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Segurança

Pesquisa revela que 1/3 dos brasileiros sofreu golpe virtual nos últimos 12 meses

Produtos com preços abaixo da média do mercado, golpes por ligações e pagamentos falsos estão entre as principais fraudes ocorridas no período.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule15/08/2025, às 15:45

updateAtualizado em 16/08/2025, às 09:57

Com os crimes patrimoniais migrando das ruas para a internet, um em cada três brasileiros foi vítima de golpes virtuais com prejuízo financeiro nos últimos 12 meses. Os dados estão em uma pesquisa encomendada pelo Instituto Brasileiro de Segurança Pública (IBSP), divulgada na quinta-feira (14).

De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Datafolha, o crime patrimonial vem mudando de configuração desde a pandemia de covid-19. Enquanto a quantidade de golpes por ligações e mensagens de texto, entre outras modalidades digitais, tem aumentado, os registros de roubos passaram a cair.

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O prejuízo com os golpes online chegou a quase R$ 112 bilhões no período. (Imagem: Getty Images)

Quais são os principais tipos de golpes?

As fraudes envolvendo compras em lojas online de origem suspeita e nas redes sociais com preços muito abaixo da média lideram a lista de golpes sofridos pelos brasileiros entre julho de 2024 e junho de 2025. Segundo o relatório, 28,8% dos entrevistados relataram terem sido vítimas dessas práticas.

  • Tentativas de golpe financeiro por apps de mensagens ou ligações, incluindo as as falsas centrais de atendimento, ficaram em segundo lugar, com 27,5%;
  • Logo abaixo aparecem os golpes envolvendo transferências, pagamentos via Pix ou boletos falsos, com contato recebido via app ou ligações (25,4%);
  • O roubo de dados seguido por chantagem, ameaças de violência e exigência de pagamento também teve um alto índice de relatos (19,1%);
  • Completando o top 5, aparecem as compras online em que os produtos não foram entregues (17,7%).

A pesquisa também revelou o envolvimento de facções criminosas associadas ao narcotráfico, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), com os golpes pela internet. Operações policiais desmantelaram centrais telefônicas falsas, operadas por esses grupos, envolvidas em fraudes bancárias com o uso de Pix, WhatsApp e cartões clonados.

Com a participação nas fraudes virtuais, as organizações movimentam e lavam o dinheiro obtido com o tráfico de drogas, segundo o levantamento. Além disso, os crimes nos ambientes digitais são mais difíceis de investigar, possibilitando ações a longo prazo.

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Boa parte dos golpes acontece por meio de mensagens e ligações no celular. (Imagem: Getty Images)

Vítimas selecionadas

Na modalidade de golpe que envolve chantagens e ameaças, as vítimas das classes A e B são a maioria, com 27,6%, enquanto representantes das classes C, D e E tiveram um percentual menor (16,4%). O mesmo padrão acontece nas fraudes com compras não entregues, sugerindo que os autores estão de olho nas vítimas com maior poder financeiro.

Embora as fraudes digitais já estejam superando os crimes que envolvem interação física, o levantamento aponta que 21,8% dos brasileiros foram vítimas de práticas presenciais como assalto ou roubo e sequestro relâmpago no período. Já o furto ou roubo do celular atingiu 9,3% da população.

A pesquisa “Vitimização e Percepção da Segurança Pública no Brasil” foi realizada entre os dias 2 e 6 de junho deste ano, com 2.007 pessoas de 130 cidades. A margem de erro é de dois pontos, para cima ou para baixo.

E você, já foi vítima de algum tipo de golpe pela internet? Conta pra gente, comentando nas redes sociais do TecMundo.

Perguntas Frequentes

Quantos brasileiros foram vítimas de golpes virtuais nos últimos 12 meses?
De acordo com a pesquisa encomendada pelo Instituto Brasileiro de Segurança Pública (IBSP) e realizada pelo Datafolha, um em cada três brasileiros sofreu algum tipo de golpe virtual com prejuízo financeiro entre julho de 2024 e junho de 2025.
Quais são os principais tipos de golpes virtuais identificados na pesquisa?
Os golpes mais comuns incluem: compras em lojas online suspeitas ou com preços muito abaixo da média (28,8%), tentativas de fraude por aplicativos de mensagens ou ligações (27,5%), transferências via Pix ou boletos falsos (25,4%), roubo de dados seguido de chantagem (19,1%) e compras online com produtos não entregues (17,7%).
Como os criminosos aplicam esses golpes virtuais?
As fraudes geralmente ocorrem por meio de ligações telefônicas, mensagens de texto ou aplicativos de mensagens. Em muitos casos, os golpistas se passam por centrais de atendimento falsas ou oferecem produtos com preços muito atrativos em redes sociais e sites suspeitos.
Qual foi o prejuízo financeiro estimado causado pelos golpes online?
O prejuízo total estimado com os golpes virtuais no período analisado chegou a quase R$ 112 bilhões, evidenciando o impacto econômico significativo dessas fraudes no Brasil.
Existe envolvimento de organizações criminosas nesses golpes?
Sim. Facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) estão envolvidas em fraudes virtuais. Elas operam centrais telefônicas falsas e utilizam os lucros obtidos para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Quem são as principais vítimas dos golpes com chantagem e ameaças?
As vítimas mais frequentes desse tipo de golpe pertencem às classes sociais A e B, com 27,6% dos casos, enquanto nas classes C, D e E o índice foi de 16,4%. Isso sugere que os criminosos miram pessoas com maior poder aquisitivo.
Os crimes virtuais estão substituindo os crimes presenciais?
Sim. A pesquisa mostra que os crimes patrimoniais estão migrando das ruas para o ambiente digital. Enquanto os golpes virtuais aumentam, os registros de roubos presenciais estão em queda. Ainda assim, 21,8% dos brasileiros relataram ter sido vítimas de crimes físicos como assaltos e sequestros relâmpago.
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