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Segurança

Falha no Chrome foi usada para distribuir 'Dante', um spyware italiano

Os alvos da campanha maliciosa eram, principalmente, universidades, instituições financeiras, meios de comunicação e outras organizações na Rússia.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule28/10/2025, às 20:00

updateAtualizado em 24/02/2026, às 08:39

Uma falha de dia zero no Google Chrome foi explorada em uma sofisticada campanha de espionagem online para distribuir o spyware comercial Dante, desenvolvido pela empresa italiana Memento Labs. A operação foi identificada pela Kaspersky, que divulgou os detalhes na última segunda-feira (27).

Registrada como CVE-2025-2783, a brecha permitia escapar do sandbox do navegador, ambiente seguro em que cada aba opera separadamente. Detectada em março, a vulnerabilidade acabou aproveitada em ataques direcionados a universidades, meios de comunicação, bancos, agências governamentais e outras organizações na Rússia.

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Exemplo de mensagem falsa disparada pelos autores da campanha maliciosa. (Imagem: Kaspersky/Reprodução)

Operação ForumTroll

Para chegar aos alvos, os autores usaram convites para fóruns online contendo links personalizados e de curta duração que, na verdade, direcionavam os destinatários para páginas fraudulentas. O código malicioso para explorar a falha no Chrome, que já foi corrigida, estava escondido nesses sites.

  • Se a vítima usasse o navegador do Google ou outro baseado em Chromium ao clicar no link do convite poderia ter seu dispositivo infectado automaticamente, mesmo sem nenhuma ação adicional;
  • As mensagens convidavam o alvo para se cadastrar no fórum de debates sobre ciência, economia e política Primakov Readings;
  • Devido ao método, incluindo o uso de emails de phishing, os pesquisadores apelidaram o ciberataque de “Operação ForumTroll”;
  • Conforme o relatório, o objetivo era implantar o spyware LeetAgent, que se conecta a um servidor remoto e recebe instruções via HTTPS para executar uma ampla lista de tarefas.

Quando instalado no dispositivo, o agente malicioso pode roubar arquivos armazenados, gravar as digitações no teclado e muito mais. Além disso, gera novas entradas no registro do Windows, se ocultando no sistema e dificultando a detecção.

A empresa de cibersegurança destaca que o software espião tem sido encontrado em ciberataques desde 2022, acontecendo principalmente contra indivíduos e organizações sediadas na Rússia e na Bielorússia. Não está claro se os autores são falantes nativos de russo.

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Embora a campanha tenha alvos específicos na Rússia, fica o alerta para  ter cuidado ao receber emails de desconhecidos. (Imagem: juststock/Getty Images)

Abrindo caminho para um spyware mais sofisticado

Os responsáveis pela descoberta também encontraram evidências de que, em alguns casos, a Operação ForumTroll funcionou como porta de entrada para o spyware Dante, que possui capacidades mais avançadas. Ele foi desenvolvido pela empresa fundada como Hacking Team, em 2003.

Alvo de um amplo vazamento de dados em 2015, a companhia foi vendida quatro anos depois, passando a ser chamada de Memento Labs. O Dante é uma versão avançada do antigo RCS Da Vinci, da mesma marca, contando com ferramentas para resistir às análises e apagar rastros de suas ações.

Como ressalta o The Hacker News, a Hacking Team possui histórico de vendas de recursos de vigilância para agências de aplicações da lei, governos e corporações, incluindo soluções para monitorar o navegador Tor.

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Perguntas Frequentes

O que é a falha de dia zero no Google Chrome mencionada no artigo?
A falha de dia zero no Google Chrome, registrada como CVE-2025-2783, permitia que atacantes escapassem do sandbox do navegador, um ambiente seguro onde cada aba opera separadamente. Essa vulnerabilidade foi explorada para distribuir o spyware Dante.
Quem desenvolveu o spyware Dante e qual foi seu propósito?
O spyware Dante foi desenvolvido pela empresa italiana Memento Labs. Ele foi utilizado em uma campanha de espionagem online sofisticada, visando principalmente universidades, instituições financeiras, meios de comunicação e outras organizações na Rússia.
Como os atacantes conseguiram infectar os dispositivos das vítimas?
Os atacantes enviaram convites para fóruns online com links personalizados e de curta duração que redirecionavam as vítimas para páginas fraudulentas. Se a vítima usasse o navegador do Google ou outro baseado em Chromium, o dispositivo poderia ser infectado automaticamente ao clicar no link.
Quais foram os principais alvos da campanha maliciosa?
Os principais alvos da campanha maliciosa foram universidades, instituições financeiras, meios de comunicação, agências governamentais e outras organizações localizadas na Rússia.
O que é a operação ForumTroll mencionada no texto?
A operação ForumTroll foi a estratégia utilizada pelos atacantes para atingir seus alvos. Eles enviaram convites para fóruns online que continham links maliciosos, levando as vítimas a páginas fraudulentas onde o código para explorar a falha no Chrome estava escondido.
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