aproximadamente um ano(01/2014), Ronaldo "rbuass" Buassali, Campeão Mundial de Overclocking Free Style e especializado em hardware, elaborou um artigo explicando os cuidados que devem ser tomados para se escolher uma máquina destinada a jogos.

Acontece que, com o crescimento do mercado de games e eSports, muitas empresas (leia-se “lojas”) se aproveitam de estratégias pouco transparentes para induzir o consumidor a acreditar em suas indicações inadequadas.

Divulgação de "iscas", como "placa de vídeo de 2 GB", "processador quad-core" ou "fonte com potência real", que nada podem descrever, levam o cliente a acreditar que está realizando uma excelente compra.

Tomando como preceito a ideia de "computador gamer" como uma máquina de rodar "todos" os jogos atuais, mesmo os mais pesados, com jogabilidade decente (ainda que em resoluções baixas e com pouca requisição de filtros e texturas), vamos subdividir este artigo nos principais componentes de um PC Gamer para dar maior clareza ao leitor.

Queremos também deixar claro que este é apenas um artigo resumido, sem aprofundar em detalhes técnicos, mas apenas com informações que consideramos importantes para que o consumidor realize este tipo de avaliação.

Placa de vídeo

Trata-se do componente mais desejado para um equipamento desta natureza. Realiza o processamento gráfico, tão importante para dar fluência e jogabilidade aos títulos disputados entre os gamers.

É crucial verificar as tecnologias envolvidas na produção deste componente. A quantidade, o tipo e a largura do barramento das memórias, o chip gráfico e até o tipo de refrigeração são detalhes bastante importantes.

Uma vez que somente duas empresas concorrem pela preferência do consumidor (AMD e NVIDIA), a nossa recomendação para este item será:

NVIDIA - GTX 750 ou superior;

AMD - R7 260X ou superior, ou R7 250 (quando para uso em "dual graphic" com o processador gráfico integrado ao CPU).

É importante ressaltar que existem muitas placas de gerações anteriores com excelente capacidade gráfica e habilidade para executar os jogos com qualidade, mesmo que sejam os mais "pesados". Porém, uma vez que estamos realizando um artigo com recomendações novas, vamos priorizar apenas os modelos em fabricação, deixando para uma outra ocasião os descontinuados.

Cabe ao consumidor verificar as ofertas e possibilidades entre as marcas e modelos disponíveis, tanto das gerações anteriores quanto das novas.

Lista de referência de placas de vídeo de gerações anteriores:

NVIDIA: GTX 460, GTX 470, GTX 480, GTX 550, GTX 550Ti, GTX 560, GTX 560Ti, GTX 570, GTX 580, GTX 590, GTX 650, GTX 650Ti, GTX 660, GTX 660Ti, GTX 670, GTX 680, GTX 690.

AMD: HD 5850, HD 5870, HD 5970, HD 5990, HD 6850, HD 6870, HD 6950, HD 6970, HD 6990, HD 7850, HD 7870, HD 7950, HD 7970, HD 7990.

Processador

Da mesma forma que ocorre com as placas de vídeo, temos no processador apenas dois concorrentes principais: AMD e Intel.

Ambos possuem soluções adequadas para computadores destinados a games. Uma vez que atualmente temos títulos que se beneficiam de quatro núcleos e como a proposta deste artigo é jogar com qualidade decente "todos" os jogos, vamos recomendar apenas processadores "quad-core" ou superiores.

Nossas recomendações para os processadores serão:

Intel: Core i5 4430 ou superior;

AMD: FX 6300 ou superior e processadores A8 e A10 para recomendações em dual graphic com placa de vídeo compatível.

Nossas observações seguem a mesma linha utilizada para as placas de vídeo. Gerações anteriores como os Core i5 de segunda geração (por exemplo, Core i5 2500) ou os Phenom II da AMD (tipo o Phenom II X4 965) podem ser utilizadas, mas, uma vez que foram descontinuadas, não vamos incluir nesta matéria.

Placa-mãe

Para este tema polêmico, nossa indicação é a de que o leitor saiba e leve em consideração que as placas de projetos baratos, fabricadas com componentes de menor qualidade, normalmente comportam os processadores e placas de vídeo de boa qualidade e, por isso, podem rodar os games.

Mas existem algumas contraindicações. Um sistema de alimentação inadequado, uma pior distribuição e proteção energética, uma dissipação de calor não preparada para este modo de utilização e detalhes como ter um som com menos qualidade, uma rede que por vezes consome mais trabalho do CPU e, claro, componentes mais baratos e suscetíveis a problemas podem fazer com que esta economia seja desvantajosa para o consumidor.

Se ele é consciente para comprar assim, então também assume o maior grau de risco por utilizar sua placa acima das especificações. Porém, o alerta aqui é para não comprar o produto embutido dentro de uma máquina fechada e sem que se saiba o modelo.

Nossas recomendações para placas-mãe:

Intel: placas-mãe com chipset B85, H97, Z97 e X99

AMD: placas-mãe com chipset A88 (para dual graphic), 970, 990X e 990FX

Seguindo os preceitos anteriores, vamos manter a mesma linha de raciocínio com as plataformas encontradas atualmente no mercado, sem análise nesta matéria para as gerações anteriores.

Memórias

As memórias recomendadas para uma plataforma gamer devem partir das DDR3 1.600 MHz, com sistema de dissipação. Esta indicação não surge pela diferença de desempenho, que é somente notável em determinados jogos e resoluções, mas pelo fato de ter um chip de melhor classificação. Assim sendo, o usuário corre menor risco de problemas relacionados à qualidade das memórias, como telas azuis, perda de dados, travamentos, lentidão, entre outros.

Ressaltamos que memórias desta categoria já estão no mercado desde 2009, não sendo considerada alta a diferença de custo para este componente, e que atualmente existem modelos DDR4 de mais de 3.000 MHz (última geração de memórias).

As mesmas observações relatadas para as placas-mãe quanto ao uso inadequado ou acima das especificações são válidas para este item.

Nossa recomendação para as memórias:

Recomendamos memórias DDR3 de 1.600 MHz (8 GB) ou superior de boa qualidade. É possível utilizar 4 GB de memória, porém, para determinados jogos e aplicativos, esta quantidade pode ser insuficiente.

Memórias de boa qualidade também costumam ter bom sistema de garantia.

Armazenamento

Muitas coisas estão relacionadas com o item armazenamento. Termos, como "TRIM", cache, leitura, escrita, etc., são comuns apenas aos que possuem mais intimidade com os computadores.

Mas podemos resumir a escolha do responsável pelo armazenamento de informações em 3 opções. Os antigos Hard Drives (HDs), os Solid State Drives (SSDs) e os HDs Híbridos (Hard Drives com uma pequena parte SSD).

Como nossa indicação é baseada em um padrão mínimo, ou seja, em computadores de entrada, recomendamos os HDs de 500 GB ou mais, com interface SATA 3.

Também é interessante saber que o HD é provavelmente o único componente mecânico de seu PC e, portanto, mais sujeito a falhas.

Obviamente existem muito mais coisas envolvidas, porém, a partir desta recomendação, tudo o que for superior é considerado adequado.

Apenas uma particularidade: o armazenamento em SSD é melhor, mais moderno e mais rápido, porém seu custo por gigabyte é caro se comparado ao do seu "irmão mais velho".

Nossa recomendação para armazenamento:

HD de 500 GB ou maior com interface SATA 3 (ou superior).

Cooling (refrigeração a ar e água)

Normalmente, o usuário pode se utilizar do sistema original de refrigeração provido pelos fabricantes Intel e AMD. Porém, existem modelos cujo componente não acompanha o processador, assim como casos em que o usuário pretende ter uma menor temperatura de trabalho para o seu PC.

Podemos realizar testes de estresse, como o Intel Burn Test ou o Prime95, e monitorar tudo com o Real Temp para verificar a temperatura do processador em carga máxima. Desta forma, termos um melhor posicionamento sobre como o sistema de refrigeração está se comportando.

Neste caso, as alternativas mais comuns são realizar a troca do cooler original por um mais eficiente ou mesmo colocar um sistema líquido de refrigeração.

Uma alternativa bastante comum hoje em dia são os sistemas "all in one" de hidro coolers. Esses modelos são selados, não necessitam de manutenção, realizam um bom trabalho de refrigeração e têm custo relativamente baixo.

Outra alternativa comum é a realização da troca da interface térmica (elastômero) original por uma mais eficaz. A troca de pasta térmica, por vezes, promove uma melhora significativa na temperatura.

Também aos que desejam se aventurar em algo mais elaborado, existem os watercoolers customizados. Esses são mais caros e também exigem certa habilidade para a instalação e manutenção. Contudo, eles promovem uma refrigeração ainda mais alta.

Nossa recomendação para cooling:

Neste caso, a recomendação é que seja verificada a temperatura do processador em carga. Se estiver em níveis altos, é bom procurar por um cooler a ar ou mesmo água mais eficiente.

Não temos como dizer qual a temperatura ideal ou máxima de funcionamento de cada CPU, pois cada uma tem um TDP diferente. Em todo caso, existem algumas maneiras de identificar esse valor. Uma delas é através do software Real Temp, verificando a distância da temperatura máxima aceitável. O ideal é que o seu processador fique em, no máximo, 65 a 75% desse valor.

Por exemplo: se o valor informado for 100 ºC, o máximo que o processador deve atingir é 65 a 75 ºC, sendo que o melhor é manter sempre bem abaixo disso. Porém, isso não se trata de uma fórmula exata para todos os casos, mas apenas de um procedimento básico para avaliação. A rigor, o ideal é manter a temperatura sempre a mais baixa possível, principalmente em momentos de uso extremo.

Gabinete

No último item, alguns fatores não podem ser avaliados, pois são pessoais. O gosto para um gabinete, assim como para inúmeras coisas na vida, é particular. Desta forma, itens como espaço interno, circulação de ar, facilidade de montagem, acabamento e, claro, o gosto do comprador vão determinar a escolha.

Logicamente, o preço de um gabinete pode variar muito, mas não se deve em hipótese alguma escolher, para games, modelos apertados cuja refrigeração seja prejudicada. Se fizer isso, esse “forno” pode danificar outros componentes e até o funcionamento do sistema.

Nossa recomendação para os gabinetes:

Buscar por um modelo que comporte com bom espaço todos os componentes de seu computador, que tenha um sistema de ventilação adequado (com ventiladores e/ou espaço para eles) e, claro, que seja de seu agrado.

Se você pretende utilizar um watercooler — mesmo que em longo prazo —, é sempre bom se prevenir e escolher um gabinete que tenha as medidas certas para a acoplagem do radiador. Algumas pessoas se esquecem desse detalhe e mais tarde acabam precisando trocar de modelo.

Fonte de alimentação

Um dos temas mais polêmicos é a fonte de alimentação. Ela deve ter potência suficiente para prover o seu PC com energia "limpa", boa eficiência e também segurança. As boas fontes possuem PFC ativo (fator de correção de potência) e no mínimo, certificação 80 Plus. Esta certificação não garante a qualidade da fonte, mas sim a eficiência, sendo que a qualidade deve ser buscada em fontes de marcas e modelos reconhecidos por não "enganar" o público.

Existe uma farta lista de marcas que honram as características a que se propõe, mas outro tanto que não cumpre as especificações, e pior ainda, chegam a falsificar certificações. (mostrar lista de fontes falsas). Marcas como Corsair, Seasonic, Enermax, Super Flower, entre outras, não ganharam a confiança dos consumidores à toa e não devem estar dispostas a colocar tudo a perder, por isso, pesquise e opte por uma boa marca.

Uma dica para calcular a potência de sua fonte é o PSU Calculator, onde você pode preencher os dados com o PC que tem ou pretende comprar, e ela lhe dará um cálculo aproximado da potência requerida.
É importante saber que a linha de +12V, que requer maior demanda de poder, deve suportar corrente suficiente para prover a sua máquina e os projetos de boas fontes e bons fabricantes, levam isso em consideração.

Fuja a qualquer custo de fontes genéricas e não acredite em termos como "fonte real", pois são estratégias usuais para "pescar" o consumidor. Informações mais detalhadas podem ser obtidas neste linkTambém recomendamos este vídeo, que começa com uma "pequena brincadeira" e depois prossegue comprovando a necessidade de qualidade neste componente:

Dicas

- Via de regra, comprar um componente mais recente é uma melhor opção, mas é possível achar boas ofertas de gerações anteriores ainda adequadas para a jogatina.

- Se for optar pela compra de algo usado, tenha cuidado. Procure realizar testes e conhecer informações sobre procedência e garantia.

-Grandes marcas não são consagradas ao acaso. Elas costumam ter melhores produtos e maiores prazos de garantia. No caso de um futuro upgrade, também possuem maior valor e facilidade para revenda.

- Antes de definir o seu equipamento, procure informações completas sobre cada componente.

- Se a sua busca estiver sendo realizada mediante vídeos ou informações da internet, sejam elas públicas ou de lojas, procure saber sobre a sua veracidade e confiabilidade De quem passa essas informações.

- Procure fazer parte de grupos e fóruns relacionados a hardware para gamers. Muitas vezes, as comunidades podem lhe ajudar com informações valiosas sobre o que você precisa.

Texto de Ronaldo Buassali

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