Mais cedo, nesta sexta-feira (23), publicamos aqui uma matéria em que atribuímos a um tuíte de Kylie Jenner à queda de quase 7% nas ações do Snapchat. Bem, a história não foi bem assim e o Mashable ajudou a compreender melhor que o cenário no mercado já apontava para isso. A postagem da celebridade pode ter contribuído, mas deve ser considerada muito mais uma coincidência do que exatamente a grande catalisadora.

Dois dias antes da queda nas ações, o Snapchat havia exposto riscos de negócio junto à Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos

Vamos aos fatos. Depois de registrar alta de receita e seguidores em 2017, o CEO do Snapchat, Evan Spiegel, disse que sua equipe estava pronta para seguir com os planos de revisão da plataforma — o público mais velho tem dificuldades em compreender sua interface. "Nosso trabalho em 2017 é uma prova de que não temos medo de fazer grandes mudanças para alcançar o sucesso a longo prazo. Redesenhamos o aplicativo, fizemos a transição do negócio Snap Ad para o modelo de leilão modelo e realizamos alterações na equipe para melhorar a produtividade e a colaboração.”

Essa declaração foi dada no início do mês e muitos usuários desaprovam as novas medidas, como mostra a petição online com mais de 1,2 milhão de assinaturas. Desde então, as ações vem caindo e, segundo o Bloomberg, o redesenho do app realmente vem sendo o grande vilão nessa história. A partir daí, vários analistas e youtubers passaram a criticar a direção imposta por Spiegel.

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Na terça-feira (20), a companhia apresentou seu relatório anual junto à Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos, em que relata os riscos que enfrenta como um negócio. O texto destaca a dependência da infraestrutura da nuvem da Google, a dura concorrência com o Facebook/Instagram e o fato de não ter uma sede central — ter escritórios espalhados por Los Angeles e outros lugares seria um fator desagregador para todos os funcionários. Isso também pode ter afetado a confiança dos investidores.

E isso tudo nos leva à Kylie Jenner, que, claro, também tem influência sobre seus mais de 24 milhões de fãs no Twitter — sem contar outras mídias sociais. Seus 88 caracteres contribuíram para que o valor de mercado do Snapchat caísse US$ 1,3 bilhão. Entretanto, como podemos ver, ela não fez isso sozinha. Kylie simplesmente colocou mais lenha em uma fogueira que vem sendo alimentada desde o começo do mês, quando foi anunciado o “reboot” da rede de mensagens efêmeras.

Se serve de consolo, pelo menos Siegel pôde comemorar um coisa em fevereiro: segundo Rich Greenfield, analista da firma BTIG, o número de usuários ativos mensais subiu 4% nos Estados Unidos e 5% em todo mundo entre o terceiro e o quarto trimestre do calendário financeiro de 2017.