Você consegue se imaginar vivendo completamente offline hoje em dia? A sua resposta para essa pergunta provavelmente é não. A internet não só faz parte do nosso cotidiano como é responsável por boa parte da nossa rotina, seja viabilizando o envio de emails, a realização de pesquisas ou o compartilhamento de documentos — isso sem contar na maior agilidade de comunicação e no entretenimento quase ilimitado.

Tendo isso em mente, você pode imaginar o poder que a web tem nas nossas vidas, na organização das empresas e até na economia dos países. Também não é preciso ser um especialista no assunto para imaginar que, com tal potencial de influência, o domínio na internet seja a meta de muitas companhias.

Mas qual é ou quais são as organizações que realmente mandam na internet? Que determinam os rumos que a web deve tomar? Se você logo pensou em Google, Apple ou alguma outra marca dessa magnitude, saiba que o mundo online pode ser maior e mais profundo do que aparenta.

Tudo conectado, tudo mesmo!

Primeiramente, é bom elucidarmos a enorme proporção que a web possui e que ela ainda deve conquistar. Na visão de Wim Elfrink, vice-presidente da Cisco, a evolução da internet tem acontecido em quatro estágios: conectividade básica, economia de rede, experiências imersivas e a Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT) em inglês.

De acordo com o grupo de pesquisa eMarketer, citado pelo site TheRichest, o número de internautas ativos até o final de 2015 deve chegar a 3 bilhões e metade da população mundial acessará a web pelo menos uma vez no mês até 2018. Além disso, as previsões de especialistas apontam que em 2020 a Terra terá, pelo menos, 50 bilhões de aparelhos conectados.

E toda essa conectividade promovida pelo conceito de Internet das Coisas já está acontecendo, embora possamos não perceber isso muito bem. Tal panorama de integração de todos e de tudo ficou muita claro durante a apresentação de BK Yoon, CEO da Samsung, durante a CES 2015, quando o chefão da sul-coreana exemplificou o impacto que a IoT terá no planeta por meio de smartphones, carros, adegas e até simples cadeiras.

Com tantos esforços da Samsung nesse sentido, seria normal você imaginar que ela seria uma das organizações que “comandam” a internet. A Intel é mais uma das companhias com grande interesse na Internet of Things, já que suas iniciativas nesse conceito teriam rendido US$ 2 bilhões aos seus cofres. E esse lucro está longe das possibilidades estimadas pela Cisco, que prevê uma movimentação de US$ 19 trilhões por produtos e serviços baseados na IoT.

Outras apostas comuns e aceitáveis seriam a Apple, com seus produtos amplamente difundidos e projetos cada vez mais ambiciosos (como um carro com a sua marca), e a Google, a qual detém grande parcela do mercado de buscadores — atualmente 60% dos dispositivos conectados à web usam o produto da Gigante das Buscas para executar mais de 150 milhões de pesquisas diariamente.

Colocando ordem nessa “bagunça”

Mas manter tudo conectado, operando de forma integrada e trocando informações de maneira ininterrupta, pode ter um efeito colateral: colocar dados pessoais e sigilosos em risco. Conforme um estudo conduzido pela HP, 70% das coisas interligadas pela Internet das Coisas estariam vulneráveis às ações de hackers.

É exatamente por isso que as organizações mais importantes para o presente e o futuro da internet são aquelas que discutem e desenvolvem formas de regulamentar, monitorar, avaliar e proteger o ambiente virtual com o qual passamos tanto tempo ligados. São essas instituições que “mandam” na internet e que nós vamos conhecer agora.

União Internacional de Telecomunicações

A International Telecommunication Union (União Internacional de Telecomunicações, em português) foi fundada em 1865, na cidade de Paris, sendo considerada a organização internacional mais velha do mundo. Hoje em dia, ela consiste em uma agência especializada da ONU, a qual tem suas atividades voltadas para tecnologias — especialmente aquelas de informação e comunicação.

A instituição tem como objetivo estabelecer padrões para ondas de rádio para criar igualdade nas condições de acesso à internet. Porém, na prática ela também atua como uma espécie de pacificadora da internet ou tribunal superior. Quando uma nação tem algum tipo de queixa relacionada à web, é à UIT que ela deve recorrer em primeira instância.

Internet Society

Criada no ano de 1992, a Internet Society (ISOC) consiste em uma organização sem fins lucrativos que trabalha para manter a internet livre, transparente e justa. Para tanto, essa associação de profissionais e companhias de tecnologia atua para construir regras que ajudem a web a se manter acessível e organizada, além de planejar melhorias técnicas e desenvolver novas aplicações para a internet.

Internet Architecture Board

Também em 1992 foi inaugurado o Internet Architecture Board (IAB), que é um comitê responsável por supervisionar aquilo que está sendo desenvolvido e aplicado à internet pela ISOC. Entre as incumbências desse órgão, estão uma série de forças-tarefas para que a conectividade à web se mantenha qualificada e em constante progresso — com destaque para a Internet Engineering Task Force (IETF), que você conhecerá a seguir.

Internet Engineering Task Force (IETF)

Formada por pesquisadores, técnicos, fornecedores e outros profissionais, a Internet Engineering Task Force é uma comunidade que se dedica a tornar a internet uma ferramenta de comunicação ainda melhor. Entre os seus propósitos, estão a identificação e a proposição de soluções para problemas de operação da web, bem como produzir documentos que promovam aperfeiçoamentos de protocolos que gerenciam a conectividade com a “nuvem”.

Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números

De todas as organizações apresentadas nesta matéria, a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) — ou Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números — deve ser a mais conhecida do público em geral. Isso se deve ao fato de ela ser a responsável pelas alocações e identificação de cada endereço da internet.

Em outras palavras, é o ICANN que administra os domínios disseminados na web, servindo como uma espécie de GPS para os internautas e os direcionando para as páginas que desejam. Ou seja, sem esse trabalho a internet seria uma verdadeira e completa bagunça. Apesar de ser uma organização sem fins lucrativos e subordinada ao governo dos EUA, a instituição gera rendas bem altas. Por exemplo, de acordo com o WhoIsHostingThis, o órgão arrecadou US$ 100 milhões em 2011.

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Como você deve ter percebido, o controle real da internet está nas mãos de diversas organizações, e nenhuma delas detém o comando absoluto desse ambiente virtual. Seus respectivos trabalhos se complementam, monitoram e regulam. É assim que a web continua em constante expansão e aperfeiçoamento.

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