Pessoas vacinadas ainda podem pegar covid-19, mas isso é 'raro'

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“Posso pegar covid-19 mesmo depois de tomar a vacina?” Essa é uma dúvida que tem incomodado muitas pessoas já imunizadas contra o novo coronavírus. Dois novos estudos realizados nos Estados Unidos, publicados nessa terça-feira (23) no New England Journal of Medicine, trazem respostas interessantes para este questionamento.

Em um deles, pesquisadores da Universidade do Texas, em Dallas, acompanharam 8.121 trabalhadores do Centro Médico da instituição que receberam a imunização. Deste total, apenas quatro pessoas se infectaram após receberem as doses.

No outro estudo, um grupo de 14.990 colaboradores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego e da Escola de Medicina David Geffen da Universidade da Califórnia em Los Angeles foram monitorados. Neste caso, sete voluntários testaram positivo para a doença, em um período de duas ou mais semanas após a segunda injeção.

Uma grande parcela da população adulta dos EUA já recebeu a vacina contra covid-19.Uma grande parcela da população adulta dos EUA já recebeu a vacina contra covid-19.Fonte:  Unsplash 

Vale lembrar que mais de 83 milhões de pessoas já foram vacinadas nos EUA até o momento, segundo o The New York Times. Elas receberam doses da vacina da Pfizer/BioNTech ou injeções da Moderna, ambas apresentando altos índices de eficácia, as únicas aprovadas atualmente pelas autoridades americanas.

Raro, mas não impossível

Os dados de ambas as pesquisas mostram resultados animadores, sugerindo que os casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus após se vacinarem, denominados de “infecções inovadoras”, são bastante raros. No entanto, a especialista em infectologia da Universidade da Califórnia em San Diego Francesca J. Torrani, autora de um dos estudos, faz um alerta.

“Sentimos muito fortemente que esses dados não deveriam levar as pessoas a dizer: ‘Vamos todos nos vacinar e então podemos parar de usar máscaras’. Essas medidas devem continuar até que um segmento maior da população seja vacinado”, comentou ela, referindo-se aos cuidados para evitar a transmissão do Sars-CoV-2.

As medidas de prevenção devem continuar mesmo depois da vacina.As medidas de prevenção devem continuar mesmo depois da vacina.Fonte:  Pixabay 

De acordo com Torrani, apenas alguns dos voluntários da pesquisa que testaram positivo para a covid-19 após se vacinarem apresentaram sintomas. E quando surgiram, eles foram leves, mostrando que a imunização tem cumprindo o seu papel, de evitar quadros mais graves e internações, mesmo não bloqueando totalmente o vírus.

Outro detalhe interessante revelado pela pesquisadora é que os casos das pessoas assintomáticas só foram descobertos por meio de testes realizados ao longo do estudo ou como parte de seus cuidados médicos, pois elas não apresentavam nenhum sinal de estarem doentes.

Suspeitas

Conforme o NYT, o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC) está acompanhando os casos de infecção inovadora que têm surgido no país, com o objetivo de descobrir se variantes específicas do novo coronavírus desempenham algum papel importante nestes quadros.

Também há a hipótese de que as infecções surgidas nas pessoas já vacinadas tenham relação com sistemas imunológicos enfraquecidos, seja por alguma doença ou devido ao uso de certos medicamentos. Segundo o especialista em doenças infecciosas da Universidade Vanderbilt William Schaffner, tais casos ocorreriam nestes pacientes porque o organismo deles não seria capaz de produzir uma “reação robusta” à vacina.

Sintomas leves foram relatados por quem se infectou.Sintomas leves foram relatados por quem se infectou.Fonte:  Freepik 

Em entrevista ao jornal, um médico de Nova York incluído no grupo de casos inovadores contou que começou a apresentar os sintomas da covid-19 cerca de dois meses após receber as duas doses da vacina da Pfizer. Ele teve febre, calafrios, perda de olfato e paladar.

Após fazer o teste e o resultado dar positivo, ele passou duas semanas isolado em casa, sendo tratado com anticorpos monoclonais para combater o Sars-CoV-2. O profissional classificou o seu quadro como relativamente leve e afirmou que sem a vacina, a situação poderia ter sido complicada. “Se a pior gripe recebe uma classificação 10, esta foi um 4”, explicou.

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