A briga entre a NVIDIA e a AMD não é uma novidade para ninguém. As duas principais (e praticamente únicas) fabricantes de processadores gráficos disputam essa batalha há muito tempo, e quase todos os anos os mesmos capítulos se repetem.

Porém, uma batalha específica tem chamado nossa atenção por causa do impacto que o resultado dela por causar no futuro dos games. A disputa em questão envolve duas tecnologias distintas, mas que estão atuando para ver quem vai oferecer a experiência definitiva para os jogadores nos próximos anos. Nesta matéria, a pergunta que vamos responder é a seguinte: AMD FreeSync ou NVIDIA G-Sync, qual vai dominar os monitores no futuro?

G-Sync ou FreeSync: qual vai prevalecer?

Taxa de atualização: a causa do problema

Antes de começarmos a discussão sobre qual das duas tecnologias é a melhor e vai prevalecer no mercado de games, é importante entender qual foi o problema que ambas vieram para tentar resolver. Tudo se resume a um único aspecto: a taxa de atualização dos monitores.

Já que esse indicador nos dispositivos geralmente é um valor fixo (60 Hz, por exemplo), há um “desentendimento” com as placas de vídeo que não renderizam imagens com uma frequência estática. Quando não está habilitada para resolver o problema (“V-Sync Off”), é possível que a GPU envie o seu “produto” (imagem renderizada) no meio de um ciclo de atualização do monitor, o que pode acabar gerando aquelas famosas linhas horizontais quebradas, efeito comumente chamado de “screen tearing”.

Exemplo do efeito "screen tearing".

V-Sync: a solução “furada”

Quando a placa de vídeo está habilitada para lidar com esse problema – ou seja, quando o V-Sync (ou Vertical-Sync) está ligado –, o envio das imagens é propositalmente atrasado até que um ciclo de atualização do monitor se complete. Dessa forma, não são exibidas duas “cenas diferentes”, eliminando totalmente a quebra existente entre elas.

O V-Sync, no entanto, por causa do seu próprio método de funcionamento, pode ocasionar a famosa “travadinha” (também conhecida pelo termo “shuttering”) durante a jogatina. Essa latência e as interrupções indesejáveis ainda acontecem porque a GPU e o “refresh” do monitor não estão trabalhando na mesma taxa de atualização.

Adaptive V-Sync

Adaptive V-Sync: a solução “temporária”

Para lidar com esse impasse, a NVIDIA resolveu criar uma tecnologia que conseguisse oferecer uma solução para quando a taxa de atualização estivesse muito alta (o que causa o “screen tearing”) e para quando ela estivesse baixa (o que ocasiona os travamentos). O Adaptive V-Sync tem um funcionamento simples e trabalha ligando e desligando o V-Sync dependendo da situação.

NVIDIA G-Sync: a solução “definitiva”

Apesar de o Adaptive V-Sync funcionar satisfatoriamente na maioria dos casos, ele ainda não se mostrava a solução definitiva para o problema. A explicação para isso é evidente: apesar de funcional, a tecnologia é baseada no V-Sync, algo que apenas “contornou” a situação apresentada pela diferença na taxa de atualização existente entre os monitores e as placas de vídeo.

NVIDIA G-Sync

Parecia claro que o correto seria mexer na frequência apresentada pelos monitores, e foi exatamente isso que a NVIDIA propôs com o G-Sync e o módulo a ser instalado nesses equipamentos. A tecnologia simplesmente sincroniza o dispositivo de acordo com a saída da GPU – e não o contrário. Invertendo essa situação, o refresh do monitor e a taxa de renderização de imagens finalmente se conectam, ou seja, as cenas são exibidas tão logo elas sejam processadas pela placa de vídeo.

AMD FreeSync: a solução “barata”

Por ser uma solução que envolve um módulo instalado no próprio dispositivo (e muita tecnologia, é claro), era esperado que o G-Sync da NVIDIA não fosse uma implementação barata – e não é. Para entrar na briga, a AMD resolveu criar o seu próprio método para emparelhar a taxa de atualização dos monitores de acordo com o que é produzido pelas GPUs.

AMD FreeSync

Batizada de FreeSync, essa solução pretende entregar exatamente o mesmo resultado do G-Sync, porém de uma forma um pouco diferente. O princípio básico dessa tecnologia é permitir que as taxas de atualização dos monitores também passem a ser variáveis, mas controladas pela placa de vídeo.

Baseada na conexão DisplayPort, a AMD pretende fazer com que as especificações mais recentes desse padrão (atualmente na versão 1.2a) passem a incluir o DisplayPort Adaptive-Sync. Esse é o recurso que vai permitir que o refresh do monitor varie de acordo com o que é produzido pela GPU (por exemplo, entre 144 e 30 Hz).

DisplayPort

Diferenciais do G-Sync

O principal diferencial do G-Sync é o fato de a empresa por trás dessa tecnologia ter sido a primeira a abraçar (e com muita força) a missão de resolver o problema dos gamers. Com uma solução inteligente e funcional, a NVIDIA mostrou que o “shuttering” e o “screen tearing” não precisam fazer parte de nossas vidas.

Outro ponto positivo para a NVIDIA é a grande adoção dessa tecnologia por parte das fabricantes de monitores. Empresas como ASUS, BenQ, Philips e ViewSonic demonstraram muito interesse nessa solução e já entregaram os primeiro produtos equipados com o módulo G-Sync.

Durante a CES 2014, nós tivemos a oportunidade de experimentar um dos primeiros monitores equipados com essa solução. Alguns meses depois, pudemos testar um dispositivo integrado com essa tecnologia: o Philips Brilliance 272G.

Compatibilidade do G-Sync

De acordo com informações do próprio site da NVIDIA, as seguintes placas terão suporte ao módulo G-Sync presente nos novos monitores:

  • GeForce GTX 650 Ti BOOST
  • GeForce GTX 660
  • GeForce GTX 660 Ti
  • GeForce GTX 670
  • GeForce GTX 680
  • GeForce GTX 690
  • GeForce GTX 745 (OEM)
  • GeForce GTX 750
  • GeForce GTX 750 Ti
  • GeForce GTX 760
  • GeForce GTX 770
  • GeForce GTX 780
  • GeForce GTX 780 Ti
  • GeForce GTX TITAN
  • GeForce GTX TITAN Black
  • GeForce GTX TITAN Z
  • GeForce GTX 970
  • GeForce GTX 980

Exemplares disponíveis com G-Sync

Hoje, ainda não há muitas opções de monitores que podem ser encontrados com o G-Sync habilitado. Porém, bons exemplos desses produtos são o próprio ROG Swift PG278Q, modelo que foi testado durante a CES do ano passado, e o Philips Brilliance 272G, analisado pelo TecMundo. A BenQ deve ser a próxima a trazer um dispositivo com o módulo da NVIDIA instalado.

  • ASUS – modelo: ROG Swift PG278Q – 27 polegadas, 2560x1440 pixels (QHD) e 144 HZ
  • Philips – modelo: 272G5DYEB – 27 polegadas, 1920x1080 pixels (Full HD) e 144 HZ

Monitores com G-Sync habilitado.

Diferenciais do FreeSync

O principal diferencial do FreeSync fica por conta da “boa intenção” por trás da AMD em desenvolver essa solução para o público gamer. Apoiando-se em padrões da indústria, a tendência é que essa tecnologia não tenha um custo tão alto quando comparado ao do G-Sync. Porém, se engana quem pensa que ela será “barata” para todos.

Ainda que não seja necessário instalar um módulo no monitor, a especificação DisplayPort vai ter que ser adaptada para suportar a execução do FreeSync. Isso implica dizer que a adoção desse método vai depender muito do esforço conjunto das fabricantes de hardware que produzem esse tipo de dispositivo.

FreeSync

Outro diferencial que poderia se destacar no FreeSync seria o fato de a NVIDIA ter mencionado que vai oferecer suporte à tecnologia da concorrente. Porém, essa informação acabou sendo desmentida posteriormente por um porta-voz da NVIDIA.

Compatibilidade do FreeSync

A lista de compatibilidade do FreeSync é um pouco mais modesta, contemplando apenas placas de vídeo um pouco mais modernas e deixando de lado, inclusive, modelos remarcados como a AMD Radeon R9 280X (versão modificada da Radeon HD 7970). Entretanto, a companhia afirma que todos os exemplares pertencentes as séries HD 7000, HD 8000, R7 e R9 vão ter vantagens nos campos de playback de vídeo e economia de energia.

  • AMD Radeon R7 260
  • AMD Radeon R7 260X
  • AMD Radeon R9 285
  • AMD Radeon R9 290
  • AMD Radeon R9 290X
  • AMD Radeon R9 295X2

Exemplares disponíveis com o FreeSync

Ainda sem modelos disponíveis à venda, o FreeSync só pode ser experimentado em estandes preparados pela própria AMD. Porém, isso não significa que exemplares com essa tecnologia não estejam às portas do mercado. É bem provável que até o fim do primeiro semestre já tenhamos alguns dos seguintes modelos disponíveis:

  • BenQ – modelo: XL2730Z – 27 polegadas, 2560x1440 pixels (QHD) e 144 HZ
  • LG – modelo: 29UM67 – 29 polegadas, 2560x1080 pixels e 75 Hz
  • LG – modelo: 34UM67 – 34 polegadas, 2560x1080 pixels e 75 Hz
  • Nixeus – modelo: NX-VUE24 – 24 polegadas, 1920x1080 pixels (Full HD) e 144 Hz
  • Samsung – modelo: UE590 – 23,6 e 28 polegadas, 3840x2160 pixels (UHD) e 60 Hz
  • Samsung – modelo: UE850 – 23,6, 28 e 31,5 polegadas, 3840x2160 pixels (UHD) e 60 Hz
  • ViewSonic – modelo: VX2701mh – 27 polegadas, 1920x1080 pixels (Full HD) e 144 Hz

Monitores com FreeSync habilitado.

Veredicto: qual é a melhor?

A resposta já é esperada por alguns e provavelmente não vai agradar a todos: infelizmente ainda é impossível dizer qual das tecnologias vai se sobressair em relação à outra. Ambas aparentam ter bastante potencial e realmente conseguem lidar com o problema do “shuttering” (travamento) e o “screen tearing” (tela quebrada).

Porém, ainda é escassa a quantidade de dispositivos equipados com essas soluções, o que favorece o posicionamento imparcial adotado por vários analistas. Portanto, é preciso “dar tempo ao tempo” e ver qual delas vai permanecer firme e proporcionar bons momentos de jogatina para todos os gamers.  

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