Imagem de Sonic Colors: Ultimate
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Sonic Colors: Ultimate

Nota do Voxel
83

Sonic Colors: Ultimate revive bem um dos melhores títulos da série

Quem é fã do Sonic sabe bem que a jornada do personagem foi repleta de altos e baixos desde que a SEGA passou a ser uma empresa third party. Entre títulos universalmente aclamados (como Sonic Generations) e outros tantos repudiados (Sonic the Hedgehog 2006), é difícil saber o que esperar da desenvolvedora Sonic Team.

Em 2010, acertaram em cheio com o lançamento de Sonic Colors exclusivamente para Nintendo Wii, também acompanhado por um port mais limitado no Nintendo DS. Apesar de o Wii ser uma febre absoluta de vendas, o caráter exclusivo do game acabou impedindo muita gente de experimentar um dos capítulos mais belos e criativos da série, pecado do qual muitos podem se redimir com o lançamento do remaster Sonic Colors: Ultimate.

A remasterização ficou a cargo do estúdio Blind Squirrel Games, que trouxe a aventura ao PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e Xbox Series X/S. Quer saber como ficou o resultado? Então confira o review completo a seguir.

Vamos alcançar as estrelas!

Até onde é possível pensar em uma premissa criativa para um jogo principal da série, até que Sonic Colors: Ultimate faz um bom trabalho justificando a sua ação e as tramoias do Dr. Eggman (ou Robotnik, para os mais nostálgicos). Desta vez, o vilão rotundo construiu um parque de diversões no espaço, e o jogo começa com Sonic e Tails embarcando rumo a esse local “nada suspeito”.

Não demora para descobrirmos que uma raça alienígena chamada Wisps está sendo explorada pelo cientista para sustentar as suas atividades nefastas, então cabe ao velocista azulado passar por todas as diferentes áreas do parque para libertar os seus novos amigos e, no processo, receber a sua ajuda de volta liberando novos poderes diferentes de tudo que já tínhamos visto na série até então.

Os poderes vão sendo liberados gradualmente enquanto você progride na campanha principal, que leva pouco mais de 4 horas para ser concluída pela primeira vez — mas pode ficar tranquilo, esse tempo triplica se você quiser buscar todos os extras. Conforme os mundos vão passando, você encontra um novo Wisp por vez, totalizando nove poderes diferentes para destrancar, o que inclui um Wisp inédito da versão Ultimate.

Poderes de outro mundo

Começando pelo que há de novo, o Wisp estreante é uma espécie de “fantasminha camarada”. Ao pegar os seus poderes, o Sonic consegue voar e ultrapassar paredes até então intransponíveis para alcançar pontos-chaves do mapa. Acaba sendo “uma mão na roda” para alcançar colecionáveis e rotas secretas, lapidando um pouco mais o design das fases originais, mas nada muito inspirado.

Os poderes do jogo original são bem mais legais, já que eles permitem converter o Sonic em um raio laser cortando a fase a toda velocidade, perfurar o solo em busca de atalhos, se transformar em jato para alcançar o topo do cenário, e até mesmo transformar blocos intangíveis em plataformas sólidas por tempo limitado. É sempre um prazer explorar as possibilidades dos Wisps em ação, como você pode conferir no vídeo abaixo:

Uma coisa que ajuda bastante Sonic Colors: Ultimate a brilhar é que os mundos do game são tão variados e inspirados quanto os próprios poderes dos Wisps. Além das tradicionais áreas baseadas em muito verde e natureza, contrastando com níveis mais mecanizados evidenciando a influência maligna do Eggman, há várias temáticas bem “fora da caixinha”.

A zona de Sweet Mountain, por exemplo, é toda inspirada em guloseimas, enquanto o Aquarium Park, em vez de se limitar a ser apenas mais uma fase típica marítima, ousa ao misturar com as águas toda uma arquitetura e estética de Japão feudal, mas com ares de modernidade e um monte de robôs com espadas. É de encher os olhos e cativar a imaginação da galera.

Cada um dos mundos principais é dividido em uma estrutura de sete atos distintos, com um embate contra chefão de fase no ato final, que é o único sem colecionáveis para apanhar. Nos outros atos, Sonic precisa se dedicar não apenas a cumprir as fases no menor tempo possível, o que impacta diretamente a nota do seu rank no fim do nível, mas também a coletar cinco anéis vermelhos e tokens para comprar itens customizáveis, uma das principais novidades do remaster.

Pequenas, mas gratas novidades

Ao coletar os tokens espalhados em todos os atos do jogo, você pode usá-los como moeda corrente em troca de novas cores para as luvas, sapatos e até aura do herói, além de adquirir alguns mimos para deixar o perfil de jogo com a sua cara. A melhor adição, por mais fútil que pareça, foi a inclusão de vários avatares inspirados em franquias da SEGA, desde as conhecidas Shenmue e Crazy Taxi até a mais nichada Clockwork Knight, um dos jogos mais subestimados do Saturn.

Em Sonic Colors Ultimate, você pode trocar os seus tokens por novos itens cosméticosEm Sonic Colors: Ultimate, você pode trocar os seus tokens por novos itens cosméticos.Fonte:  Reprodução / Thomas Schulze 

A trilha sonora, que já era incrível na versão de Wii, também ganhou uma boa dose de remixes e releituras que ajudam a dar ainda mais variedade ao gameplay, elevando a qualidade de um material muito icônico. Por fim, o novo modo Rival Rush o coloca para competir contra o Metal Sonic em seis divertidos time trials em que a graça é tentar reduzir o seu tempo ao máximo.

Para algo chamado edição Ultimate (“definitiva” ou “final”, em tradução livre), dá para argumentar que não foram realizadas tantas adições e melhorias quanto era possível. Ao menos no que diz respeito a extras e modos de jogo, isso é verdade, mas esse problema é bem compensado com o novo suporte à resolução 4K e performance em 60 fps estáveis nos consoles de nova geração.

O Nintendo Switch acaba ficando para trás nesse departamento pela falta de poder de hardware, mas usufrui de todos os outros extras citados. Só vale a pena ficar atento porque alguns jogadores relataram sofrer com bugs especialmente nessa versão, embora a história seja controversa por natureza e já tenha sido provado que muitos dos que reclamaram estavam jogando em emuladores ou mesmo fabricando problemas para viralizar. Não é possível opinar sobre isso com propriedade porque jogamos no PS5, e o jogo não apresentou nenhum problema digno de nota, mas fica o alerta.

Vale a pena?

Sonic Colors: Ultimate reúne todos os elementos esperados de um grande jogo do maior mascote da SEGA, com fases em alta velocidade, bons incentivos para speedrunners, vários colecionáveis para coletar, um elenco de personagens muito carismáticos e trilha sonora inspiradíssima. Certamente é a melhor forma de revisitar esse jogo, especialmente graças ao suporte à resolução 4K e 60 fps estáveis, mas causa estranheza ver que as cenas em CG não foram modernizadas. Se você é fã do Sonic e não conhecia esse game, é uma compra mais do que recomendada.

Nota Voxel: 83

Sonic Colors: Ultimate é uma ótima forma de revisitar ou conhecer um dos melhores jogos do Sonic moderno.

Pontos Positivos
  • É um dos melhores jogos do Sonic moderno
  • Trilha sonora muito caprichada
  • Novos itens cosméticos para destrancar
  • Suporte a resolução 4K e 60 fps
Pontos Negativos
  • Relatos de bugs por parte dos jogadores
  • Faltou lapidar o visual das cutscenes
  • Controles podiam ser um pouco mais precisos