Queda de asteroide pode ter causado Era do Gelo e extinções na Terra

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Apesar de a extinção dos dinossauros desencadeada há cerca de 65 milhões de anos pela colisão de um imenso asteroide na região que hoje corresponde ao Yucatan, no México, ser a mais conhecida, ela não foi a única. Segundo um crescente corpo de evidências, outro evento semelhante – mas de proporções menores – ocorreu há quase 13 mil anos e levou não só ao resfriamento da Terra por cerca de 1,4 mil anos, como também ocasionou o desaparecimento de várias espécies de animais e até ao colapso de uma das primeiras culturas a se estabelecerem na América do Norte.

Era do Gelo

A queda de temperaturas na Terra e início de período de glaciação ficou conhecido entre os cientistas como “Evento Younger Dryas” – uma Era do Gelo que teve início por volta de 12,8 mil anos atrás e se estabeleceu em apenas um par de anos. Ao longo do quase 1,5 milênio de duração, ele teria propiciado a extinção de pelo menos 35 gêneros de animais, como mastodontes, mamutes, tigres-dente-de-sabre e preguiças gigantes, bem como causado o desaparecimento da cultura Clovis, povo pré-histórico a partir do qual a maioria das sociedades indígenas das Américas parece ter se originado.

De acordo com a teoria mais popular sobre o que provocou o Evento Younger Dryas, o resfriamento repentino do planeta teria acontecido depois de barreiras de gelo glacial não conseguirem mais conter as águas de gigantescos lagos que existiam no interior do que hoje corresponde à América do Norte, fazendo com que uma quantia imensa de água doce fosse parar no Atlântico e interferisse na circulação oceânica e afetasse o clima do planeta.

(Fonte: Astronomy / Reprodução)

Contudo, segundo uma crescente quantidade de evidências, por volta de 12,8 mil anos atrás, o nosso mundo foi alvo da colisão de um grande asteroide ou cometa fragmentado. O impacto teria lançado grandes quantidades de partículas na atmosfera e causado extensos incêndios florestais, cujas cinzas e fumaça teriam impedido a passagem da luz solar e feito as temperaturas despencarem.

Vestígios desse acontecimento já foram encontrados em camadas de sedimentos na América do Norte – os últimos foram descobertos no White Pond, um lago com pouco mais de 600 mil metros quadrado que se encontra na Carolina do Sul, EUA –, bem como em algumas partes da Europa e na Groelândia. Além disso, apesar de muitos cientistas acreditarem que o Evento Younger Dryas consistiu em uma tragédia que teria ficado restringida ao Hemisfério Norte, novos achados indicam fortemente que se tratou de algo que teve consequências globais.

Mais especificamente, um time de cientistas da Universidade da Carolina do Sul descobriu índices elevados de irídio e platina no White Pond, elementos normalmente encontrados em rochas espaciais que colidem no planeta. E estudos anteriores identificaram a presença de irídio e platina na Groelândia e na Europa, como mencionamos, mas também no Chile e na África do Sul, materiais que, ao que tudo indica, se acumularam no mesmo período em que se deu o Evento Younger Dryas.

Embora muitas das amostras tenham sido devidamente analisadas e datadas, as que foram coletadas na Groenlândia não foram ainda. No entanto, ademais de conter altos índices de irídio e platina, o material foi obtido a partir de camadas de sedimentos de uma cratera de impacto medindo mais de 30 quilômetros de diâmetro que foi descoberta em meados de 2015 e foi produzida há aproximadamente 12,8 mil anos. Essa formação está entre as 25 maiores crateras de impacto da Terra e a rocha espacial que a causou deve ter provocado um estrago e tanto – e, ao que parece, o início de uma Era do Gelo devastadora para muitas criaturas do nosso planeta.

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