A primeira coisa que precisa ser dita sobre lentes é: não existe “bom e barato” quanto se fala de objetivas. Infelizmente, lentes boas serão caras, e lentes mais baratas terão algum tipo de deficiência. Assim, o grande segredo para comprar lentes é saber até que ponto as deficiências de determinada lente vão atrapalhar o desempenho que você espera da sua câmera. Este desempenho está ligado diretamente ao uso que você fará , ou seja, do estilo de fotografia que você prefere.

Então como descobrir qual o tipo de lente mais apropriado entre os modelos disponíveis? Para descobrir isso, começaremos analisando quais os tipos de lentes, suas características e a quais estilos de fotografia cada um deles é mais adequado.

Só lembrando que não se falará de marcas específicas neste artigo, uma vez que cada sistema de câmeras tem suas lentes próprias e equivalentes, mas não necessariamente iguais.

Lentes Fixas ou Zoom

A grande diferença entre uma lente fixa – que também é conhecida por prime – e uma lente zoom é a variação da distância focal. Enquanto uma lente fixa é construída de forma a manter sua distância focal, as lentes zoom podem variar essa distância em menores ou maiores intervalos.

De certa forma, uma lente zoom pode ser comparada a várias lentes fixas. Como exemplo, se temos uma lente zoom 18-55 mm (perceba a notação em milímetros e o intervalo do zoom) ela pode ser considerada uma lente 18 mm e uma lente 55 mm, além de todas as variações do intervalo. Só que a praticidade de uma lente dessas tem seu contraponto. A construção de uma lente dessas é mais complicada do que a de uma lente fixa, encarecendo a objetiva. Além disso, um outro fator muito importante de cada objetiva – a abertura máxima – tende a ser pior em lentes zoom.

Para entender o conceito de abertura, imagine um valor 1 como sendo a quantidade de luz que seu olho consegue captar. Agora divida essa luminosidade pela metade. Esse número é, aproximadamente, equivalente a uma abertura f/2 (novamente, perceba a maneira como isso é anotado). A seguir você tem um esquema simplificado das aberturas que normalmente se encontram numa lente para fotografia digital.

Esquema básico de aberturas de uma lente para fotografia.

Perceba que, como é uma divisão, quanto maior o orifício formado pelo diafragma – a peça da lente responsável pela abertura – menor é o número f. Pela lógica, então, quanto menor o número f, maior a abertura e mais luz a lente deixa passar até o sensor da câmera.

Foto por Luciano de Sampaio.

Outro efeito importante da abertura é que, quanto mais aberto o diafragma ficar, menor é a profundidade de campo que a lente oferece. Sabe aquelas fotos lindas, com uma flor toda certinha num plano, e tudo borrado no fundo? Isso é o efeito da profundidade de campo na fotografia. Para entender melhor, uma lente com uma abertura f/1.8 consegue desfocar muito mais, e muito mais perto do plano de foto, do que uma lente que só abre em f/4. O outro limite de abertura, os maiores números f da lente, já não são tão limitantes, pois praticamente todas as lentes atuais conseguem fechar até os mesmos f/22, aproximadamente. Assim sendo, ninguém se preocupa com a abertura mínima, pois todas as objetivas conseguem dar essa resposta ao fotógrafo.

Agora, sabendo disso tudo, como escolher a melhor lente possível? Comprar uma zoom poderosa, ou várias fixas de diferentes distâncias focais? Responder essa pergunta é mais complicado do que parece. Por um lado, comprar uma única zoom pode ser mais barato, mas as limitações de abertura, e principalmente o volume e peso da lente podem ser problemas graves. Além disso, ter uma única lente é um risco, já que, como todo equipamento, ela é sujeita a falhas.

A outra opção extrema é comprar todo um arsenal de lentes fixas, mas isso pode ficar muito caro, e é certamente pouco prático. Uma solução plausível é procurar lentes zoom menos poderosas e de boa qualidade, com intervalos pequenos de distância focal, e fazer um jogo com duas ou três lentes que satisfaçam suas necessidades. Também pode valer a pena comprar uma ou duas fixas mais simples e com uma boa abertura para ter essa opção disponível. Todas as principais fabricantes têm uma ou duas lentes fixas mais baratas e ainda assim com qualidade suficiente. Agora, para decidir quais serão essas lentes, é preciso pensar também na distância focal das objetivas, e no tipo de imagem que elas proporcionam.

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A importância da distância focal

Com o conceito de abertura resolvido, e entendendo a diferença entre uma lente fixa e uma zoom, só resta descobrir qual lente é mais apropriada para o estilo de fotografia que você prefere.

 

Para isso, existem três grandes grupos de objetivas a se considerar. As lentes normais, que formam uma imagem bem parecida com a que enxergamos sem lentes; as grande-angulares, que proporcionam um campo de visão mais amplo; e as teleobjetivas, que funcionam como uma luneta, aproximando imagens distantes.

A lente normal

Foto por Luciano de SampaioPara as câmeras dSLR mais comuns, lentes normais são aquelas com distância focal próxima ou igual a 50 mm. Quando construídas como lentes fixas, essas objetivas tendem a ser mais baratas, e apresentam aberturas máximas entre f/2 e f/1.4.

As objetivas normais podem ser usadas para qualquer tipo de fotografia, já que a imagem que formam é muito próxima daquela que o olho humano enxerga. Por serem normalmente mais luminosas do que lentes de outras distâncias focais, também são muito utilizadas para fotografar em condições críticas de iluminação.

A grande-angular

Foto por Luciano de Sampaio.As objetivas grande-angulares têm distância focal menor do que 50 mm, mas quanto mais curta for essa distância, mais perceptíveis serão suas características.

Além de abrir o ângulo de visão – em alguns casos para até 180º ou mais – essas lentes também distorcem objetos próximos devido à curvatura do vidro, fazendo com que linhas retas pareçam curvadas – efeito chamado de aberração esférica. Algumas dessas objetivas são conhecidas como “olho-de-peixe”, tamanha a distorção que apresentam.

As grande-angulares são muito utilizadas em fotografia de arquitetura, para retratar ambientes muito pequenos, e também costumam ter bons resultados quando se fotografa paisagens.

A teleobjetiva

Foto por Luciano de Sampaio.Também conhecido apenas como “tele”, o famoso “canhão” apresenta distâncias focais maiores que 50 mm, e é usado para fotografar em detalhes objetos distantes do fotógrafo. O ângulo de visão de uma tele é menor do que o do olho humano, e quanto mais longa for a lente, maior essa diferença. Alguns ainda subdividem as teleobjetivas em meias-tele – com distância focal até 200 mm, teleobjetivas – variando de 200 a 400 mm, e superteles – com 400 mm ou mais. Vale lembrar que quanto mais longa a lente, mais cara ela será.

Essa divisão interna das tele existe devido ao uso de cada lente. As objetivas até 200 mm são muito utilizadas para retratos e para jornalismo, devido à sua versatilidade. Entre 200 e 400 mm encontram-se as objetivas preferidas pelos fotógrafos de esporte e de natureza, e as superteles são utilizadas para esportes, para coberturas muito distantes e até mesmo para fotografia astronômica.

A escolha da lente

Agora que todo o básico já está claro, pode-se pensar melhor em como escolher as lentes apropriadas para cada um. Provavelmente, sua câmera já tem uma lente zoom com intervalo de grande-angular a normal (a mais comum é a 18-55 mm) e com uma abertura média (entre f/3.5 e f/5.6) que resolve boa parte das necessidades comuns da fotografia amadora. Já para conseguir aquele “algo mais”, é preciso pensar no equipamento com mais cuidado.

A primeira decisão a ser tomada é o tipo de construção de lente a ser comprado. Se você pretende fotografar em estúdio, ou em casa mesmo, em situações que você não terá pressa para fotografar, recomenda-se comprar lentes fixas, e apenas aquelas que seriam imprescindíveis. Uma grande angular na faixa dos 10 ou 15 mm, uma normal de 50 mm e uma meia-tele curta, de 85 ou 90 mm já são suficientes para fotografar praticamente qualquer coisa em estúdio.Foto por Luciano de Sampaio.

Para fotografar fora de um estúdio, entretanto, o raciocínio já não é tão simples. Se você pretende fotografar apenas temas determinados como paisagens, ou então só deseja fotografar pessoas, é bem provável que uma ou duas lentes fixas - claras e da distância focal apropriada - sejam suficientes. Uma grande angular de 25 ou 30 mm e uma normal de 50 mm formam um conjunto bastante confiável para fotografar paisagens, enquanto uma normal e uma meia-tele de 85 ou 90 mm formam um par excelente para se fazer retratos. Conjuntos apropriados podem ser pensados para cada estilo de fotografia que possa existir.

Agora, se você gosta de fotografar tudo o que aparece na sua frente, a situação muda bastante. Fotografar paisagem com uma objetiva de 200 mm é no mínimo desconfortável, e fazer retrato com uma grande angular é complicado por causa da aberração esférica que vai distorcer o rosto da pessoa.

Nessa situação, o ideal é ter mesmo uma lente zoom, que vai permitir a você mudar rapidamente de uma grande angular para uma normal, ou em alguns casos, até uma meia-tele. Vale lembrar também que as lentes têm limites, então às vezes vale mais a pena comprar duas zoom complementares do que apenas uma zoom com um intervalo enorme. Tanto um conjunto com uma objetiva 18-55 mm e uma lente 70-200 mm quanto uma única lente 18-135 mm, por exemplo, são boas escolhas para quem fotografa na cidade, podendo fazer panoramas e retratos variados facilmente, carregando apenas o mínimo de equipamento. Claro que cada uma dessas opções tem suas limitações, principalmente em termos de luminosidade.

Esses são os principais fatores a se considerar quando iniciando a compra de lentes para uma dSLR. A combinação de distância focal e abertura máxima, em conjunto com as possibilidade de zoom, vão determinar o preço da lente, mas pelo menos agora você já sabe que nem sempre o que você precisa é o mais caro.

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