Para driblar censura, museus publicam obras com nudez no OnlyFans

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Alguns museus de Viena, capital da Áustria, começaram a publicar suas obras de artes que contêm nudez no OnlyFans, plataforma que se notabilizou recentemente pela venda de conteúdo adulto. Os organizadores enxergaram a ação como uma forma de protesto para “driblar” a censura imposta pelas redes sociais, que, em sua maioria, não permitem materiais considerados eróticos.

A Galeria Albertina foi uma das entidades que está publicando peças de arte no OnlyFans. Dedicada à preservação histórica de coleções de artes gráficas, o museu teve sua conta no TikTok banida recentemente por mostrar uma foto de um seio feminino, de um trabalho do fotógrafo japonês Nobuyoshi Araki.

A galeria já havia sofrido uma ação parecida em 2019, quando teve uma publicação apagada do Instagram. À época, a rede social disse que a postagem de uma pintura do artista Peter Paul Rubens violava as regras da comunidade, já que continha nudez.

Everett CollectionO artista Peter Paul Rubens tinha um estilo artístico que enfatizava aspectos como a cor e a sensualidade. Essa obra se chama “Daniel na cova dos leões”.

O próprio Conselho de Turismo de Viena criou uma conta no OnlyFans para divulgar obras que mostram nudez. “Viena é o lar de algumas das obras de arte mais famosas do mundo, muitas delas contendo nudez. As redes sociais mais proeminentes têm políticas em vigor que proíbem ou censuram essas obras. Com nossa conta OnlyFans, queremos dar a essas obras de arte a liberdade que elas merecem — inclusive nas redes sociais”, conforme a descrição da conta oficial.

O Leopold Museum é outra entidade austríaca que sofreu com a censura. Um vídeo gravado pelo museu mostrando a pintura chamada Liebespaar, do artista austríaco Koloman Moser, foi marcado pelo Facebook e Instagram como “potencialmente pornográfico”.

E o “problema” das redes sociais com obras é generalizado. Até mesmo uma foto da estatueta de Vênus de Willendorf já foi banida do Facebook. O objeto histórico com data de meados de 25 mil anos a.C. foi censurado da página do Museu de História Natural, pelo Facebook, em 2018. No ano anterior, uma usuária já tinha tido uma foto da mesma escultura apagada da plataforma.

OnlyFans como solução

Helena Hartlauer, porta-voz do Conselho de Turismo de Viena, disse ao The Guardian que as instituições culturais da cidade estão lidando com uma dificuldade tremenda para utilizar peças com nudez em materiais promocionais.

“Claro que podemos trabalhar sem elas, mas essas obras são cruciais e importantes para Viena — quando você pensa no autorretrato de Schiele de 1910, é uma das obras mais icônicas. As obras não poderem ser usadas em ferramentas de comunicação tão fortes quanto as mídias sociais é injusto e frustrante. É por isso que pensamos [no OnlyFans]: finalmente, uma maneira de mostrar essas coisas”, Hartlauer declarou.

Como para ter acesso ao conteúdo do OnlyFans é exigida uma assinatura, o Conselho de Turismo de Viena decidiu recompensar os assinantes com um ingresso para visitar e aproveitar as obras pessoalmente.

OnlyFans

Hartlauer disse que além de uma forma de disseminar a cultura, a conta no OnlyFans serve como um protesto para que a comunidade pense sobre os padrões de censura aos quais os artistas estão trabalhando, já que eles não podem expor praticamente nada com nudez nas principais redes sociais.