A investigação do governo dos Estados Unidos sobre o acidente fatal envolvendo um veículo autônomo da Uber ainda está em curso, mas novas informações sobre o caso continuam surgindo. Uma investigação da agência de notícias Reuters mostrou que a empresa reduziu de forma significativa a quantidade de sensores presentes em seus carros antes do acidente acontecer.

De acordo com entrevistas feitas com funcionários da empresa, a pressa da Uber em iniciar os testes com os veículos em vias públicas teria sido a responsável pelos cortes feitos durante a transição entre os protótipos de Ford Fusion que eram utilizados anteriormente e os modelos adaptados do Volvo XC90s que foram às ruas. Enquanto os primeiros tinham sete sensores Lidar espalhados pelo carro, os que estavam sendo testados até semana passada têm apenas um.

Funcionários e especialista dizem que a mudança criou um ponto cego nos sensores dos carros, o que poderia dificultar a detecção de pedestres.

Tanto os funcionários da Uber como o professor Raj Rajkumar, especialista em transporte da Universidade Carnegie Mellon, concordam que a mudança criou um ponto cego nos sensores dos carros, o que poderia dificultar a detecção de pedestres. As concorrentes Waymo e General Motors, por exemplo, utilizam respectivamente seis e cinco sensores em seus veículos autônomos. O próprio presidente da empresa que faz os sensores Lidar falou que eles deveriam ter sido capazes de ‘enxergar’ a pedestre, dando a entender que a culpa seria do sistema da Uber.

A Uber não deu uma resposta direta em relação à diminuição do número de sensores, mas um porta-voz falou com a Reuters: “Acreditamos que essa tecnologia tem o poder de tornar os transportes mais seguros do que nunca e reconhecemos nossa responsabilidade em contribuir para a segurança de nossas comunidades. Enquanto desenvolvemos a tecnologia de direção autônoma, a segurança é nossa principal preocupação em cada passo desse trajeto”.

Governador que permitiu testes também é questionado

O republicano Doug Ducey, governador do Arizona — estado norte-americano onde o acidente aconteceu — também foi questionado sobre o caso. E-mails obtidos pelo jornal The Guardian mostram que o governador autorizou o início dos testes com carros autônomos sem avisar a população.

As mensagens também revelam que a Uber ofereceu espaços de trabalho para a equipe de Ducey em São Francisco e prometeu levar mais empregos e dinheiro para o estado do Arizona. Em troca, o governador emitiu decretos favoráveis à companhia e a ajudou na hora de lidar com outros agentes do governo, além de aparecer em um evento oficial com uma camisa da Uber.

A equipe do governador negou que tenha sido pouco transparente durante o processo e afirmou que o público não precisava ser informado sobre os testes, já que os departamentos locais de polícia estavam sabendo da situação. A Uber foi proibida de continuar com seus testes no Arizona e também está sendo investigada pela polícia de Tempe, cidade onde o acidente aconteceu.