Físicos tentam desvendar intrigante mistério da evolução do Universo

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De acordo com a teoria mais aceita para a origem do Universo, ele surgiu em decorrência de um evento que ficou conhecido como Big Bang e que, a partir da singularidade, ocorreu uma gigantesca expansão que acabou dando origem a tudo o que existe, desde partículas elementares, passando por planetas, estrelas, galáxias etc. Além disso, hoje sabe-se que, nos primeiros milhares de anos de sua existência, o cosmos era composto basicamente por plasma, depois ele se resfriou um pouco e se converteu em uma nuvem de gás cósmico e, atualmente, voltou a ser composto majoritariamente por plasma. Mas, por quê?

Infância turbulenta

Segundo Paul Sutter, do site Space.com, logo após o Big Bang e o início da grande expansão, não existiam estrelas. Na realidade, o Universo consistia em um espaço bastante denso e quente no qual não havia quaisquer corpos celestes ainda – apenas plasma, já que altas temperaturas impediam que os elétrons se combinassem para formar os átomos. E assim foi durante os primeiros anos após o nascimento do cosmos.

Mas, quando o Universo completou por volta 380 mil anos e tinha expandido o suficiente de forma que as temperaturas se tornassem menos extremas, os primeiros átomos de hélio e hidrogênio começaram a se formar – e, com o surgimento desses elementos, uma imensa quantidade de radiação foi liberada. Aliás, conhecida como “radiação cósmica de fundo”, resíduos dela podem ser medidos até hoje.

(Fonte: New Atlas / Reprodução)

Então, de acordo com Paul, o cosmos mergulhou em um estado de neutralidade que durou alguns milhões de anos até que, conforme a sua expansão prosseguia e o Universo se resfriava, aglomerados de gás começaram a se tornar mais densos em alguns pontos e a ganhar gravidade. Com isso, esses “amontoadinhos” foram atraindo matéria, que foi se aglutinando e concentrando mais partículas e fragmentos, ganhando cada vez mais força gravitacional até que, por fim, as primeiras galáxias foram surgindo, e as mais antigas de que se tem notícia já estavam formadinhas e ativas quando o Universo tinha apenas 680 milhões de anos de existência. Só que...

De volta à antiga forma

Os modelos apontam que o cosmos era composto basicamente por plasma até que, cerca de 380 mil anos após o Big Bang, seu conteúdo se converteu em um gás neutro e, hoje, ele é ionizado e repleto de átomos – completos, com seus elétrons e núcleos – que se combinam para formar compostos químicos e tudo o que existe. Além disso, o cosmos, por alguma razão, voltou a ser majoritariamente composto por plasma. O problema é que a tecnologia atual ainda não permite que os cientistas realizem observações que permitam desvendar o mistério de quando essa volta às origens teve início.

(Fonte: ESA / Reprodução)

Uma suspeita é a de que a primeira geração de estrelas que surgiram no Universo – seja lá quando foi isso exatamente! – liberaram gigantescas quantidades de radiação ultravioleta no cosmos. E, conforme esses astros foram entrando em colapso e “morrendo”, mais radiação ainda foi emitida, ionizando o Universo e, eventualmente, convertendo boa parte dele em plasma outra vez.

Um grupo internacional de cientistas observou evidências desse processo em um trio dessas galáxias insanamente antigas que se formaram quando o cosmos tinha apenas 680 milhões de anos – e determinaram que a radiação liberada por elas estava convertendo o espaço ao seu redor em plasma. Em outras palavras, os pesquisadores encontraram pistas de quando o processo de “volta à antiga forma” pode ter tido início e, com a construção e lançamento de observatórios e telescópios mais avançados, pode que eles finalmente esclareçam esse mistério.

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