Uma pesquisa realizada pela Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, e pela Universidade da Califórnia, nos EUA, revelou que cerca de 80% dos usuários do Android gostariam de negar pelo menos uma das permissões que apps baixados da Play Store pedem durante a instalação. Em média, essas pessoas gostariam de negar pelo menos três.

A pesquisa teve foco em privacidade, chamando atenção para o fato de muitos apps pedirem permissões demais em troca de funções muito simples. Por exemplo, um app de lanterna não deveria ter razões para acessar os contatos ou galeria de imagens de um usuário. Contudo, alguns deles pedem isso.

O fato de esses softwares solicitarem essas permissões não é exatamente o problema. Até o Android Marshmallow 6.0, nenhuma versão do SO mobile deixava que as pessoas recusassem essas permissões. A única forma de negar seria não instalar o app de uma vez por todas. Diante disso, para ter o tal app, muita gente simplesmente engole seco e acaba ficando com um software xereta no celular.

E a Google com isso?

Claro que a Google tem trabalhado para tornar isso mais simples e dar controle aos usuários sem incomodá-los com janelinhas pedindo permissão para tudo — como acontecia no finado Windows Vista —, mas parece que as fabricantes de smartphones parceiras da empresa não estão tão empenhadas assim.

Isso porque, até agora — três meses depois de o Android 6.0 ter sido lançado no mercado —, apenas 0,7% de todos os aparelhos que rodam o Robô possui o novo software, segundo dados da própria Google. As grandes marcas simplesmente não enviam atualizações de software para seus smartphones intermediários e de entrada e ainda demoram de seis a oito meses para fazer isso com seus top de linha.

Fragmentação

Essa tecla já foi batida muitas vezes, e a própria Google gosta de dizer que a fragmentação é uma parte boa do Android. Contudo, esse tipo de pesquisa deixa claro que há grandes problemas que decorrem dessa característica. O Android já está no mercado há muitos anos, mas, até hoje, a Google não moveu uma palha para facilitar o procedimento de atualização do sistema pelas fabricantes.

Cada aparelho lançado por elas tem que receber atenção especial para que ele seja atualizado, sendo necessário fazer muitas alterações no Kernel do dispositivo. Imagina uma marca como a Samsung, que lança dezenas de smartphones por ano no mundo todo, trabalhando em atualizações periódicas para seus aparelhos? Essas marcas simplesmente não têm tempo para isso, uma vez que outra atualização não demora a aparecer no site da Google.

O ideal seria a Gigante das Buscas criar uma espécie de padrão que permitisse enviar pelo menos as atualizações de segurança e de funcionalidades importantes para todos sem passar por fabricantes ou operadoras. Já as melhorias/personalizações de interface e outras coisas poderiam muito bem continuar responsabilidade das próprias fabricantes.

Enquanto uma solução não é encontrada, quem compra celulares de marcas intermediárias precisa conviver com o mesmo software para sempre, com raras exceções de marcas como a Motorola, que inclusive está sendo apagada do mercado pela Lenovo.

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