Os filmes de ficção já faziam previsões mirabolantes sobre robôs com capacidade de aprender, sentir e expressar suas “emoções” e vontades do mesmo modo como nós, humanos, fazemos. Entretanto, as reações sempre foram bastante estereotipadas, ou seja, vozes metálicas, movimentos rígidos e tantas outras características que associamos aos “homens de lata”. A ideia de um computador capaz de interagir em contextos específicos como o nosso cérebro faz, já é objeto de estudo de pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos e até da própria IBM.

Esses grandes exemplos de máquinas inteligentes podem ser vistos como releituras do cérebro humano como um todo justamente por tentarem se aproximar da capacidade que o maior processador conhecido até hoje possui. Para isso, a equipe da professora Alice Parker está produzindo estruturas compostas por nanotubos de carbono para a montagem daquilo que pode ser chamado de “neurônio sintético”. Vários desses neurônios devem formar o “córtex sintético” e com isso reproduzir as conexões sinápticas que o cérebro humano é capaz de fazer.

O córtex é a região responsável pelo nosso processamento de dadosTodos esses termos técnicos podem ser traduzidos da seguinte maneira: os estudos apontam que pequenas estruturas feitas de tubos microscópicos de carbono para a recriação de neurônios feitos em laboratório. Assim, quando agrupadas, estas células sintéticas poderão recriar as conexões que os neurônios do nosso cérebro já fazem desde o princípio dos tempos, só que de um jeito que o processamento de dados que tão bem conhecemos nos computadores atuais também possam ser mantidos.

Contudo, quem está aprofundando as tecnologias dos computadores com o cérebro é a equipe de Dharmendra Modha. O pesquisador da IBM já obteve sucesso em desenvolver um computador que conseguisse recriar as sinapses equivalentes ao potencial de um cérebro de gato. Essa recriação só foi possível graças ao que Modha chama de “engenharia reversa do cérebro”, ou seja, fazer o caminho contrário para chegar aos algarismos e ao meio com que o cérebro funciona para assim desenvolver o computador “neural”.

Para este processo reverso ser colocado em prática, a equipe de Modha desenvolveu um novo algoritmo chamado “BlueMatter”, ou seja, Massa Azulada – uma paródia científica da massa cinzenta. O objetivo do invento é justamente descobrir, com a maior riqueza de detalhes o possível, a arquitetura do cérebro humano. Contudo, há de ser considerado o fato de que, no nosso mundo, recebemos verdadeiros “tsunamis” de informação, como o pesquisador indiano diz. Para poder suportar todas essas entradas, o computador deve ser tão potente quanto o cérebro.

sem as sinápses não seria possível pensar, raciocinar, mover ou qualquer outra ação!Modha traça as diferenças entre a tecnologia de computadores que temos hoje e aquelas que estão por vir. Ele diz que nos computadores atuais, não seria possível reconhecer um amigo caso ele mudasse a roupa com a qual ele foi visto pela primeira vez. Porém, com um computador com a capacidade do cérebro, pode-se reconhecer essa pessoa com qualquer roupa que ela esteja usando. Isso também é válido para arquivos e outras formas de armazenamento.

Este modo de computação também pode ser alterado com o passar dos anos. Em vez de apenas processar e armazenar, os computadores permitirão a interpretação de sons, visões, gostos, toques e até mesmo cheiros. Entretanto, a construção de um humano cibernético vai além das ideias propostas. Por mais que se tente, é impossível não cair neste debate, afinal trata-se da recriação da nossa inteligência para adaptá-la à tecnologia. É quase como comparar à inteligência das máquinas no filme Matrix ou Eu, Robô.

A equipe de Modha já é capaz de reproduzir o cérebro de um gato!Em ambos os filmes, as máquinas se desenvolvem de tal maneira que acabam assumindo o controle da raça humana, grande responsável pelo avanço da tecnologia. Porém, para isso, é preciso entender como o cérebro funciona e o que faz dele um computador extremamente poderoso e veloz. Para Dharmendra Modha, é preciso ter bons materiais para a produção desses neurônios sintéticos. Entretanto, é mais importante ainda saber como realizar uma sinapse tão rápida quanto aquelas que os nossos cérebros produzem a cada milésimo de segundo.

Para saber o quão potentes seriam estes computadores “cerebrais”, a simulação de um cérebro de rato, realizada em 2007 pela equipe da IBM liderada por Modha, reuniu 55m de neurônios, 442bn de sinapses – ou seja, oito terabytes de memória de um processador IBM 32,768 MHz. Esses números chegam a ser assustadores em comparação ao que conhecemos hoje nos nossos computadores. Vale lembrar que o foco destas pesquisas não está na recriação de ratos, gatos e humanos-robô. Até porque a simulação feita do cérebro do gato exemplificava como os pensamentos eram feitos e, por isso, é 100 vezes mais lenta que o cérebro felino normal.

Estes supercomputadores podem ter usos inimagináveis e extremamente práticos à existência humana. Aquela grande arte de delegar tarefas às máquinas deverá ser tão igual à potência dos supercomputadores produzidos por estes cientistas. A produção de cérebros artificiais como estes podem ajudar muito no controle de robôs espaciais, terrestres e até mesmo a robotizar outros elementos do nosso cotidiano como os carros, para que dirijam sozinhos; ou conceder inteligência artificial e talvez até sensibilidade às próteses humanas e quem sabe até às animais. Contudo, nem todas as utilidades são benéficas.

Será que robôs capazes de aprender estão tão longe assim?Sempre que há uma nova tecnologia, com ela vem a instalação em aparelhos militares e o desenvolvimento de novas armas. Neste caso, os supercomputadores cerebrais iriam ajudar soldados em campos de batalha quando o caos estivesse além da capacidade de análise e reação de um ser humano. E é exatamente neste ponto que a polêmica começa a aparecer. Será que as máquinas seriam capazes de distinguir o que é certo ou não?

O grande limite da razão e capacidade de discernimento humano está na consciência dos nossos atos. Portanto, permitir que uma máquina tenha o poder de conseguir processar as informações com a mesma velocidade e arquitetura de transmissão de dados que o nosso cérebro possui, pode ser um pouco arriscado. Contudo, a análise do outro lado do desenvolvimento desta tecnologia pode promover benefícios incríveis às pessoas que receberão os implantes e outras formas de adaptação neural desses nanotubos de carbono.

Por isso, pode ser perigoso afirmar que a chegada de “humanos-robô” será prejudicial à sociedade. Como tudo que é novo e, principalmente tecnológico, a proposta de que algum dia esse desenvolvimento se torne real causa muitas incertezas. E seguindo o exemplo de outros casos de novidades arrebatadoras, as inseguranças humanas sempre trouxeram medo. Muita gente já se referiu aos processadores como “cérebros”. De fato, esta analogia é bastante plausível, já que é ele quem comanda o computador – da mesma maneira que o nosso cérebro faz. Entretanto, a capacidade de processamento de dados das peças que temos hoje ainda não representa um décimo do cérebro humano.

Entretanto, o projeto em andamento de Dharmendra Modha conseguiu atingir o processamento aproximado a 1% da capacidade cerebral dos seres humanos. Talvez, quando o estudo já tiver alcançado os 100% do cérebro humano as integrações “homem-máquina” possam ser vistas de uma maneira diferente. Até mesmo os exames médicos podem atingir uma precisão incrível se o computador responsável pelo registro de imagens ou leitura de taxas de substâncias como hormônios e açúcares, estiver integrado à metodologia de funcionamento do “nosso processador” natural.

Os carros poderão ter a inteligência específica para lidar com engarrafamentos.Experiências de aprendizado a distância, jogos para PC e consoles e tantas outras aplicações da vida cotidiana ganham um novo papel e conexão em um presente com estes supercomputadores. Visto que a capacidade do computador e a humana estarão equilibradas, não será difícil realizarmos tarefas ainda mais complexas nas nossas máquinas a partir do comando direto vindo do cérebro – sem interferência de mãos ou qualquer outra parte do corpo. Pode até parecer bastante futurista e imaginativo falar sobre essas coisas, mas se voltarmos cerca de vinte anos no tempo, veremos discursos que afirmavam o uso cotidiano de carros, patins e skates voadores.

Por mais que alguns protótipos tenham sido feitos, nós continuamos a nos locomover através de carros movidos a combustíveis fósseis – como o petróleo – e nossos patins e skates continuam a funcionar com rodas. É verdade que vários avanços foram feitos nos ramo do transporte, da comunicação, das tecnologias da informação e tantos outros. Mas não cabe aqui começar a prever um futuro em que homem e máquina seriam um só, tampouco as interações prováveis que seriam resultantes disso.

Todas as invenções da humanidade tiveram usos extraordinários. Muitas delas foram aproveitadas para ajudar no desenvolvimento de forma não agressiva. Entretanto, a mesma proporção de boas intenções tecnológicas foi utilizada para aquelas não tão nobres assim. Prova clara disso são as armas nucleares e tantas outras ferramentas propostas para a guerra. Aliar homem e máquina neste caso é muito mais que perigoso. Um exemplo vindo da ficção pode traçar algumas projeções exageradas. Os filmes “O Exterminador do Futuro” conseguem ilustrar um futuro caótico em que os robôs tomam forma humana e vão além: tomam decisões tipicamente humanas, porém desprovidas do julgamento moral e uso da consciência.

Então, se você algum dia já pensou em como seria o mundo povoado por “homens-robô” ou então se “Matrix” pudesse realmente acontecer, pode começar a dedicar um pouquinho mais de tempo para imaginar este futuro. Porém, é inevitável não comentar a dúvida: “Será que os computadores poderão superar os humanos?”. Existem várias opiniões sobre este assunto, muitas delas são totalmente divergentes, mas ainda assim devem ser respeitadas. Portanto, fica aberto o debate. O que você acha sobre as pesquisas e desenvolvimentos de supercomputadores capazes de simular o nosso cérebro?

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