A Google pode, em breve, ter que enfrentar mais uma longa e maçante batalha nos tribunais antitruste europeus. Isso porque algumas gigantes do mundo da tecnologia, como Microsoft, Nokia e Oracle, firmaram um protesto em conjunto contra a companhia, o seu sistema operacional e os seus respectivos aplicativos móveis.

Segundo a reclamação formalizada pelas empresas, a Google estaria utilizando o Android para obter vantagens enganosas e injustas para os seus programas móveis em mais de 70% do mercado mundial de smartphones – a fatia de mercado, segundo eles, que é ocupada pelo SO da empresa.

Um exemplo citado pelas empresas protestantes seria o fato de que as fabricantes de celulares que optam por utilizar o Android devem aceitar, em contrato, que alguns aplicativos da companhia, como o YouTube e o Gmail, fiquem posicionados em lugares de destaque na homescreen dos novos aparelhos.

Mais um problema

Como o protesto foi formalizado pelas companhias junto à Comissão Antitruste da União Europeia, eles agora devem aprofundar as investigações sobre o assunto e decidir se a denúncia procede e se o caso deve continuar a ser estudado ou não.

Além disso, o chefe do departamento, Joaquín Almunia, se recusou a comentar o assunto quando foi perguntado pelo New York Times. Ele, contudo citou que alguns oficiais estão examinando meticulosamente o sistema Android independente do outro processo antitruste envolvendo a companhia na Europa – o que investiga se a empresa abusa da sua dominância no mercado de buscas na internet.

O processo, que corre desde 2010, pode estar já em fase final. De acordo com o próprio Almunia, a Google fez algumas propostas para a Comissão, tudo para esclarecer os problemas e botar um ponto final na questão.

Segundo o diretor, a esperança é a de que a companhia surja com alguma ideia que torne mais fácil aos usuários reconhecer e identificar quando a Google está promovendo e oferecendo os seus serviços ou simplesmente mostrando os resultados mais pontuais para uma determinada pesquisa.

De acordo com Al Verney, um porta-voz que trata do assunto, a Google “quer e continuará trabalhando de forma cooperativa com a Comissão Antitruste da União Europeia”. Já Joaquín Almunia fez questão de deixar bem claro que os dois assuntos – os resultados de busca e a utilização do Android – serão tratados pela UE de forma separada.

Microsoft já sentiu na pele

A Microsoft, uma das companhias que participaram da formalização da reclamação contra a Google e o Android, já sabe muito bem como a União Europeia pode ser dura em casos de antitruste e promoção de aplicativos em sistemas operacionais. A empresa foi multada algumas vezes pela comissão, como em 2004, por anexar o Windows Media Player ao Windows, algo que representava um verdadeiro monopólio do programa dentro do SO.

A empresa também já respondeu diversas reclamações semelhantes sobre o navegador-padrão do SO e recebeu uma multa de € 860 milhões por não passar as informações necessárias para que a concorrência pudesse desenvolver plataformas capazes de concorrer com seus sistemas operacionais

Google também é investigada na França

Voltando à Google, na semana passada, a companhia foi denunciada por outro estudo europeu. O instituto CNIL (especializado em direitos digitais e defesa dos direitos humanos nos meios eletrônicos) denunciou que a empresa falha em responder aos apelos para modificar as políticas endereçadas aos consumidores em diversos países, como França, Itália, Alemanha, Holanda, Reino Unido e Espanha.

Pelo visto, além do lançamento do Google Glass e da suposta compra do WhatsApp, a gigante de Mountain View ainda vai ter muitas dores de cabeça diferentes para se preocupar nos próximos meses.

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