Quem tem uma Smart TV em casa sabe a importância que o sistema operacional do equipamento tem na experiência de uso no dia a dia. Assim, não é de se surpreender que uma das grandes fabricantes do setor, a LG, resolva criar um fórum de debates que tem como tema central sua plataforma para televisões inteligentes. Nesta sexta-feira (21), então, ocorreu a segunda edição do Fórum webOS, em São Paulo, que contou tanto com a presença de representantes da empresa e como de outros convidados envolvidos no segmento.

Para apresentar o evento, direcionar a conversa e tornar o encontro mais dinâmico, a sul-coreana escalou Lorena Calabria como mediadora do fórum. Para começar, a jornalista apresentou o time de profissionais que marcaria presença no palco do Instituto Tomie Ohtake: Renato Almeida, gerente de produto (TV) da LG; Vinicius Losacco, vice-presidente de marketing da Netflix para América Latina; Leo Xavier, CEO e fundador da Pontomobi; e Cassiano Froes, gerente de tecnologia da Globosat.

Antes de passar a palavra para os colegas, Lorena falou sobre sua própria experiência com as Smart TVs. Para ela, a percepção é de que o avanço da tecnologia mobile e o surgimento de uma série de novos dispositivos nessa área fez com que a televisão fosse perdendo espaço. As funções inteligentes e demais recursos integrados à nova geração de aparelhos, porém, parece permitir que “a TV possa voltar a ser a queridinha da casa”, agrupando elementos antes exclusivos de celulares e PCs e voltando a reunir a família na sala de estar.

A jornalista também aproveitou para mostrar que a escala atingida pela popularização desses equipamentos inteligentes, com as principais fabricantes do segmento dedicando cerca de 70% da sua produção de televisores para os modelos smart. Ela falou também sobre termos-chave para que o público se envolva com essa tecnologia: interatividade, usabilidade e, claro, qualidade de reprodução do conteúdo exibidos na tela.

Sistema ideal para o consumidor

Em seguida, foi a vez de Renato, da LG, dar início à discussão, falando inicialmente sobre o ponto de vista da idealizadora de um dos sistemas mais queridos pelos aficionados por TVs inteligentes atualmente, o webOS 2.0. De acordo com o executivo, mesmo a primeira versão do software criado pela companhia já deu uma chance para que os usuários pudessem extrair os recursos do aparelho de uma forma simples e bastante fácil de usar. “O webOS muda a forma como as pessoas interagem com a TV”, afirmou.

A edição 2.0, revelada em março , teve então a missão de levar tudo a um novo patamar. Segundo o gerente de produto, a versão que já ocupa grande parte dos televisores lançados em 2015 é de 60 a 70% mais rápida que a anterior, trazendo um bom número de novidades. Design de menus reformulado, barra de canais favoritos e uma loja mais robusta para os apps foram algumas das ferramentas para aperfeiçoar a experiência do consumidor – além do novo controle Smart Magic, que age como ponteiro e aceita comandos de voz.

A praticidade no uso rotineiro do produto parece ser o que direciona a equipe de desenvolvimento do sistema operacional. “Não importa mais a fonte, mas sim entregar o conteúdo da melhor forma para o consumidor”, declarou Renato, dizendo que não importa se o material reproduzido vem de uma filmadora caseira, da câmera do celular, dos canais abertos ou de uma biblioteca de filmes de alta qualidade dos parceiros. O importante é que a escolha fique na mão do cliente, que só precisa selecionar o que quer e apertar Play.

Falando sobre a plataforma, ele passou uma informação diferente da que foi divulgada anteriormente pela LG, na qual a empresa se comprometeu a atualizar aparelhos com webOS 1.0 para o 2.0. Sim, o software ainda receberá uma atualização – programada para outubro deste ano –, mas não será um update completo. Ainda assim, o pacote deve agradar os donos de TVs mais antigas, já que entre as mudanças planejadas estão um aumento considerável de performance, os novos menus e ferramentas adicionais presentes na edição mais atual.

Plataforma para compartilhamento

A palavra então passou para Leo Xavier, que fundou a Pontomobi, uma empresa voltada para a criação de soluções mobile que acabou achando um filão no desenvolvimento de aplicativos para Smart TVs. Dando a visão do desenvolvedor, o profissional falou exatamente sobre os desafios de se criar aplicativos para o segmento. Ele explicou que, enquanto a elaboração de softwares para produtores de conteúdo é relativamente tranquila, basta seguir para categorias como Serviços e Transações para que o papo mude de figura.

Para o CEO, o mais importante é que as companhias e desenvolvedores percebam que mesmo a televisão inteligente acabe sendo mais uma tela em casa – assim como celulares, computadores e tablets –, não é preciso disputar espaço com outros dispositivos. A ideia principal é que o produto volte ao protagonismo do consumo digital na casa das pessoas ao apostar naquilo que ele é mais forte: compartilhamento do que se passa na tela com as pessoas à sua volta.

Leo Xavier, da Pontomobi.

Isso ajuda a responder questões como “Qual o posicionamento das marcas nesse mercado? Todas as empresas deveriam produzir apps para TVs?”. Nos exemplos citados por Leo durante a conversa, uma rádio patrocinada por uma marca de bebidas ou uma ferramenta para a pesquisa de um carro zero receberiam um OK, enquanto um aplicativo para consulta de saldo bancário talvez não fosse o mais indicado para um display visível para todos. “É preciso justificar o investimento pela empresa e pelo usuário”, analisou o executivo.

Conteúdo 4K (e exclusivo!)

Vinicius Losacco, da Netflix.

Representando a Netflix, Vinicius Losacco deixou claro desde o primeiro momento que a gigante das transmissões online tem uma parceria muito saudável – e de longa data – com a fabricante sul-coreana. Para ele, a tecnologia mais avançada das TVs e a qualidade do material em 4K fazem com que o consumidor tenha uma experiência cada vez mais próxima da do cinema. O casamento desses dois elementos foi confirmado por uma pesquisa da própria LG, que prevê que os televisores Ultra HD dominem 50% do mercado até 2017.

Claro que, com isso, a companhia está focando grande parte dos seus esforços no novo formato. De acordo com o VP de marketing, a Netflix – que além de distribuir também produz conteúdo original – tem como meta oferecer um número progressivamente maior de conteúdo em resolução 4K. O acervo com essa qualidade cresce a cada dia, com séries como House of Cards, Sense8 e Demolidor fazendo a alegria de quem curte imagens altamente detalhadas – além de produções de ponta, claro.

Para provar que o investimento não deve parar tão cedo, Vinicius mostrou um clipe dando uma palhinha dos títulos da casa e divulgando um trecho inédito do seriado Narcos, que estreia no próximo dia 28 e estrela o brasileiro Wagner Moura no papel de Pablo Escobar. Confira acima o vídeo que gravamos durante a exibição da cena.

Globo e as novas tecnologias

Cassiano Froes, por sua vez, deu a opinião da maior operadora de canais de TV por assinatura do Brasil, a Globosat. Ele afirmou que é claro como o consumo de conteúdo e o hábito de assistir à programas na TV mudou quase que completamente com o acesso constante à internet. Com isso, as companhias tradicionais do setor também estão mudando e se adaptando a essa nova realidade, dando a chance para que o material esteja disponível para o consumidor em qualquer lugar.

Cassiano Froes, da Globosat (à esquerda).

Diferentemente de serviços como da Netflix, a versão online da programação dos canais da empresa só fica disponível a assinantes do serviço clássico. Isso não impede que esses usuários possam conferir tudo de forma idêntica na televisão, no celular ou em outros dispositivos mobile. A linha de aplicativos Play – agora unificada sobre a bandeira Globosat Play – tem uma biblioteca extensa, dá suporte ao formato 4K e já soma quase 10 milhões de downloads, além de contabilizar quase 6 milhões de acessos mensais.

Infelizmente, para quem gosta do conteúdo desenvolvido pela Globosat, não há nenhuma perspectiva para que esse tipo de recurso fique disponível para usuários avulsos – o que também evita que o serviço dispute espaço com outras soluções sob demanda na web.

Experiência e qualidade

A parte final do Fórum webOS deu liberdade para que os membros do público – entre jornalistas, produtores de conteúdo e entusiastas do setor – fizessem suas perguntas aos convidados. Um dos primeiros temas abordados nessa porção do evento foi se a tecnologia direciona o interesse do consumidor ou se o caminho é inverso. O consenso geral da bancada foi de que é mais uma via de mão dupla, com ambas as partes se influenciando. Ainda assim, foi ressaltada a importância do feedback e da experiência do usuário em relação a novidades.

Esse assunto prosseguiu com a questão da adaptação do público às inovações do mercado. Os executivos da Netflix e da Pontomobi disseram acreditar que as empresas estão aprendendo a ir onde as pessoas vão, ou seja, estão disponibilizando conteúdo em mídias e plataformas diversas. O fator qualidade também foi citado como importante na aceitação, já que é muito mais fácil se adaptar a algo visivelmente melhor do que o convencional, como é o caso das produções em 4K.

Opiniões divergentes e Netflix no relax

O formato, aliás, mostrou de uma forma interessante que diferentes integrantes da indústria têm visões distintas sobre quando acham que o modelo vai realmente se popularizar. Enquanto Vinicius (Netflix) acha que o 4K já é algo presente na vida das pessoas e Renato (LG) acredita que a democratização nos preços dos televisores está fazendo a tecnologia deslanchar, Cassiano (Globosat) já é da opinião que ainda vai levar um tempo até que o Ultra HD se dissemine entre o grande público.

A seção de perguntas e respostas passou ainda por temas como o caminho ideal para o desenvolvimento de aplicativos exclusivos – e interessantes – para as Smart TVs. Leo, da Pontomobi, explicou que a atuação de empresas especializadas da criação de soluções para o segmento são as maiores aliadas das marcas. Ao mesmo tempo, a LG abre espaço a todos ao anunciar o Concurso webOS App, que vai receber projetos até 13 de setembro e dar aos três primeiros lugares TVs e prêmios em dinheiro. Confira todas a informações no site oficial.

Isso vai se resolver, não é uma preocupação atualmente para a Netflix.

O ponto alto do bate-papo, porém, foi quando o executivo da Netflix foi questionado sobre as recentes notícias sobre o processo de regulamentação que a companhia pode vir a sofrer no país – algo que se alastra também para serviços como WhatsApp. Vinicius foi bem tranquilo ao responder que isso não anda tirando o sono da empresa, dizendo que ainda não há nada oficializado e que a Netflix está aberta para conversas com a ANCINE e com as operadoras de telefonia. “Isso vai se resolver, não é uma preocupação atualmente para a Netflix”, finalizou.

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