O hacker/garoto-prodígio George “GeoHot” Hotz, conhecido por conseguir desbloquear um PlayStation 3 e um iPhone enquanto ainda era um adolescente, está em uma empreitada consideravelmente mais difícil agora: permitir que os carros se tornem autônomos de modo muito mais fácil – tão fácil, na verdade, que ele deseja que qualquer pessoa seja capaz de contribuir.

Com a sua iniciativa Comma.ai, Hotz desenvolveu um hardware que, quando combinado com o seu novo software Cabana, permite que os donos de carros consigam “ler os pensamentos” dos veículos, através dos códigos que são enviados por todos os sensores ativos.

Se você não entende nada de programação, não precisa se preocupar: a ideia é que esses dados sejam compartilhados em uma base de dados aberta, a opendbc, que servira para reunir informações a respeito da maior quantidade de veículos possível – e é aí que Hotz quer dar o pulo do gato para fazer com que qualquer carro se torne autônomo de um jeito fácil e relativamente barato.

O hardware em questão é o Panda, um dongle que vai conectado na porta OBDII que existe na maioria dos carros produzidos a partir do final da década de 90. Com o dispositivo conectado, em especial em modelos mais novos, que contam com dezenas de sensores para cada função desempenhada pelo veículo, os usuários poderão registrar todos os dados trocados durante uma viagem.

Diferente dos outros hardwares similares que existem, que fazem a leitura de uma gama limitada de informações, o Panda dá acesso a absolutamente todos os sensores – é o mesmo nível de permissão que as montadoras tem.

O Android dos carros autônomos

Ontem a gente falou da plataforma Apollo, da Baidu, que tem a intenção de se tornar “o Android dos veículos autônomos”. No entanto, a chinesa não deu muitos detalhes de como pretende fazer isso. GeoHot, por outro lado, explicou direitinho como pretende fazer com que a Comma.ai alcance o mesmo título – com direito a uma cutucada na Tesla, empresa com a qual já se estranhou no passado.

A iniciativa já havia desenvolvido um kit, que incluía todo o software e uma câmera, que permitia que qualquer carro pudesse ter funções de direção semiautônoma. No entanto, o órgão responsável pela segurança no trânsito nos Estados Unidos, a National Highway and Traffic Safety Administration, proibiu a Comma.ai de seguir em frente com seu produto e Hotz resolveu não brigar.

O que ele fez, no entanto, foi abrir o código do software para o público. O OpenPilot surgiu, então, para ser o “AutoPilot” acessível, uma referência ao sistema de direção semiautônoma da Tesla. O problema é que a base de carros que poderiam usar o software ainda é limitado – daí a importância do opendbc.

 “Se nós fizermos um crowdsource disso e todos fizerem a engenharia reversa em seus próprios carros, nós vamos ter suporte para todos os carros até o fim ano”, explicou Hotz em uma entrevista para o The Verge.

 Em vez de oferecer um hardware e um software, no entanto, a Comma.ai quer apenas ser dona dos dados e da rede, a origem para o conceito de “Android dos carros autônomos”. É sobre a plataforma e possibilitar que outros possam criar da forma que acharem mais conveniente.

“Nós queremos ser o Android dos carros autônomos, fazendo que essa plataforma seja a mais aberta possível. Vamos trabalhar para nos tornar o Android – e deixe que a Tesla seja o iOS”, concluiu.