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Segurança

Pix de R$ 18 milhões na madrugada: bastidores do maior roubo da história do sistema financeiro brasileiro

Reportagem revela que invasão foi registrada rápido pela BMP, mas "limpou" contas com transferências em poucos minutos.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule03/07/2025, às 09:45

updateAtualizado em 18/07/2025, às 10:21

Aos poucos, surgem novas informações sobre o roubo de até R$ 1 bilhão que envolveu uma empresa prestadora de serviços de tecnologia para várias instituições financeiras brasileiras e ligada ao Banco Central do Brasil. Os relatos mais recentes trazem detalhes sobre como o ataque teve início e de que forma as companhias afetadas foram avisadas.

O Brazil Journal conversou com fontes que incluem o fundador da BMP, Carlos Eduardo Benitez, para saber como a invasão foi registrada e quais as consequências imediatas do crime. O caso ainda tem várias pontas soltas e a maior parte do dinheiro ainda não foi recuperado, mas agora já é possível saber ao menos como se deu a invasão.

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Como começou o ciberataque financeiro

  • A operação começou ainda na madrugada da segunda-feira (30). Por volta das 4 horas da manhã, um executivo da BMP foi avisado por telefone sobre uma movimentação atípica: R$ 18 milhões foram transferidos de uma só vez via Pix de uma conta da empresa para um banco;
  • Já no escritório, ele contatou a C&M, prestadora de serviços de tecnologia para essa e outras instituições financeiras, e percebeu que havia mesmo algo errado com as operações;
  • Em "questão de minutos", outras transferências de alto valor via Pix foram realizadas da conta da BMP, que foi uma das companhias mais afetadas no ataque e teve prejuízo de R$ 400 milhões;
  • Os invasores encontraram brechas no sistema de "mensagem" da C&M com as fintechs clientes para acessar as contas das instituições e realizar as transferências enquanto passavam despercebidos por mecanismos de segurança;
  • Ao menos seis instituições tiveram "acesso não autorizado às contas reserva", que são mantidas pelas empresas sem ter relação com o dinheiro dos clientes. As estimativas mais atuais falam em prejuízo de R$ 800 milhões, mas esse valor pode chegar a até R$ 1 bilhão;
  • Praticamente ao mesmo tempo, a SmartPay também detectou uma atividade suspeita que depois foi revelada como parte do ataque: um aumento repentino em compras de alto valor da stablecoin USDT, baseada no dólar dos Estados Unidos, e na bitcoin;
  • Essas criptomoedas foram usadas para ajudar a esconder o dinheiro roubado e diluir a quantia em múltiplas contas e moedas. A SmartPay diz que conseguiu congelar "grandes somas" movimentadas e devolver o valor às companhias;

Quem foi invadido na operação?

Os sistemas da BMP e do Banco Central não foram invadidos e permanecem seguros. Segundo a avaliação feita pelo caso até o momento, o problema estava na própria C&M, que atua como intermediária no setor ao oferecer APIs e sistemas de acesso a funções de pagamento oficiais do Brasil, como Pix, e TED.

As "mensagerias", como são chamadas as empresas de comunicação como a C&M, já apresentaram vulnerabilidades antes, mas alguns dos casos teriam abafados e pouco divulgados. Em teoria, esse tipo de companhia deveria ter mecanismos mais robustos para impedir transações consideradas suspeitas, como movimentações de grandes somas e na madrugada.

Após suspender operações como o envio de Pix, a C&M voltou a atuar na quinta com aval do Banco Central na quinta-feira (3) após garantir que os sistemas estavam protegidos. Já a BMP recuperou ao menos R$ 130 milhões do dinheiro roubado, mas o valor roubado que segue em posse dos cibercriminosos é bastante significativo para a liquidez da empresa.

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Perguntas Frequentes

O que foi o roubo de R$ 1 bilhão envolvendo o sistema financeiro brasileiro?
Trata-se de um ciberataque que afetou uma empresa de tecnologia chamada C&M, prestadora de serviços para diversas instituições financeiras brasileiras. Os invasores exploraram vulnerabilidades nos sistemas da C&M para realizar transferências fraudulentas via Pix e outras operações, resultando em um prejuízo estimado entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão.
Como o ataque foi detectado inicialmente?
O ataque começou por volta das 4h da manhã de uma segunda-feira, quando um executivo da BMP foi alertado por telefone sobre uma movimentação atípica: uma transferência de R$ 18 milhões via Pix. Ao investigar, ele confirmou que havia algo errado e identificou outras transferências de alto valor sendo realizadas em sequência.
Quais sistemas foram invadidos durante o ataque?
Os sistemas da BMP e do Banco Central do Brasil não foram invadidos. A falha de segurança estava nos sistemas da C&M, que atua como intermediária oferecendo APIs e acesso a funções de pagamento como Pix e TED. A invasão ocorreu por meio de brechas no sistema de "mensageria" da empresa.
O que são "mensagerias" e qual o papel da C&M?
"Mensagerias" são empresas responsáveis por intermediar a comunicação entre instituições financeiras e sistemas de pagamento oficiais. A C&M, por exemplo, fornece APIs e infraestrutura para que fintechs e bancos acessem serviços como o Pix. No caso do ataque, os criminosos exploraram falhas nesse sistema para realizar transferências indevidas.
Como os criminosos esconderam o dinheiro roubado?
Parte do dinheiro foi convertida em criptomoedas como USDT (uma stablecoin atrelada ao dólar) e bitcoin. Essas moedas digitais foram utilizadas para diluir os valores em múltiplas contas e dificultar o rastreamento. A empresa SmartPay conseguiu detectar a movimentação suspeita e congelar grandes somas, devolvendo parte do valor às instituições afetadas.
Quais instituições foram afetadas pelo ataque?
Ao menos seis instituições financeiras tiveram acesso não autorizado às suas contas reserva, que são contas mantidas pelas empresas e não envolvem diretamente o dinheiro dos clientes. A BMP foi uma das mais prejudicadas, com perdas de cerca de R$ 400 milhões.
O sistema Pix foi comprometido?
Não. O sistema Pix em si, operado pelo Banco Central, permaneceu seguro. O problema ocorreu na infraestrutura da C&M, que fornece acesso ao Pix para outras empresas. A falha permitiu que os criminosos realizassem transferências via Pix sem serem detectados imediatamente.
O que foi feito após o ataque para conter os danos?
A C&M suspendeu temporariamente operações como o envio de Pix e só retomou suas atividades após garantir a segurança dos sistemas, com aval do Banco Central. A BMP conseguiu recuperar cerca de R$ 130 milhões, mas ainda enfrenta impacto significativo em sua liquidez devido ao valor que permanece em posse dos criminosos.
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