado em 2010 para competir com Android e iOS. Só que o projeto já era antigo: a Microsoft já tinha o Windows CE desde 96 para aparelhos como assistentes pessoais, que evoluiu para PocketPC em 2000 e finalmente Windows Mobile, em 2003.

O Windows Phone teve as versões 7, 8 e 8.1 antes de virar Windows 10 Mobile. A interface em tiles, a assistente pessoal Cortana e a integração com OneDrive e Windows Live eram alguns dos maiores destaques do produto. Outro passo importante foi a compra da divisão mobile da Nokia em 2013, que a gente já contou aqui no canal.

A Microsoft não conseguiu tirar a liderança da Apple e da Google, mas se deu bem em alguns mercados, como aqui no Brasil. Infelizmente, hoje a empresa quase não dá atenção aos smartphones e à linha Lumia, mas vai que os rumores do Surface Phone viram realidade?

A era Nadella

Em 2014, nova mudança da cadeira de CEO. Quem assume é Satya Nadella, que era vice-presidente executivo da divisão de nuvem e mercados corporativos. E isso já indica qual seria um dos principais focos da Microsoft daqui para frente.

O serviço de computação em nuvem da empresa, o Azure, começou em 2010. Ele oferece centenas de serviços de infraestrutura, armazenamento, máquinas virtuais, processamento de dados e hospedagem.

Uma das maiores apostas recentes da empresa, o Azure está cada vez mais difundido entre consumidores e empresas de todos os tamanhos.

Tem ainda o Office 365, versão online do editor de conteúdo, que também caiu no gosto de muita gente.

E que fim levou os ex-CEOs? Ballmer comprou um time de basquete da NBA, o Los Angeles Clippers, e continua muito louco. Já Gates se aposentou do trabalho diário na Microsoft ainda em 2008 pra se dedicar ao trabalho com filantropia e pesquisas em saúde pela Bill & Melinda Gates Foundation. Ainda com 2% da empresa que ajudou a fundar, ele continua no quadro de conselheiros e na lista de mais ricos do mundo.

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