Embora medicamentos que ajudem a melhorar o desempenho em atividades físicas sejam algo comum, ainda parece longe o dia em que algo semelhante surgirá para aumentar a inteligência humana. Na opinião do Dr. Anjan Chatterjee, professor de neurologia da Universidade da Pensilvânia, a grande questão a se perguntar não é quando drogas do tipo irão surgir, mas sim os custos sociais que elas podem implicar.

Em entrevista ao site InnovationsNewsDaily, o pesquisador afirma que o desenvolvimento de medicamentos do tipo é possível, ainda mais quando se leva em conta o avanço no tratamento de doenças cerebrais. Os resultados de pesquisas envolvendo o mal de Alzheimer e pacientes com esclerose múltipla são exemplo disso, já que muitas delas já resultaram no desenvolvimento de drogas capazes de melhorar o funcionamento de certas áreas do cérebro, ajudando pacientes a levar uma vida mais confortável.

Drogas perigosas

Medicamentos do tipo não devem ser interpretados como pílulas milagrosas capazes de aumentar a inteligência de uma pessoa como um todo. Tais opções estão mais próximas de serem consideradas “cirurgias plásticas cerebrais”, ajudando a aprimorar pontos fracos de uma pessoa ou recuperar habilidades desgastadas, como a memória.

Chatterjee afirma que a aceitação social de drogas do tipo tem aumentado nos últimos tempos, e não é incomum encontrar estudantes que usam produtos como a Ritalina como uma maneira de aprimorar sua concentração. O uso de medicamentos perigosos como meras “drogas recreativas” pode ter sérias implicações futuras, já que muitos de seus efeitos colaterais em longo prazo ainda são desconhecidos por pesquisadores.

Somente para a elite?

O aumento da popularidade de drogas do tipo também gera questionamentos quanto ao seu impacto na sociedade. No mundo militar, por exemplo, uma pequena diferença na habilidade de concentração de um soldado pode definir sua promoção para um cargo superior. Algo semelhante ao que acontece em praticamente qualquer área, abrangendo desde o mundo coorporativo até estruturas de ensino.

Conforme drogas melhores são desenvolvidas, também surgem questões quanto a sua acessibilidade. Restringir seu uso a elite militar ou a uma pequena elite capaz de pagar caro para melhorar suas habilidades cerebrais pode ter sérias implicações sociais em um futuro bastante próximo.

Segundo Chatterjee, dado os avanços das pesquisas atuais, ainda é difícil prever como tal cenário iria se desenvolver. Porém, algo já está certo: em vez de melhorar a inteligência como um todo, drogas futuras devem se concentrar na melhora de aspectos individuais, como a memória e capacidade de concentração dos usuários.

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