Você sabia que existe uma escala que define os níveis de autonomia de direção das tecnologias empregadas nos carros que estão sendo guiados sozinhos por aí?

Caso você não saiba, existe uma escala criada pela SAE, ou Sociedade dos Engenheiros Automotivos, que separa essa autonomia em seis níveis distintos, que vão de SAE 0 a SAE 5, com base em quão independente o sistema é.

A BMW, sabendo que a direção autônoma é algo inevitável, mas que ainda é meio obscura para as pessoas, fez um vídeo que explica, de forma bem simples, quais são as principais característica de cada um dos níveis e quando podemos esperar vê-las em ação nas ruas.

Basicamente, a categorização funciona da seguinte forma:

SAE 0 – Sem automação

Os veículos nessa categoria são, basicamente, a esmagadora maioria do que vimos em toda a história dos carros até hoje: tudo que ele faz depende de um humano, desde sua aceleração e direção, monitoramento do ambiente, respostas dinâmicas à situações de risco, além da ausência de modos de condução distintos.

SAE 1 – Assistência ao Condutor

O primeiro nível de automação é atingido quando o sistema consegue ajudar o condutor com algumas atividades simples, como é o caso da manutenção de aceleração – através do uso de funções como Cruise Control não-adaptativo, que ainda exige que o motorista direcione o veículo e freie quando necessário – e também de modos de condução distintos que podem ser escolhidos manualmente para se adaptar a uma situação distinta.

SAE 2 – Automação Parcial (Atualmente)

É o que temos atualmente em termos de automação já popularizado no mercado: o sistema é capaz de efetuar por conta própria algumas funções do veículo, como acelerar e frear de acordo com o limite estipulado pelo condutor, através do Cruise-Control adaptativo. Em alguns casos, pode também direcionar ou ajudar o motorista a manter sua direção, mas é necessário um humano para assumir o controle em caso de situações de risco. Geralmente reservado para o uso em estradas.

Para que isso aconteça, os veículos atuais vêm equipados com um conjunto de radares e sensores que fazem um mapeamento de objetos em torno do veículo para um monitoramento passivo, ou seja, que não é capaz de reagir.

SAE 3 – Automação Condicional (até 2021)

Esperado em modelos que sairão dentro de 5 anos, o nível 3 já consiste em veículos que podem se movimentar por conta própria tanto na parte de aceleração e direção quanto no monitoramento ativo do ambiente. Isso permite que o motorista foque completamente em outras atividades, mas eventualmente terá que assumir o controle em situações de risco. Um exemplo desse nível de automação é o Autopilot da Tesla, em sua versão que também é capaz de dirigir em ambientes urbanos.

Aqui a exigência já passa a ser um conjunto mais robusto de sensores, como scanners a laser, sensores ultrassônicos e sistemas de radar – como os LiDARS, que já existem nos veículos que vem sendo testados –, que conseguem monitorar e reproduzir o ambiente ao redor do veículo para que o sistema consiga tomar decisões mais complexas de condução.

SAE 4 – Automação Alta (a partir de 2021)

Nesse nível, a expectativa é que o motorista possa até dormir ao longo do trajeto até o destino, já que praticamente todas as atividades serão feitas pelo sistema autônomo do veículo, inclusive habilidades reativas em situações de risco mesmo quando o motorista humano não for capaz de responder à solicitação para assumir o comando do automóvel.

Nesse estágio, a expectativa é que todos os sensores e câmeras já sejam capazes de fornecer dados muito mais precisos e o sistema também contará com informações fornecidas pelos serviços de navegação para definição de rotas e de manobras de condução – o que exigirá um altíssimo nível de conectividade constante do veículo e comunicações do tipo V2V (Vehicle-To-Vehicle) e V2I (Vehicle-To-Infrastructure).

SAE 5 – Automação Completa (2030)

O último nível extingue a necessidade de um condutor humano (em alguns casos até impedindo essa possibilidade), com absolutamente todos os controles e responsabilidade pela direção sendo feitos pelo sistema autônomo do veículo. O motorista se torna mais um passageiro e pode dedicar todo o seu tempo dentro do carro para fazer outras atividades.

É difícil especificar quais são as reais exigências do nível SAE 5 em termos de estrutura veicular, mas o que se espera é que a parte de sensores esteja extremamente avançada e que a conectividade já tenha se tornado algo orgânico no dia a dia das pessoas.

Algumas cidades já estão se antecipando com relação ao nível 5 e já pretendem fazer testes a partir de 2020. A BMW já deu uma mostra do que eles esperam ter em mãos com o seu Vision Next 100, apresentado no ano passado.