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Segurança

MP pede prisão preventiva de suspeito de envolvimento no maior ataque hacker bancário do Brasil

Órgão alega riscos de fuga e destruição de provas; investigações seguem para encontrar outros envolvidos.

Avatar do(a) autor(a): Felipe Vitor Vidal Neri

schedule25/07/2025, às 12:00

updateAtualizado em 25/07/2025, às 12:21

Semanas após a prisão do homem que ajudou hackers a realizarem o maior ataque cibernético no sistema financeiro do Brasil, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou prisão preventiva do suspeito. João Nazareno Roque foi denunciado pelo crime de furto qualificado por meio de fraude eletrônica.

A medida serve como uma forma de garantir a ordem pública e econômica, sob alegação de proteção devido ao risco de fuga e destruição de provas. O homem de 48 anos atualmente cumpre prisão temporária e as investigações seguem em sigilo máximo.

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O órgão também entendeu que João Nazareno deveria ser investigado por associação criminosa, já que o suspeito atuou em conjunto com outros criminosos. Dessa forma, o Ministério Público deseja instaurar um inquérito adicional, também por conta da complexidade do caso.

Enquanto a prisão temporária tem período de 5 a 30 dias dependendo do crime, a prisão preventiva não tem prazo determinado e pode ficar em vigor até o julgamento do réu.

Ataque foi um golpe minucioso e planejado

João Nazareno Roque foi preso no último dia 04 de julho em sua própria casa na região de Taipas, na zona norte de São Paulo. Ele era funcionário de TI na própria C&M, empresa que prestava serviços do Pix para a BMP, principal afetada pelo golpe e que teve um prejuízo na casa dos R$ 500 milhões.

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João Nazareno Roque trocada de celular que mantinha contato com os hackers a cada 15 dias para não ser rastreado (Imagem: internet/reprodução)

O ex-funcionário teria vendido suas credenciais de acesso da empresa para os hackers, que entraram no sistema e desviaram o dinheiro. Roque teria cobrado R$ 5 mil para vender as informações de login, e mais de R$ 10 mil para criar um sistema que permitisse o desvio do dinheiro.

  • A invasão ao sistema da C&M começou entre domingo (29) e segunda (30) de junho, quando um executivo foi avisado sobre movimentações estranhas;
  • Em pouco tempo, os criminosos furtaram milhões de reais, não somente da BMP, mas de pelo menos outras seis companhias;
  • Um dos delegados que investiga o caso, afirma que novas empresas procuram as autoridades para reportar o prejuízo, que somado pode ultrapassar R$ 1 bilhão;
  • Em um relatório da ZenoX enviado ao TecMundo, a empresa indica que o golpe foi planejado por meses e utilizaram o Telegram para recrutar insiders.

As autoridades investigam o caso, mas ainda não encontraram os hackers que realmente acessaram o sistema da C&M. Há suspeitas que mais envolvidos de outras empresas também contribuíram para o ataque ao Pix.

Para mais informações sobre segurança e o ataque ao sistema financeiro do Brasil, fique de olho no site do TecMundo
 

Perguntas Frequentes

Quem é João Nazareno Roque e qual seu envolvimento no ataque hacker?
João Nazareno Roque é um ex-funcionário de TI da empresa C&M, que prestava serviços relacionados ao Pix para a BMP, principal afetada pelo ataque. Ele foi preso por vender suas credenciais de acesso aos hackers e por desenvolver um sistema que facilitou o desvio de dinheiro. Em troca, teria recebido R$ 5 mil pelas credenciais e mais de R$ 10 mil pelo sistema.
Por que o Ministério Público pediu a prisão preventiva de João Nazareno?
O Ministério Público de São Paulo solicitou a prisão preventiva de João Nazareno para garantir a ordem pública e econômica, alegando risco de fuga e destruição de provas. A prisão preventiva não tem prazo determinado e pode durar até o julgamento do réu, ao contrário da prisão temporária, que tem duração limitada.
Qual foi a dimensão do ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro?
O ataque é considerado o maior da história do sistema financeiro brasileiro, com prejuízos estimados inicialmente em R$ 500 milhões apenas para a BMP. No entanto, outras seis empresas também foram afetadas, e o prejuízo total pode ultrapassar R$ 1 bilhão, segundo autoridades.
Como o ataque foi realizado e qual foi o papel da C&M?
O ataque começou entre os dias 29 e 30 de junho, quando movimentações suspeitas foram detectadas. A C&M, empresa onde João Nazareno trabalhava, teve seu sistema invadido após o fornecimento de credenciais por parte do ex-funcionário. A partir disso, os hackers desviaram grandes quantias de dinheiro utilizando o sistema Pix.
O que é o Pix e por que ele foi alvo do ataque?
O Pix é um sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil. Ele permite transferências rápidas e gratuitas entre contas bancárias. Por sua agilidade e ampla adoção, tornou-se um alvo atrativo para criminosos cibernéticos, como no caso do ataque à C&M.
Há outros suspeitos ou envolvidos sendo investigados?
Sim. As investigações seguem em sigilo e buscam identificar outros envolvidos, incluindo os hackers que acessaram o sistema da C&M e possíveis cúmplices de outras empresas. O Ministério Público também quer abrir um inquérito adicional por associação criminosa, dada a complexidade do caso.
Como os hackers evitaram ser rastreados durante o ataque?
João Nazareno trocava de celular a cada 15 dias para manter contato com os hackers, dificultando o rastreamento pelas autoridades. Além disso, o Telegram foi utilizado como meio de comunicação e recrutamento de insiders, segundo relatório da empresa ZenoX.
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