A série do TecMundo que conta a história das grandes empresas da tecnologia está em mais uma edição. Desta vez, vamos contar o início, o desenvolvimento, as polêmicas e os sucessos da japonesa Sony.

Desde o começo, a companhia já era ligada a eletrônicos, mas começou de forma bastante simples antes de se transformar na gigante que é hoje. E um dos destaques dessa empresa é justamente não se ater à tecnologia, mas sim participar de mercados bem diferentes — se destacando em praticamente todos.

Recolhendo os cacos

No final de 1945, o Japão estava devastado. Com a rendição ao final da Segunda Guerra Mundial e os ataques com bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaki, o país perdeu muito economicamente e também estava totalmente sem moral para prosperar. Na tentativa de reerguer a nação, foram muitas as empresas nacionais que surgiram.

Ibuka e Morita, já com a Sony bem encaminhada na história

Uma delas foi ideia de Masaru Ibuka. O engenheiro trabalhou na guerra testando equipamentos militares e juntou seus 20 melhores colegas para abrir uma pequena empresa de aparelhos de comunicação depois do conflito. O luxo era zero: a sala ficava em uma loja de departamentos, não tinha janelas e era cheia de rachaduras.

O primeiro nome do lugar? Tokyo Tsushin Kenkyujo, ou Totsuken, que significa Laboratório de Telecomunicações e Engenharia de Tóquio. Lá, a equipe consertava rádios e fabricava produtos como voltímetros, adaptadores de transmissão, uma almofada elétrica e até uma bacia para esquentar arroz. Foi aí que eles começaram a crescer e receber até encomendas do governo.

Já pensou em esquentar o arroz em uma máquina Sony dessas?

Mais ou menos nessa época, um físico chamado Akio Morita leu sobre Ibuka no jornal. Eles eram amigos dos tempos de guerra e, depois de trocarem cartas, Morita topou se mudar e integrar a futura Sony como cofundador. Ele até assumiu como presidente em 1971, em um dos piores períodos econômicos da marca. Ele chegou a cortar preços por causa de baixas vendas e por pouco sobreviveu nos negócios.

Em 1946, ela trocou de nome pela primeira vez. Totsuken vira Totsuko — então com “Corporação” no nome, em vez de Laboratório. Ela também se mudou para um galpão em Shinagawa, onde fica uma das bases da empresa até hoje.

Um dos primeiros destaques de verdade da marca foi o G-Type

E aí começaram os eletrônicos pioneiros: em 1950, saiu o primeiro gravador de fitas magnéticas do Japão, o G-Type.

Sony quem?

O nome Sony surgiu em 1955, quando a empresa começou a pensar em expandir para o Ocidente e percebeu que precisava de uma marca mais global. Ela tentou os nomes TTK e Teltech, mas eles já existiam, então sobrou Sony. Ela vem da palavra em latim sonus, que é a raiz para "som" e "sônico", e da expressão em inglês sonny boy, que significa um jovem de espírito livre e pioneiro.

O Ocidente começou a conhecer a Sony com o rádio portátil TR-63 e o televisor 8-301W. O sucesso foi tanto que ela foi a primeira empresa japonesa a oferecer ações para compra nos Estados Unidos. A logo que você conhece até hoje existe desde 1957, bem diferente da original.

Nos anos 60, a Sony não parou de crescer, abrindo novas fábricas e subsidiárias. Ela também começou a entrar em mercados longe dos eletrônicos, comprando até uma empresa de seguros de vida.

Caminhando para o sucesso

Em 1979, surgiu o TPS-L2, que revolucionou o mercado e virou um dos maiores nomes da Sony. Não reconheceu? É o primeiro Walkman, aquele dispositivo pioneiro para você sair por aí ouvindo músicas em fitas de forma portátil. A ideia veio de um engenheiro que queria escutar música clássica durante as viagens que fazia, e o resultado fez história.

A família Walkman foi tão bem-sucedida que devolveu a Sony aos holofotes após uma crise nas finanças. Foram dezenas de produtos com esse nome ou derivados, incluindo a linha Discman, para rodar CDs, e depois até MP3 players.

Mais erros e acertos

Mas claro que não há só vitória aí. Em 1975, ela lançou o formato de fita cassete Betamax e investiu pesado. Mas a Sony perdeu feio a disputa, e quem se popularizou foi o VHS, da rival JVC. O mesmo aconteceu com o sistema de som SDDS, derrotado pela Dolby, e o MultiMedia Compact Disc, o MMCD, que deu lugar para a Toshiba na corrida pelo DVD. Pelo menos, a Sony foi uma das grandes apoiadoras do Blu-ray.

E a Sony também recebia críticas até algum tempo atrás por criar padrões únicos para tudo que ela vende, de conectores a acessórios. Se era da Sony, só funcionava em aparelhos dela mesma, e os aparelhos tinham padrões bem específicos.

Mudança de ares

Em 1982, assumiu como presidente Norio Ohga. Foi ele quem revolucionou a marca e a transformou em um conglomerado tão variado e poderoso. O que ele fez? Para começar, em 1988, a Sony comprou a CBS Records, da Columbia, que depois se transformou na Sony Music, hoje uma das três maiores da indústria fonográfica.

Já a Sony Pictures se chamava só Columbia Pictures e era da Coca-Cola, mas foi comprada em 1989. As franquias produzidas por ela incluem Resident Evil, Homens de Preto e os direitos do Homem-Aranha em parceria com a Marvel.

A famosa Handycam foi a primeira filmadora de muita gente

A partir daí, a Sony entrou de cabeça em uma série de mercados. Ela bombou no setor de filmadoras, começando com a Handycam CCD-TR55. Há ainda as máquinas fotográficas Cybershot, os sensores pra câmera Exmor, as TVs Bravia e os PCs Vaio, que hoje já não são mais da companhia.

A hora e a vez dos celulares

A Sony começou a lançar celulares um pouco tardiamente: em 2001, sob a marca Sony Ericsson. A parceria durou até 2012, quando a empresa sueca foi absorvida completamente e perdeu o nome. Quer saber mais sobre a clássica Sony Ericsson? A história é bem legal e rende um vídeo e artigo próprios, então fique de olho no TecMundo em um futuro próximo.

Formato típico e bordas bem reforçadas: os smartphones Sony têm uma identidade própria,mesmo que muita gente não goste deles

Atualmente, os smartphones da Sony são da família Xperia. Ela começou com o Xperia X1, de 2008, que tinha um teclado QWERTY para ser usado na horizontal. Teve ainda o Xperia Play, de 2011, que misturava smartphone com um console portátil, e as linhas X, XA, XZ, E, C, L e M. Só que a mais famosa é mesmo a Z, que começou em 2011 e terminou na quinta geração — o Xperia Z5. Os modelos se destacavam por câmera poderosa, tela de alta qualidade e variantes em forma de tablet ou celulares de menor tamanho.

A Sony hoje não anda em seu melhor momento financeiro, mas algumas divisões fazem o trabalho por muitas. Um exemplo é a de games, atualmente uma das maiores fontes de renda da empresa. A importância é tanta que o CEO da Sony Corporation desde 2012 é Kaz Hirai, que começou na divisão do PlayStation.

Calma, que tem mais!

Ah, você está sentindo falta da origem de um tal de PlayStation? A criação dele começou em 1993, quando nasceu o departamento Sony Computer Entertainment Inc. para cuidar da divisão de video games. Só que tem muita, muita história aí no meio, e a gente também vai separar um vídeo só para esse e outros consoles.

Por enquanto, clique aqui e conheça o início dessa história, que envolve uma briga com a atual rival Nintendo.

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