Eventos como a Campus Party perderiam o charme sem a presença de PCs (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Com a popularização da plataforma móvel, como notebooks, tablets, smartphones e, mais recentemente, ultrabooks, muito tem se falado sobre a morte do computador de mesa, aquele com gabinete e monitor, que fica parado sobre a mesa do escritório ou do quarto.

Aqui mesmo, no Tecmundo, já abordamos esse assunto diversas vezes. Já promovemos uma espécie de debate, com pontos a favor e contra o desktop e listamos sete razões pelas quais o PC nunca vai morrer. Neste ano, também publicamos pelo menos duas notícias surpreendentes sobre o assunto: a queda da venda de PCs nos EUA e a aposta da NVIDIA nos telefones celulares, que, de acordo com a empresa, devem substituir cada vez mais o computador-padrão.

Recentemente, novos indicativos da indústria de computadores pessoais reforçaram a ideia de que algo não está bem no mercado de computadores de mesa. E a principal fonte a confirmar essa baixa na popularidade dos PCs é, nada menos, do que o próprio Google.

Google ataca de vidente 2.0

É incrível pensar que um website possa indicar mudanças na sociedade com base no uso que as pessoas fazem da página. Mas esse tipo de previsão deve ser levado a sério quando os dados vêm do Google.

(Fonte da imagem: iStock)

O alto tráfego do mecanismo de buscas pode render indicativos muito relevantes para a prevenção ou solução de problemas, como é o caso, por exemplo, do acompanhamento de epidemias: de acordo com o número de pesquisas por uma determinada doença ou vírus vindas de uma região, é possível especular que, naquele local, está havendo um surto de infecções. Uma boa aplicação construída nesse conceito é o Google Flu Trends, que mantém o registro de casos de gripe pelo mundo.

Sendo assim, também é possível que o Google possa nos ajudar a prever outras mudanças na sociedade, desde informações relativamente banais, como quem é o ídolo pop do momento, até casos mais importantes, que afetam, por exemplo, investimentos de mercado.

Pesquisas indicam baixa procura por computadores

O Google possui uma ferramenta muito interessante para o mercado financeiro e que permite, entre outras coisas, comparar o tráfego de buscas sobre uma determinada indústria com a variação cambial de suas ações nas principais bolsas de valores do mundo.

Apesar de ser impossível visualizar esse tráfego por empresas específicas, muitos podem usar esses gráficos como formas de fazer previsões para o mercado de 27 indústrias diferentes, que vão desde o mercado de seguros e viação até computadores e dispositivos móveis.

Pesquisas por computadores diminuíram muito desde 2004 (Fonte da imagem: Reprodução/Google)

Como bem notado pelo site Tom’s Hardware, a seção com o tráfego da indústria de computadores e eletrônicos exibe uma queda vertiginosa de 2004 até 2012, diminuindo em quase 52% a procura por termos como “windows”, “hp”, “mac”, “ipod”, “google”, “dell”, “sony” etc. É claro que fica difícil fazer uma previsão mais séria sem ter os detalhes de quais tráfegos foram selecionados para a elaboração do gráfico e como isso foi feito. Mas, mesmo assim, é possível ter uma ideia do que nos aguarda.

Em compensação, nota-se um aumento de popularidade na plataforma móvel (Fonte da imagem: Reprodução/Google)

Enquanto a busca de computadores caiu pela metade, a seção “Mobile & wireless” apresenta um aumento de quase 26% na popularidade de termos como “phone”, “apps”, “iphone”, “blackberry” e outros. Se depender dos dados coletados pelo Google, parece que o futuro será mesmo cruel para o computador comum.

Economia mundial também ameaça PCs

Seja pela falta de inovação, complicações na economia norte-americana ou simplesmente pela crescente popularidade dos tablets, o fato é que diversos relatórios apontam quedas nas vendas de computadores. De acordo com artigo publicado pela Fortune, as vendas de computadores no segundo trimestre de 2012 foram abaixo do esperado e a situação não parece muito animadora para o restante do ano.

Pesquisas de mercado indicaram que, nos EUA, a venda de computadores caiu 0,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Pode parecer uma variação mínima, mas não se levarmos em consideração o fato de que a projeção era de que as vendas tivessem crescimento de 2,1%.

Apple não é a única culpada

O analista sênior de pesquisa de mercado da IHS iSupply, Craig Stice, disse em entrevista para  a Fortune que “a indústria, como um todo, está em declínio”. As crises econômicas mundiais estão fazendo com que os consumidores deixem de trocar seus computadores por modelos melhores. Como se não bastasse, a crescente popularização de tablets e smartphones também afetam as vendas, já que, muitas vezes, esses dispositivos apresentam diferenciais inexistentes nos PCs tradicionais.

Popularização do iPad não é o único fator a influenciar nas vendas de computadores (Fonte da imagem: Tecmundo)

Há, por exemplo, pesquisas que consideram tablets com displays acima de 7” polegadas como sendo computadores pessoais. Nesse caso, a Apple passa a ser a maior fabricante de computadores do mundo.

Porém, curiosamente, até mesmo para a Apple as vendas de modelos mais tradicionais acabaram caindo. As vendas de Mac estão a uma taxa tão lenta quanto as de PC e, por enquanto, o iPad é o grande sucesso da empresa: durante o segundo trimestre de 2012, a Maçã vendeu 17 milhões de iPads e “apenas” 4 milhões de Macs.

Há solução para o mercado?

Segundo o vice-presidente de clientes e demonstrações da IDC, Bob O’Donnel, a economia atual é um dos principais responsáveis pela queda das vendas, fazendo os consumidores pensarem que não precisam de um upgrade de computador neste momento.

Para O’Donnel, a solução está nos países emergentes. Apesar de as vendas de PCs na China estarem diminuindo e de o mercado indiano estar pior do que o esperado, o Brasil continua surpreendendo os investidores e deve, em breve, ultrapassar o número de vendas nos EUA. “Mas isso não é o suficiente para manter a indústria em boa forma”, ressalta O’Donnel.

Ultrabooks e Windows 8 talvez não ajudem tanto

Além da queda de vendas enfrentada pelos desktops, há também uma diminuição na preferência por notebooks. Os ultrabooks têm chamado muito a atenção da imprensa e dos consumidores, mas o preço proibitivo ainda faz com que o modelo não ganhe popularidade.

De acordo com a Fortune, a chegada do Windows 8, em outubro, também não deve colaborar para o aumento das vendas, visto que, em um primeiro momento, o novo sistema operacional pode acabar apenas adicionando mais valor monetário a um computador.

Windows 8 pode encarecer ainda mais os computadores (Fonte da imagem: The Verge)

Entretanto, levando em consideração as pesquisas realizadas durante as atualizações passadas do sistema da Microsoft — como aconteceu na época do Windows 95, Vista ou Windows 7 —, pode ser que muitas pessoas optem por comprar um computador novo. Essa nova bolha de vendas pode durar por um tempo. Mas, por enquanto, as vendas continuarão mais devagar.

Computadores: o início do fim

É claro que o mercado é bastante dinâmico e, em alguns anos, uma nova invenção pode alterar o cenário atual. Mas, por enquanto, o computador pessoal como conhecíamos começa a apresentar indícios de que está caminhando para o seu fim.

Nesta semana, a Apple apresentou números muito curiosos durante o lançamento do iPhone 5 e que atestam a popularidade do iPad. Até junho de 2012, por exemplo, foram vendidas 84 milhões de unidades do tablet, o que representa uma fatia de 62% do mercado e 91% do tráfego web de tablets em todo o mundo.

Aos poucos, notebooks também começam a ficar menos populares (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Os dados mais recentes da imprensa especializada, como os publicados neste artigo, dão cada vez mais respaldo às palavras da Apple: estamos mesmo na era pós-PC. É claro que as pessoas continuam navegando e fazendo buscas online, mas elas não têm usado um desktop para isso. Para completar o quadro, os notebooks também têm sido deixados cada vez mais de lado.

É claro que os computadores comuns ainda têm espaço no mundo de hoje, mas isso não nega o fato de que estão perdendo a popularidade.

Fontes: Tom’s Hardware, Fortune, CNN Money, Google Finance

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