AMD e NVIDIA compõem o topo (e quase a totalidade) do mercado de processadores gráficos disponíveis para computadores. Disputando os consumidores de todo mundo, as companhias não medem esforços para anunciarem tecnologias cada vez mais poderosas para os apaixonados por games. Mas como será que funciona essa guerra entre elas?

Nós trouxemos diversas informações bem interessantes para mostrar como é a dinâmica das disputas entre as duas empresas. Vale dizer que o principal ponto a ser discutido não está nos números que cada uma consegue em seus relatórios fiscais, mas no que existe por trás disso.

De onde surgiram

As duas gigantes do mercado de GPUs possuem trajetórias muito interessantes e certamente não chegaram ao topo por acaso. Entre o início da história e a produção de placas de vídeo capazes de reproduzir jogos de altíssima qualidade com os detalhes cada vez mais próximos da realidade, existe muito esforço por parte das fabricantes. E é claro... Muitas disputas acirradas todos os anos.

A NVIDIA surgiu no mercado em 1993, sendo responsável pela produção de semicondutores utilizados em diversos equipamentos eletrônicos. Com você já deve saber, o foco principal da empresa está nos chips gráficos (GPU) utilizados em computadores e video games, além de processadores centrais (CPU) com arquitetura ARM que são utilizados em smartphones e tablets — como a família Tegra.

Do outro lado, temos a AMD, que trabalha com processadores desde 1969, mas que só começou a atuar fortemente no mercado de chips gráficos quando comprou a ATI, em 2006. Em 2010, o nome “ATI” foi extinto e as placas gráficas e GPUs fabricadas pela companhia passaram a levar o nome da própria AMD. Foi a partir daí que a guerra entre as duas alcançou patamares antes não imaginados.

Oligopólio consumado

Hoje, as duas empresas estão bem estabelecidas no mercado e sendo as “queridinhas” dos gamers de todo o mundo. É difícil imaginar uma concorrente para elas surgindo nos próximos anos e é justamente por isso que elas dependem tanto uma da outra. Disputando cada centímetro do segmento, elas não podem nem sonhar com a falência da rival, pois isso resultaria em monopólio! E isso não é nada legal para o mundo coorporativo.

Com o oligopólio estabelecido, as duas possuem um ambiente relativamente confortável para investirem em novas tecnologias e novas formas de melhorar a experiência de usuário para os consumidores. É claro que isso resulta em algumas formas de batalha menos sadias — como veremos mais à frente —, mas quem ganha com tudo isso são os próprios consumidores.

Só existem as duas?

Em resumo, é possível dizer que AMD e NVIDIA dominam um mercado de gamers exigentes. A Intel oferece chips integrados às CPUs para quem não quer gastar US$ 200 ou mais para conseguir utilizar seus computadores — lembrando, é claro, que a qualidade de imagens mostradas não é tão alta, mas permite a reprodução de vídeos e jogos mais leves, com menos detalhes.

Longe dos computadores ainda existem diversas outras fabricantes que criam processadores gráficos para smartphones e tablets. Mas é difícil — repetindo — que encontremos alguma rival ameaçadora para as duas fabricantes em um futuro próximo. Ou seja: se pensarmos em chips gráficos de alto desempenho para computadores, realmente “só existem as duas”.

A “Guerra Fria” das GPUs

Em um período que foi de 1945 a 1991, o mundo foi dividido entre o bloco comunista aliado à União Soviética e o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos. Essas duas empresas duelavam no mundo inteiro, abastecendo países subdesenvolvidos com armas e ideologias, mas nunca se envolveram direta e declaradamente nos conflitos. Esse período é chamado de Guerra Fria, como você pode se lembrar das aulas de História.

Nesse período, as duas nações tentavam angariar novos países para seus domínios ideológicos, ao mesmo tempo em que sabiam que não poderiam atacar diretamente o rival — pois uma potência não prosperaria sem sua antítese. Se trocarmos algumas palavras nessa história, podemos explicar exatamente como funciona a “Guerra Fria” entre as duas empresas citadas neste artigo.

AMD e NVIDIA lutam pelo mercado em diversos campos. Elas tentam arrecadar novas empresas parceiras (como se fossem países) para conseguirem contratos que tornem sua influência maior sobre os consumidores (cidadão). Um exemplo bem interessante disso tudo está nas criações de games otimizados. Vamos explicar isso agora mesmo.

Jogos otimizados: parceria ou “pilantragem”?

As fabricantes de GPUs investem grandes quantias de dinheiro para criar e manter parcerias com as desenvolvedoras de games. É dessa forma que surgem títulos otimizados para uma série de placas de vídeo, por exemplo. Eles podem rodar com mais qualidade em um chip da NVIDIA que teria a mesma configuração de outro da AMD — mas este tendo menos desempenho — ou vice-versa.

Há uma grande quantidade de jogos que são vendidos desta forma para os dois lados da discussão. Mas é preciso citar também uma acusação que a AMD direcionou aos executivos da rival. Segundo a fabricante, a NVIDIA estaria utilizando artifícios pouco honestos em um programa criado para estreitar relações entre ela e desenvolvedores independentes.

Richard Huddy (AMD) disse ao MaximumPC que o programa — chamado de GameWorks — forçaria estes desenvolvedores a utilizar linhas de código que não apenas otimizam o desempenho das placas com GPU da NVIDIA, mas que podam recursos disponíveis nos chips da AMD. A NVIDIA não rebateu as acusações, mas disse que a concorrente deveria perder menos tempo brigando.

Para o Kotaku, um porta-voz da NVIDIA foi bem enfático: “Se a AMD perdesse tanto tempo trabalhando nos drivers e realmente fazendo investimentos nos jogos quanto eles perdem falando sobre nós, talvez eles pudessem fazer com que com os consumidores não ficassem presos em experiências abaixo do esperado em jogos de última geração [referindo-se ao game WatchDogs, que originou toda a discussão].”.

E no mundo dos consoles?

Na atual geração de video games, a AMD está completamente dominante. Os chips gráficos fabricados por ela estão no Wii U da Nintendo, no Xbox One da Microsoft e no PlayStation 4 da Sony. Isso significa que os jogos produzidos com parcerias entre desenvolvedoras e a NVIDIA vão chegar aos consoles com menos qualidade do que deveriam?

Felizmente não! As acusações da AMD são apenas relacionadas ao programa GameWorks, que é totalmente voltado aos títulos produzidos para computadores. Mesmo assim, é importante ficarmos atentos aos próximos passos dessa guerra entre as duas maiores fabricantes de GPUs do mundo.

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Você já acompanha a disputa entre as duas fabricantes há bastante tempo? Se sim, você consegue imaginar um mundo em que essas concorrências não existam? É bom ficar de olho para saber os próximos passos de cada uma delas no mercado!

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