Mesmo com água em sua superfície, a Terra é, na verdade, formada por 99% de rocha (Fonte da imagem: Reprodução/NASA)
Apesar de vermos oceanos ocupando grandes áreas da superfície terrestre (característica que adjetivou o nosso planeta como “azul”), a Terra é, na verdade, “seca”. Isso ocorre por existir, segundo os cientistas, 99% de rocha na composição do nosso mundo. E é nesse ponto que entra um dos maiores mistérios da astronomia: pela teoria atual quanto ao modelo de formação do nosso sistema solar, isso seria impossível — a Terra deveria ser um corpo gélido.

Para desvendar esse mistério, dois astrônomos do Instituto de Ciência Espacial Telescópica, Rebecca Martin e Mario Livio, observaram o comportamento de estrelas jovens usando dados do Telescópio Hubble. A resposta que encontraram poderá mudar uma das principais teorias quanto à criação dos planetas do nosso sistema solar, mostrando os motivos que levam o nosso mundo a ter água líquida (e não apenas gelo) em sua composição.

As diferenças entre as teorias

Segundo a primeira teoria que explica a formação dos planetas do nosso sistema — denominada de “modelo de disco de acreção padrão” —, existia, há bilhões de anos, um disco protoplanetário (formado de gases e poeiras) ao redor do Sol. As forças gravitacionais condensaram pedaços desse disco, que se transformaram nos corpos celestes que orbitam nossa grande estrela.

Modelo anterior dividia nosso sistema em apenas duas áreas e a "linha de neve" era mais próxima do Sol  (Fonte da imagem: Reprodução/Hubble site)
Ainda nessa teoria, os planetas possuiriam uma composição diferente de acordo com a distância do Sol. O modelo atual mostra que, a uma distância “X” da estrela, os planetas seriam “secos”. Depois dessa área “X”, todos os outros planetas já seriam gélidos, sem água líquida. O marco da divisão entre essas duas áreas — seca e gelada — recebe o nome de “linha de neve”. O problema é que, pelo modelo, a Terra estaria depois dela e deveria ser um mundo de gelo.

Assim, uma das possíveis explicações que foram criadas quanto ao volume líquido existente no nosso planeta seria que esta quantidade de água poderia ter vindo de asteroides. Mas muitos cientistas ainda não acreditavam claramente nisso e ainda buscavam outra explicação — como foi o caso de Martin e Livio.

Nova teoria coloca a "linha de neve" mais distante do Sol e cria novas áreas (Fonte da imagem: Reprodução/Hubble site)
Estes dois astrônomos, ao observarem as estrelas jovens e perceberem que os discos ao redor delas não eram totalmente ionizados, chegaram à conclusão de que a “linha de neve” estava no local errado e que não existia apenas uma área “seca” e outra “gelada”, mas várias áreas ao redor do Sol.

Tal resultado foi obtido pela consideração de que, como nas estrelas jovens, também não havia ionização no disco do nosso sistema nos primórdios. Logo, a matéria não se movia da forma apontada pelo modelo antigo.

Na nova teoria, agora existiriam quatro regiões ao redor do Sol. A Terra passaria a estar em uma região caracterizada como quente, seca e autogravitacional — em que as forças gravitacionais, no processo de formação dos planetas, faziam o gelo evaporar ao aquecerem a densa matéria que estava flutuando no disco. Com isso, a nova teoria poderá mudar para sempre o nosso conhecimento sobre como os planetas foram criados.

Fonte: Gizmodo

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