Quando você utiliza um smartphone ou MP3 player, chega a hora em que a bateria do aparelho é zerada. É uma situação inevitável e precedida da recarga, que pode ser feita através de dois métodos: por um cabo USB conectado ao computador ou diretamente na tomada.

Aí vem a dúvida: carregar o produto diretamente na tomada é mais vantajoso do que no USB? Se sim, o que explicaria essa diferença? O Tecmundo explica os fatores que podem influenciar na velocidade da recarga do seu eletrônico favorito, que passam de conceitos de eletricidade até especificações das baterias utilizadas atualmente.

Limitação de uso

Quando está ligado na energia, seu computador recebe uma determinada corrente elétrica, que é o movimento de partículas eletrizadas responsáveis por estabelecer a ligação entre aparelhos e as fontes de energia.

O computador, entretanto, possui várias conexões, que também necessitam de energia constante. De acordo com Daniel Rossato, professor de Engenharia Eletrônica da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), o aparelho ligado por USB pode ter sua corrente limitada – ou seja, nem toda a corrente que vai para o aparelho é destinada àquelas entradas específicas.

Desse modo, se outros dispositivos estiverem conectados a outras entradas USB do seu PC, o gadget pode carregar mais devagar. Atualmente, o teclado, o mouse, pendrives e outros aparelhos com esse tipo de conexão são de uso comum do usuário, portanto, tais entradas dificilmente estarão desocupadas durante o processo.

Do outro lado, uma tomada comum pode fornecer uma corrente constante destinada à recarga, caso não haja outros aparelhos funcionando por meio de adaptadores, por exemplo.

Especificações do USB

Além da diferença entre conexões, é necessário abordar também as mudanças entre os três modelos existentes de USB. O USB 1.0, que atualmente é raro de ser encontrado e não é mais utilizado em gadgets, nem deve ser levado em conta. Ele suporta uma corrente menor do que os demais e já foi bastante superado.

Já o USB 2.0, que é o padrão mais utilizado para aparelhos eletrônicos como smartphones, MP3 players e até video games, possui não só uma velocidade de transmissão de dados melhor, mas também proporciona uma maior velocidade na recarga de aparelhos, através de uma corrente de, em média, 500 mA (miliampères), sendo considerada uma tensão (diferença de potencial elétrico entre dois pontos) de 5 V (volts).

Por fim, o USB 3.0 possui maior desempenho que os dois modelos anteriores (sua corrente poder atingir um máximo de 900 mA), mas ainda não atingiu a popularidade e a padronização do seu antecessor. Esses são números obtidos através de uma média, levando em contra computadores e notebooks tradicionais.

Linha direta

Segundo Rossato, o adaptador conectado a uma tomada pode ter a capacidade de fornecer uma corrente maior (chegando a até 1000 mA com os mesmos 5 V de tensão), mas não é possível afirmar com certeza que todos os aparelhos utilizam essa vantagem para si.

E não adianta trapacear: mesmo que você conecte o aparelho em um cabo USB e em um adaptador para tomadas, não pense que a recarga terá o dobro do desempenho ou elimine as limitações, por exemplo. Teoricamente, portanto, o tempo gasto deveria ser o mesmo, mas não é que vemos por aí.

Argumentos alternativos

Se você tem tempo de sobra e não liga para a diferença de velocidade de recarga do seu gadget, então não se preocupe em levar em conta outros fatores.

Não é só recarregar

O que mais dá vantagem ao USB, por exemplo, é a portabilidade (o equipamento consiste em apenas um cabo) e a possibilidade de conectá-lo facilmente a um computador não só para efetuar a recarga, mas para alterar a seleção de músicas do seu MP3 player, por exemplo.

Em qualquer lugar

Já as tomadas, caso você tenha o adaptador correto (lembre-se do novo formato adotado no Brasil!), podem ser uma boa pedida se você estiver em um hotel, por exemplo, mas há a limitação de recarga apenas.

Na prática

De acordo com Rossato, o melhor jeito de saber como funciona o carregamento do seu eletrônico é mesmo a partir de testes. Desse modo, recomendamos que você realize as recargas em ambas as situações, para descobrir se realmente há uma vantagem considerável ao carregar seu gadget diretamente na tomada.

(Fonte da imagem: Divulgação / Apple)

O Tecmundo decidiu testar por conta própria qual é a diferença entre os dois métodos. Para o teste realizado, utilizando o iPhone 4, foram seguidas as seguintes regras:

  • A carga estava totalmente zerada.
  • O Wi-Fi estava desligado.
  • Os cabos e adaptadores utilizados são produtos oficiais da Apple.
  • O aparelho não foi utilizado durante o procedimento.
  • O computador tinha algumas portas USB ocupadas.
  • Foram feitas conferências rápidas da porcentagem da carga.

Os resultados alcançados foram os seguintes:

  • Carregamento a partir do USB: 2 horas e 45 minutos
  • Carregamento a partir da tomada: 2 horas e 30 minutos

O final dramático

Quando o eletrônico está quase carregado, aproximadamente em 80%, não parece que o processo começa a ficar mais lento? Isso realmente acontece, no caso das baterias de íon-lítio.

Tal processo não é apenas fruto de sua falta de paciência: à medida que o carregamento se aproxima do final, quando ele for realizado até atingir os 100%, são ativados os eletrodos da bateria, que são setores que demandam mais tempo para armazenar energia.

Isso vale tanto para as recargas feitas na tomada quanto para os cabos USB, portanto nenhuma delas leva vantagem nesse caso específico.

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Agora que você já sabe a diferença entre os procedimentos, faça o teste e compartilhe qual foi o resultado. Será que o seu eletrônico comporta-se de maneira diferente?

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