O FBI anunciou esta semana que se infiltrou e suspendeu as atividades da maior rede de pedofilia online cuja existência era conhecida pelas autoridades. Segundo o Vice Motherboard, a organização usou hacks para localizar o endereço de IP de um quadro de mensagens da Dark Web conhecido como “Playpen”, que angariou 215 mil contas e 11 mil visitantes semanais desde que foi aberto em 2014.

Embora o FBI tenha tomado controle dos servidores do Playpen em fevereiro de 2015, o quadro de mensagens foi mantido em funcionamento durante um mês. Durante esse período, as mensagens foram movidas para os servidores da própria agência, que usou uma ferramenta de hack conhecida como NIT (Network Investigation Technique) para descobrir os IPs de pelo menos 1,3 mil visitantes do site.

“Basicamente, se você visitava a página e iniciava o processo de inscrição, ou começava a se logar, um mandado autorizava o uso do NIT”, afirmou o defensor público Colin Fieman à Motherboard. O profissional considera o caso como uma “expansão extraordinária da vigilância governamental e do uso de métodos de procura ilegal em escala massiva”. Segundo o defensor, pelo menos 1,5 mil casos judiciais devem resultar da ação.

Caso sem precedentes

O FBI usa essa técnica pelo menos desde o ano de 2002, sendo que ela já foi utilizada para interceptar pessoas que enviavam ameaças de bomba por email. Além disso, a instituição norte-americana também é conhecida por ter violado a privacidade de pessoas usando um bug conhecido do Firefox com o objetivo de identificar quem está usando o browser Tor.

“Esse tipo de operação é simplesmente sem precedentes”, afirmou Christopher Soghoian, do Sindicato Americano de Liberdades Civisi (ACLU). “Não estamos falando de buscas em um ou dois computadores. Estamos falando de o governo hackears milhares de computadores a partir de um único mandado”, afirmou.

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