Há um tempo, o TecMundo publicou uma matéria especial a respeito da Endless, empresa responsável por projetar computadores homônimos feitos especialmente para as comunidades carentes. Na época, conversamos com Roberta Antunes, executiva responsável pelas operações da marca no Brasil – e ela reclamou que a alta carga tributária de nosso país acaba encarecendo o produto, fazendo com que ele perca um pouco de seu propósito.

O modelo que deve aterrissar em breve em terras tupiniquins é o Endless Mini, que lá fora custa US$ 99 e possui configurações bem modestas (sendo equipado com um chipset de smartphone). Infelizmente, não pudemos colocar as mãos nessa versão mais econômica, mais tivemos a oportunidade de testar o Endless convencional, que é o PC mais robusto produzido pela companhia. No exterior, ele é vendido por US$ 229 (cerca de R$ 830 sem impostos).

Tendo como grande destaque o seu sistema operacional inédito, o aparelho já sai de fábrica com uma quantidade enorme de conteúdos acessíveis offline, de forma que o usuário consegue se divertir com a máquina mesmo sem ter uma conexão com a internet. Passamos vários dias brincando com o invento e agora podemos dizer com propriedade se ele é realmente uma inovação ou só mais uma ideia fracassada. Confira nossa análise completa.

Computador Endless

Design e instalação

Se há um aspecto do Endless que o diferencia de todos os outros computadores disponíveis no mercado, é o design. São várias as analogias; aqui, na redação do TecMundo, achamos conveniente compará-lo a um fantasma, e até mesmo o batizamos carinhosamente de “Gasparzinho”. Seu corpo curvilíneo é fabricado em plástico branco opaco, enquanto sua base é roxa e translúcida. No geral, o gadget possui um visual muito bonito e chamativo.

Em sua região frontal, o computador possui uma única porta USB; na traseira, você encontra o botão Power, mais dois conectores USB (sendo um 3.0), uma entrada Ethernet (para rede cabeada), a entrada da fonte de energia, um conector HDMI e uma saída VGA. O Endless chega ao usuário sem mouse e teclado, sendo necessário adquirir esses itens separadamente (o que não é um grande problema, visto que esses dois periféricos são bem baratos).

Até a embalagem do produto é criativa, com abertura diagonal e acompanhando um folheto explicativo que lista as principais características do computador. Nas mãos, o modelo transpira robustez, e a sensação é de que o Endless seria capaz de resistir a algumas quedas e impactos de média intensidade. Resistência parece ser um ponto forte do gadget.

Explorando o Endless OS

Ao ligar o desktop pela primeira vez, é necessário encarar um tutorial bem caprichado que ensina os conceitos básicos do sistema operacional para usuários iniciantes. Gostamos muito desse guia, pois ele é realmente importante para o público-alvo do Endless. A configuração também é bem simples, bastando escolher o idioma, o layout do teclado e uma rede WiFi à qual a máquina vai se conectar (caso você não tenha uma rede cabeada).

A grande quantidade de conteúdos offline é outro destaque do sistema operacional

Bastaram poucos minutos explorando o Endless OS para confirmar que o sistema é realmente intuitivo e amigável. A primeira coisa que mais nos chamou atenção foi o ícone do Facebook no canto inferior direito da tela – ao clicar nele, uma coluna é aberta (também no lado direito da tela) com uma versão “clean” da rede social, para que você possa checar sua linha do tempo, notificações e mensagens de amigos sem precisar executar seu navegador.

Visualmente, o SO lembra um pouco o Ubuntu, mas com recursos e menus enxugados para torná-lo mais simples. É importante prestar atenção aos pequenos detalhes: para abrir um arquivo, por exemplo, basta clicar nele uma única vez (e não duas, como acontece no Windows). Além disso, para desinstalar um programa, basta que o usuário arraste seu ícone para a lixeira, como acontece no Android.

A grande quantidade de conteúdos offline é outro destaque do Endless OS. Além de vir com quase 90 músicas salvas em seu HD, a máquina conta com vários softwares que podem ser instalados e usados normalmente sem uma conexão com a internet. Entre eles, destacam-se uma enciclopédia feita com material retirado da Wikipédia, o Escola Virtual (que apresenta centenas de vídeos educacionais sobre as mais variadas matérias) e o pacote Libre Office.

O sistema possui uma loja própria pela qual é possível baixar mais softwares e games de gêneros variados – a maioria deles são títulos clássicos, como Tux Racer e Tux Kart. É possível baixar o Steam para Linux, mas aí você esbarra no problema do desempenho (sobre o qual comentaremos logo a seguir). Um dos poucos pontos negativos que encontramos no SO foi a falta de uma ferramenta nativa para tirar print screens, sendo preciso baixar um app para isso.

Desempenho

Já de início, é importante ressaltar que a proposta do Endless não é ser um computador de alto desempenho – o consumidor deste produto é o cidadão que quer uma máquina para efetuar tarefas simples de seu cotidiano, e não rodar programas pesados ou jogos de última geração. Isto posto, podemos dizer que o modelo apresentou uma performance satisfatória para uso em escritório e para fins educacionais e de lazer.

Só por curiosidade, baixamos o Steam e tentamos rodar alguns games no aparelho, levando em conta seu hardware modesto. Foi simplesmente impossível se divertir com Team Fortress 2 e Counter-Strike: Global Offensive, já que os dois títulos foram executados com muito lag e FPS baixíssimo. Por outro lado, obras com gráficos mais simplórios, como Broforce e Hotline Miami, rodam normalmente no Endless.

Vale a pena relembrar as configurações do dispositivo: embora conte com 2 GB de memória RAM e um HD de 500 GB (espaço suficiente para guardar muitos arquivos), o PC tem como coração um SoC Intel Celeron N2807 (Bay Trail) com dois núcleos trabalhando a 1,58 GHz. O chip gráfico é um Intel HD Graphics com clock de apenas 313 MHz, e é justamente por isso que o hardware não suporta games com gráficos muito elaborados.

Máquina possui um hardware potente o suficiente para tarefas do cotidiano

Vale a pena?

O Endless é um computador muito interessante e adequado à sua própria proposta. Seu sistema operacional é realmente mais amigável para o usuário iniciante do que o Windows ou até distribuições Linux convencionais, como o Ubuntu. Mesmo quem nunca tocou em um computador antes consegue operar o modelo com facilidade, bastando prestar bastante atenção ao tutorial apresentado na primeira vez em que a máquina for usada.

Como dissemos anteriormente, seu desempenho é satisfatório para uso doméstico – você não sofrerá com lentidões ao trocar emails, navegar na internet, trabalhar em documentos e editar imagens. Embora esse não seja o foco do PC, também é possível se divertir com alguns joguinhos leves no Endless, sejam eles baixados da loja própria do SO ou adquiridos pela plataforma Steam.

Além disso, o design do aparelho é simplesmente sensacional – não há quem não se espante com o visual arrojado do modelo. É bem mais bacana ter um desktop pequeno e atraente como este do que ocupar sua mesa com um gabinete enorme dos computadores tradicionais. Aliás, essa característica do produto o torna apropriado para mesas de trabalho com pouco espaço livre, visto que ele é bem portátil e tem dimensões reduzidas.

Os grandes problemas do Endless são seu preço e sua disponibilidade. Ele ainda não está sendo vendido no Brasil, e, quando chegar ao nosso país, é bem provável que seja vendido por um preço alto demais, incompatível com sua proposta de “PC acessível”. Só para ter uma ideia, o Endless Mini (versão com configurações ainda mais modestas) custa US$ 99 lá fora e veio para cá por R$ 699. Sendo assim, este produto – que tem preço sugerido de US$ 229 – deve sair ainda mais caro para seus possíveis compradores tupiniquins.

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