O conceito de Internet das Coisas (também conhecido como IoT, sigla para o termo inglês Internet of Things) está tomando conta do mundo. Sem que pudéssemos perceber, já estamos rodeados de dispositivos modernizados com acesso à internet: relógios, carros, termostatos, lâmpadas, câmeras de segurança e até mesmo fechaduras eletrônicas para as portas de casa.

O problema é que, assim como ocorreu com os smartphones, o segmento de gadgets conectados está crescendo sem que as partes envolvidas – consumidores e fabricantes – se preocupem com o quesito segurança. No começo deste ano, por exemplo, comentamos sobre o quão fácil é hackear babás eletrônicas para obter acesso ao vídeo transmitido pelas próprias.

Na última sexta-feira, o TecMundo teve a oportunidade de conversar com Samu Konttinen, VP de Consumer Security da F-Secure. Em uma rápida passagem pelo nosso país, o finlandês afirmou que os usuários ainda não entendem os riscos presentes nesse mercado. “Isso é algo realmente perigoso, pois os hackers sabem de duas coisas: que os dispositivos conectados não possuem uma boa segurança e que seus alvos não se preocupam com isso”, afirma.

Samu Konttinen, VP de Consumer Security da finlandesa F-Secure

Um novo alvo para ciberataques

Em uma recente pesquisa feita a nível global, a F-Secure conseguiu identificar o perfil de pessoas e empresas que já usam produtos da categoria IoT. Falando especificamente do Brasil, a companhia afirma que apenas 44% dos entrevistados se mostraram preocupados com brechas para ataques cibernéticos em seus gadgets, enquanto 40% se sentem aflitos em relação a sua privacidade com esse tipo de eletrônico.

Um dos principais desafios para manter esse mercado seguro é o fato de que as manufaturadoras não seguem um padrão. Cada produto tem seu próprio SO e sua própria arquitetura, adaptando-se de acordo com a finalidade para a qual ele foi construído. “Eu não acho que isso vá mudar tão cedo”, comenta Samu. “Vai haver uma batalha dos ecossistemas. A Google, a Microsoft, a Apple, cada uma vai promover seu jeito de fazer as coisas”.

O conceito de "casa conectada" bota em risco a segurança do usuário caso não sejam tomadas algumas medidas de segurança

Felizmente, a F-Secure é uma das companhias que já estão trabalhando no cenário de IoT. “Nos próximos meses, iremos anunciar novas soluções para proteger não apenas seu computador, mas toda a sua casa”, avisa o executivo. De acordo com Samu, mais do que oferecer ferramentas de proteção para o consumidor final, a empresa também está dialogando com fabricantes para implementar essas tecnologias dentro dos produtos.

Apesar do cenário parecer desesperador, o especialista lembra que os cibercriminosos só devem migrar para esses gadgets mais “jovens” (como televisores inteligentes) quando eles realmente puderem tirar algum proveito financeiro disso.

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