Uber está encerrando sua operação de testes com carros autônomos no estado americano do Arizona, após um acidente envolvendo um dos automóveis da empresa resultar na morte de uma mulher na cidade de Tempe. Por enquanto, a companhia pretende voltar a realizar os testes em outros locais, após a investigação do caso ser concluída.

Doug Ducey, governador do Arizona, já havia anunciado uma suspensão por tempo indeterminado dos carros autônomos da Uber no estado. O governador também foi alvo de críticas por ter permitido que a empresa começasse a realizar testes em vias públicas sem antes avisar a população. Todos os 300 motoristas que operavam os carros autônomos na região foram dispensados.

Em uma declaração enviada à imprensa, a Uber disse que continua comprometida com a tecnologia de direção autônoma e espera retornar às vias pública em breve. O acidente está sendo investigado pela National Transportation Safety Board, organização do governo dos Estados Unidos responsável por averiguar os acidentes envolvendo transportes civis.

Uber diminuiu número de sensores em veículos

Uma investigação feita pela agência de notícias Reuters mostrou que a Uber diminuiu o número de sensores presentes nos carros para começar a realizar os testes em menos tempo. Enquanto os primeiros carros da empresa tinham sete sensores Lidar, os automóveis mais recentes tinham apenas um.

Funcionários da Uber e um especialista ouvido pela reportagem concordaram que a mudança criou um ponto cego no sistema que poderia dificultar a detecção de pedestres. A presidente da empresa responsável pelos sensores também negou ter culpa no caso, dando a entender que o possível problema teria sido causado pelo software da Uber.

O diretor executivo da Waymo comentou a situação, afirmando que os carros da companhia dele, que é irmã do Google, seriam capazes de evitar o acidente. O empresário criticou o modelo de direção autônoma utilizado por Uber e Tesla. Segundo ele, testes realizados pela Waymo mostram que é difícil exigir atenção do motorista quando ele pode não precisar fazer nada por horas seguidas e ser inesperadamente chamado para tomar uma decisão rápida. O ideal seria tentar avançar logo para carros completamente autônomos, que não exigem nenhuma intervenção humana.