Os argumentos de venda de produtos eletrônicos mudaram. Anos atrás costumávamos decidir a compra com base em recursos exclusivos de um determinado produto, cujos nomes estavam sempre acompanhados de adjetivos como “hiper”, “mega” ou “super”. Um bom exemplo é o do console de 16-bits da SEGA, o Mega Drive, que se gabava de possuir o “maravilhoso e sensacional” Blast Processing, um diferencial que o SNES, da Nintendo, não tinha.

A tecnologia era, na verdade, apenas uma maneira que os desenvolvedores da SEGA encontraram de exibir uma imagem enquanto a próxima já estava sendo carregada na memória, tornando a animação mais fluída em games como Sonic, the hedgehog.

Embora pudesse ser encarada como uma vantagem do console da SEGA, foi a criação do nome Blast Processing que causou mais impacto entre os consumidores, já que passava a impressão de que o Mega Drive tinha o poder de processamento muito superior ao do Super Nintendo.

Hoje, as técnicas de marketing mudaram: mais do que um nome bonito para determinada característica, os esforços do departamento tentam conquistar o cliente com a matemática e a influência que os números altos podem exercer sobre nossas decisões.

O número de megapixels de uma câmera, a quantidade de algodão em uma peça de roupa etc. Não são raras as situações em que nos distraímos com o valor alto de alguma característica do produto e acabamos esquecendo-nos de analisar todo o resto dele.

Em entrevista à Gizmodo, o presidente da DisplayMate Technologies, Raymond Soneira, afirma que a complexidade de equipamentos e gadgets faz com que a indústria possa camuflar ou exagerar números, fazendo com que os produtos se tornem mais atraentes para consumidores que não entendem como eles funcionam.

Outra característica apontada por Soneira é que essa prática acabou se tornando uma exigência da indústria. Se um fabricante não entrar nesse jogo, ele corre o risco de transformar o produto em um fracasso de vendas. Portanto, acaba sendo esperado que os números obtidos pela equipe de testes de um produto se tornem argumentos de venda, valores que passam a descrever a característica de um produto.

Mas quais características devem ser desconsideradas durante a escolha de um produto? Para facilitar, preparamos uma lista dos números que mais impressionam e explicamos por que  você deve analisá-los sempre com desconfiança.

Processadores

Processadores: o clock é o mais importante?

Clock

Quanto maior o clock, quanto mais giga-hertz, mais poder de processamento. Certo? Bem, nem sempre. Embora o clock seja um bom indicador, é sempre aconselhável levar em consideração as características das diferentes famílias e arquiteturas de processadores, já que os mais recentes são capazes de executar mais operações por ciclo.

O número de núcleos de um processador é um dado essencial. Um processador Quad Core de 2,66 GHz, por exemplo, tem um desempenho superior a um Dual Core de 3,16 GHz.

Além disso, deve-se também levar em conta a quantidade de memória cache, tanto a de nível 2 (L2) quanto a de nível 3 (L3), já que os fabricantes ou lojistas tendem a realçar apenas o que possui maior valor.

Placas de vídeo

Placa de vídeo: o que levar em consideração?

Memória

A quantidade de memória em uma placa de vídeo é o grande atrativo em promoções e, normalmente, o principal argumento dos vendedores. Porém, uma placa com muita memória não será capaz de um bom desempenho caso as velocidades de operação da memória e do núcleo de processamento sejam baixas. Além disso, como a placa não será capaz de aguentar jogos de alta qualidade e nas resoluções mais elevadas, o potencial da memória adicional não chegará a ser aproveitado.

Numeração e Famílias

É comum também que a venda de uma placa de vídeo seja feita com base na numeração presente em seu nome. Este é um engano comum e que está presente até na indústria de software. É comum usuários iniciantes acharem que o Fedora 14 é mais avançado que o Ubuntu 10.4, por exemplo, mesmo que ambos estejam usando a mesma versão do kernel do Linux.

Vendedores mal informados podem induzir os consumidores a acreditarem que uma placa que tenha a expressão “x1950 pro” no nome seja superior às do modelo “x1900GT”, por exemplo. Antes de escolher uma placa pelo nome, compare sempre as suas características técnicas.

Entretanto, existem alguns detalhes que podem ser extraído da nomenclatura da placa. Para começar, a sopa de letrinhas usada pelas empresas costuma apresentar uma hierarquia de qualidade. Quando falamos das placas da NVIDIA, por exemplo, da mais lenta para a mais rápida, a sequência correta seria: GS – GT – GTS – GTX e Ultra. Além disse, a NVIDIA costuma usar as siglas GSO para as placas da série 9 e GX2 para placas dualchip/dualcard.

Um nome pode ter informações importantes sobre a placa.

Já para a ATI, a nomenclatura antiga era XT – PRO – PE. Porém, agora a fabricante usa um esquema baseado em números.

O primeiro algarismo indicada a geração da placa (HD2, HD3, HD4), o segundo informa a classe dentro daquela geração ― low end (2, 3, 4 e 5), medium end (6 e 7) e high end (8 e 9) ― e os últimos dois dígitos indicam o desempenho dentro da classe, sendo 50 para placas mainstreams e 70 ou 90 para placas direcionadas ao público entusiasta ou de alto nível. Quando os caracteres “X2” aparecerem, a placa possui dois GPUs.

Dessa forma, a placa ATI 3870, por exemplo, pertence à terceira geração, desenvolvida para o mercado High end (8) e alto desempenho dentro da classe (70).

Gráficos de fabricantes

A diferença entre 100% e 110% é demonstrada com uma barra que dobra de tamanho!

Fonte: Bright side of News

A cada lançamento as empresas responsáveis pelas placas divulgam gráficos incríveis, que demonstram a superioridade do seu produto em relação ao do concorrente. O problema é que normalmente as barras do gráfico estão exageradamente fora de escala.

Assim, a barra que demonstra o aumento de 20% em um determinado atributo pode acabar sendo representada três ou quatro vezes maior que a barra equivalente do concorrente. Outra tática comum é comparar o modelo recém-lançado com uma placa antiga de outra marca.

Portanto, vale a pena ficar atento para esse detalhe e, se possível, verificar outras fontes de informações.

Televisão e monitor

A mágica dos números no mundo das televisões.

Tempo de resposta

O tempo de resposta é um teste feito pela indústria para tentar prever se a televisão apresentará o fenômeno de arrasto de imagem durante a visualização de determinados conteúdos, como jogos de video game, que costumam apresentar cenas mais rápidas.

O teste é feito medindo o tempo em que um pixel demora para mudar da cor preta para a cor branca e voltar a ser preto novamente. O problema é que este não é um bom indicador de arrasto de imagem. De acordo com Soneira, a maioria das transições de imagem envolve mudanças de tons na escala de cinza, que costuma ser de três a quatro vezes mais longas do que a transição preto-branco-preto.

Além disso, a indústria não costuma definir qual dos testes foi realizado e, portanto, mesmo que o tempo de resposta seja mínimo, a televisão pode apresentar o indesejável arrasto de imagens.

Taxa de contraste

A taxa de contraste é a divisão do brilho máximo obtido com a representação da cor branca pelo brilho mínimo emitido com a cor preta. O problema aqui é que normalmente o brilho mínimo é medido quando a tela está completamente preta, como no modo de stand by, por exemplo. Com isso, é óbvio que a emissão de luz será reduzida e a taxa de contraste elevada para níveis astronômicos, como 5.000.000:1 ou “infinito”.

Para ter uma base, normalmente as televisões ficam entre 1.500:1 e 2.000:1, embora alguns painéis já possam atingir a marca de 8.000:1 na medição ANSI.

Ângulo de visão (visualização)

O melhor ângulo para assistir TV!

Esta característica indica qual é o ângulo máximo em que a tela pode ser visualizada sem que a imagem seja muito prejudicada. No geral essa medição é muito subjetiva, não apresentado valores completamente confiáveis.

Porém, existem duas regras a serem levadas em consideração: uma televisão de plasma possui o ângulo de visão maior do que uma TV de LCD. Além disso, no geral há perdas significativas quando a tela é vista a partir de 45°.

Gama de cores

Este indicador mostra a gama de cores que uma tela pode exibir e, normalmente, é expressa pela porcentagem de um determinado padrão de cores, como o Rec.709 (HDTVs) e ou sRGB (computadores e câmeras digitais).

A pegadinha é que o intervalo de cores que você vê é o mesmo que foi usado durante a criação do conteúdo que está sendo exibido. Portanto, nesse caso a gravação ou produção do conteúdo é mais importante do que a forma como a televisão poderá exibi-lo.

Então, quando você ler por aí que certo modelo de televisão tem gama de cores de 145%, na prática isso significa que a imagem parecerá mais saturada do que o normal. Modelos com gama de cores maior do que 100% não são capazes de exibir cores que não estão na imagem do conteúdo original.

120 HZ

120 Hz, só em modelos 3D!

Muitos modelos são vendidos hoje como se tivessem uma taxa de atualização de 120 Hz. O problema aqui é que essa informação pode ser discutível, já que a maioria apenas duplica o quadro anterior antes de exibir o próximo, na tentativa de criar uma imagem mais suave para os olhos. Esse recurso costuma ser batizado como “easy flow” ou algo semelhante.

Ao comprar uma TV dessas, que alega ter 120 HZ, o usuário pode terminar frustrado ao descobrir que o equipamento não é capaz de reproduzir 120 quadros reais por segundo e, consequentemente, não é compatível com as tecnologias 3D.

Câmeras fotográficas

Não se deixe enganar pelo número de megapixels!

Megapixels

Cada megapixel é equivalente a um milhão de pixels. Esta medida é utilizada em câmeras digitais para determinar a resolução de uma imagem. Assim, imagens capturadas por uma câmera de 1,3 megapixels, por exemplo, terão aproximadamente 1.300.000 pixels.

Um número grande de megapixels é importante apenas para quem pretende imprimir materiais profissionais, como banners, ou fotografias em grande escala. A quantidade de megapixels define o tamanho bruto da imagem, mas não a qualidade dela. Mais importante, por exemplo, é se preocupar com a qualidade dos sensores e conjunto de lentes utilizadas nas câmeras, para evitar problemas como granulação excessiva e aberrações cromáticas.

Zoom Digital

Muita gente já conhece a diferença entre zoom ótico e digital, mas não custa explicar novamente, para acabar com qualquer dúvida na hora de comprar uma câmera.

O valor mais importante e que deve mesmo ser levado em consideração é o do zoom ótico, feito por meio das lentes instaladas na câmera. Você pode abusar do zoom ótico à vontade sem perder a qualidade da imagem que está sendo capturada.

Porém, o zoom digital “amplia” via software a imagem já capturada, de maneira semelhante à realizada por programas de edição de fotografias, instalados no computador. A regra de ouro serve para ambos os casos: quanto maior a ampliação de uma imagem, menor a qualidade dela. Portanto, use o zoom digital com moderação.

Áudio

O dobro de potência indica que você terá apenas 3 decibéis a mais.Potência

Embora um número grande de Watts impressione o consumidor, a verdade é que a potência máxima é irrelevante para a maioria das pessoas. Normalmente ouvimos músicas usando uma potência muito baixa, em torno de 1 ou 2 watts.

Além disso, vale a pena lembrar que a cada vez que a potência dobra, o som aumenta cerca de 3 decibéis. Então, a diferença de um aparelho de som de 600 watts para um de 1200 watts não é tão grande quanto aparenta.

Resposta em frequência

Antes de qualquer coisa, é bom ter em mente que o a frequência mais baixa que o ser humano consegue ouvir é de 20 Hz e, a mais alta, de 20 KHz. Qualquer valor fora desse intervalo será completamente inútil, já que serão descartados pelos nossos ouvidos.

Muitos aparelhos especificam uma largura de banda de 20 Hz a 20 KHz, porém, de acordo com o artigo da Gizmodo, essa informação não faz muito sentido. A principal razão é que pouquíssimos equipamentos são capaz de atender a essa faixa de valores de maneira tão precisa.

Além disso, seriam necessárias caixas extremamente caras para aproveitar esse potencial, o que está além do poder aquisitivo da maioria de nós.

Cabos banhados a ouro

A cobertura de ouro realmente pode ajudar na eliminação de ruídos em sinais, porém, isso se faz necessário apenas para a reprodução de conteúdo analógico, já que o problema dos ruídos não está presente no meio digital.

No entanto, existem ocasiões em que o usuário deve preferir um cabo com revestimento de ouro: transmissões profissionais ou que usem cabos muito longos. Se esse não for o seu caso e você precisar de cabos para uma instalação normal de equipamentos na sua casa, economize dinheiro e compre cabos comuns, pois na prática você não notará diferença entre um e outro.

Mouse

Um bom mouse é indispensável para uma experiência agradável durante o uso do computador. Muitos usuários de notebook preferem ocupar uma porta USB do portátil e ficar livre do uso do trackpad.

Você precisa de tantos DPIs?

Número de DPI

A movimentação do cursor na tela é feita com base na quantidade de pontos por polegada que o mouse pode reconhecer. Com base nesses dados é determinada a velocidade com que o cursor anda pela tela: quanto mais DPI, menos deslocamento das mãos é necessário para que o cursor percorra um determinado espaço.

Mouse com DPI alto é indicado para jogadores que precisam de mais velocidade. Gamers que preferem um controle maior da mira na tela optarão por leituras em resolução mais baixa.

A regra para comprar um mouse é a mesma usada para qualquer outro equipamento: não deixe se impressionar pelos números altos. Sempre pesquise sobre as características de cada produto, entendendo para que elas servem, como foram medidas e, principalmente, se devem ser levadas em consideração para o uso que você fará do equipamento. Assim você sairá mais satisfeito com o resultado de uma compra e, de quebra, pode acabar economizando alguns reais.

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