NASA lançou na última terça-feira (22) vários novos satélites e dois deles entraram em órbita com a mesma função: observar como é que o planeta está lidando com a água, seja com relação ao derretimento das calotas polares, às secas ou o aumento no nível do mar, entre outras coisas relacionadas às mudanças climáticas. Os gêmeos GRACE-FO substituem os GRACE (Gravity Recovery and Climate Experiment Follow-on), que faziam esse papel desde 2002 e foram desativados no ano passado.

Missão é uma parceria entre a NASA e o Centro Alemão de Pesquisas em Geociência

“Os recursos hídricos são vitais para a vida na Terra e para o modo como operamos a civilização. É muito importante entender como esses recursos estão mudando, destaca”, diz Frank Webb, cientista do projeto GRACE-FO no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Os GRACE-FO têm o tamanho de um carro, cada, e seguirão um ao outro a 220 quilômetros de distância — e essa configuração é essencial para medir melhor os dados.

Quando a primeira sonda GRACE-FO passa acima de uma grande área de massa, como um enorme aqüífero subterrâneo, sua gravidade puxa o satélite e a proximidade com a segunda muda. Ao examinar constantentemente esse intervalo, por meio de sinais de microondas, as espaçonaves serão capazes de criar, mensalmente, um mapa da gravidade da Terra. As alterações destacadas nesse processo é que vão indicar como a água é distribuída por aqui.

Gêmeos ganharam upgrades em relação aos GRACE anteriores

Os GRACE anteriores já revelaram, por exemplo, que a Antártida vem perdendo 120 gigatoneladas de água por ano, mesmo quando as áreas no leste da região ganham massa. Essas placas de gelo derretendo contribuem para o aumento anual de 1 milímetro do nível do mar, de acordo com Webb.

Expectativa é de que os GRACE-FO fiquem em atividade somente por cinco anos, devido às limitações para que possam fazer medições precisas

Eles também já ajudaram a monitorar as secas, medindo como os aqüíferos subterrâneos mudam, bem como a distribuição geral de água no solo, lagos, rios e geleiras. Em 2011, por exemplo, a elevação do nível do mar desacelerou um pouco, embora os lençóis de gelo ainda estivessem despejando água no oceano. As sondas apontaram água extra armazenada na Austrália e na América do Sul, regiões atingidas por fortes chuvas.

Os GRACE-FO usam a mesma tecnologia de microondas que os antigos e receberam melhores baterias, além de uma câmera adicional. As sondas também estão equipadas com novos feixes de laser, capazes de realizar medições dez vezes mais precisas que processos anteriores — eles ainda precisam ser testados, para ver se funcionam corretamente.

grace nasaOs gêmeos GRACE-FO

Os primeiros dados devem demorar cerca de 90 dias para começar a chegar até a NASA. A missão é uma parceria entre a NASA, que banca US$ 430 milhões, e o Centro Alemão de Pesquisas em Geociência, que custeia outros US$ 90,7 milhões. Com os satélites fazem avaliações muito sensíveis sobre suas distâncias, não estão equipados com propulsores para ajustar suas órbitas. Isso significa que não ficarão por muito tempo lá fora, entre sete anos e oito anos e meio, dos quais cinco anos são de atividade.

Para conferir como foi todo o lançamento, confira abaixo a transmissão da própria agência espacial norte-americana: