Imagine a seguinte situação: é um belo fim de semana e você pensa em adquirir um smartphone. Abre a página de uma loja online e lá está um anúncio em tamanho garrafal do novo Nokia N8. Uma lista de funções acompanha a imagem e o vídeo demonstrativo do aparelho. Todavia, logo em seguida há um espaço informando o preço do produto: R$ 1.499,00.

Parece que toda a propaganda foi por água abaixo e você começa a pensar: será que custa tanto para a Nokia construir um smartphone? Todos sabem que empresa nenhuma gasta R$1.400 em um produto para vendê-lo por R$1.499,00, mas pouca gente tem ideia do real preço de um aparelho desses.

Para esclarecer dúvidas e mostrar o que realmente é cobrado no valor dos smartphones, decidimos compartilhar algumas informações úteis sobre o processo da criação, fabricação e o motivo para que o valor final de um aparelho seja elevado.

Quanto custa?

O hardware “desmantelado”

Você já imaginou a quantidade de tecnologia que existe dentro de um smartphone? Se você decidir desmontar um iPhone 4, por exemplo, vai encontrar diversos componentes de tamanho ínfimo, os quais fazem do aparelho o que ele é. Apesar de você não ter ideia do que cada peça faz, terá noção de que somente uma fábrica de alta tecnologia poderia montar um aparelho daqueles.

Entretanto, raramente uma fábrica monta tudo que existe dentro de um smartphone. Se você observar em nosso infográfico, verá que existem diversas empresas fornecendo peças para a montagem de um aparelho.

No caso do iPhone 4, o display é fabricado pela LG, enquanto que a memória é fornecida pela Samsung. E assim acontece com os demais componentes. Algumas empresas fabricam os componentes e então enviam para a montadora unir tudo.

Tela do iPhone 4 é fabricada pela LG

Fonte: reprodução do site oficial da Apple

Apesar de as empresas supracitadas serem concorrentes da Apple, não há porque se opor em fornecer uma tecnologia para a empresa de Steve Jobs, afinal, o lucro continua existindo. Sendo assim, fica evidente que não há um aparelho com todas as peças da mesma fabricante, pois as empresas focam em determinadas áreas para baratear custos e fornecer tecnologias de alta qualidade.

Nos dados do gráfico, há também um valor cobrado pela montadora. Como exemplo, podemos ver o quanto a Foxconn cobra para montar o iPhone. É um valor irrisório, justificado pela pequena atividade realizada pela montadora. Outras fabricantes também recorrem a empresas chinesas para a etapa final de seus produtos. O valor de montagem é muito baixo, sendo que o custo do aparelho está na compra de cada componente.

Como é possível ver, cada aparelho tem um foco diferente. Alguns contam com processadores mais caros, outros têm memória de alto custo e tem aqueles que contam com uma câmera que supera o valor dos outros componentes — como é o caso do Nokia N8.

A câmera do Nokia N8 é de alto valor

De modo geral, é difícil a fabricação de um smartphone exceder os 200 dólares. As empresas adquirem grandes quantidades do mesmo componente e isso ajuda a economizar fortunas na montagem dos aparelhos, possibilitando a fabricação de produtos de alta qualidade.

A “criação” de um smartphone

Conhecer um pouco dos custos para a fabricação de um telefone inteligente é realmente interessante, todavia, a história de um aparelho começa bem antes da aquisição de quaisquer componentes. A “criação” de um smartphone começa na idealização e análise dos seguintes fatores: funcionalidades essenciais, inovações, público-alvo, design e hardware.

Um aparelho desses pode levar de 3 a 12 meses para ser planejado e devidamente projetado. Neste processo muitos profissionais estão envolvidos, dentre eles: analistas, designers, projetistas, engenheiros e outros tantos. Cada funcionário envolvido na criação de um smartphone terá grandes responsabilidades, sendo que eles trabalham contra o tempo.

Definir o processador ideal para um smartphone custa caro...

Fonte: reprodução do site oficial da Apple

A criação de um smartphone não envolve a fabricação, divulgação e comercialização do aparelho. Isso significa que, se você adquiriu um produto anunciado como lançamento, ele pode ter sido “idealizado” há mais de um ano atrás, todavia, todos os componentes dele são de alta qualidade e de última geração para que sejam compatíveis com o restante do segmento de mercado.

Como você deve ter reparado, alguns smartphones levam apenas três meses para serem criados. Esses modelos são baseados em produtos prévios, de modo que não necessitam de grandes modificações. Por exemplo: a Samsung lançou o Galaxy S I9000 — que levou quase um ano para ser desenvolvido —, mas alguns meses (cerca de um trimestre) depois, já lançou o Galaxy 5 I5500.

O modelo I5500 é mais simples do que o “top” I9000, todavia, ele tem um foco diferente. A “criação” de modelos enxutos, geralmente, se dá paralelamente com a dos modelos de alto desempenho. Isso acontece porque as fabricantes precisam economizar tempo e fornecer diversos produtos para diferentes tipos de consumidores.

Muito parecidos e muito diferentes

É comum que modelos básicos de smartphone tenham configurações semelhantes as que são encontradas  nos produtos “top” de linha. Por se tratar de um modelo para público menos exigente, o que as fabricantes costumam fazer é adaptar um hardware mais fraco para um design diferente.

Em vez de uma tela de 4 polegadas e processador de 1 GHz, a fabricante opta por uma tela de menores dimensões e uma CPU modesta — de 600 MHz, por exemplo. A redução no tempo para a criação do aparelho simplificado é significativa, pois não é necessário perder tempo com detalhes minuciosos, visto que muita coisa é herdada do modelo principal.

Com tanta minuciosidade no processo de criação, fica fácil compreender porque o preço de um smartphone sobe tanto. Basta calcular: a quantidade de profissionais envolvidos, o conceito do telefone e as tantas patentes necessárias para o lançamento do produto. Esses fatores justificam facilmente o valor cobrado por um smartphone.

O clone Chinês com baixo custo

O iPhone 4 custa mais de R$1.500,00 e oferece muitas facilidades para quem gosta de alta tecnologia e praticidade. Produtos idênticos ao iPhone 4 custam R$500,00 e oferecem exatamente a mesma coisa. Por que o aparelho da Apple custa três vezes mais?

Entender o barateamento de um produto não é nada complicado. Diversas empresas — muitas delas da China — costumam desmontar um produto e analisar todos os componentes dele. Depois disso, uma equipe verifica o preço de cada peça e pesquisa por chips e itens semelhantes de baixo custo.

Posteriormente, um design muito semelhante é elaborado, de modo que o clone seja levemente diferente, para não caracterizar plágio. Em alguns casos, o design é 100% idêntico, justamente por ser difícil um processo contra uma empresa “pirata”.

Um aparelho chinês é somente um clone, em boa parte dos casos com modificações radicais no hardware. Isso significa que a empresa que está comercializando o produto não teve o trabalho de definir ou analisar nada sobre hardware, software ou público-alvo. Um dos poucos fatores interessantes para uma fabricante desse tipo é a economia nas peças.

Sendo assim, o consumidor que adquire um aparelho clonado acaba se arrependendo ao verificar que a bateria dura pouco, que as funcionalidades não são o que pareciam e que a qualidade dos materiais utilizados é péssima.

Claro que isso não se aplica a todos os aparelhos chineses ou clonados, porém é muito comum que os proprietários desses aparelhos se arrependam do investimento. Algumas vezes surgem aparelhos que são bem diferentes do comum, como é o caso do Sophone, clone idêntico (visual, sistema e parte do hardware) do iPhone 4. Confira um vídeo do produto:

A economia com um “clone” é muito grande. A fabricante não conta com muitos profissionais e consequentemente paga pouco para alguns “técnicos” desmontarem e realizarem a análise. Além disso, não é necessário muito tempo para o desenvolvimento do aparelho. E para ajudar, a fabricante adiciona um lucro muito baixo ao valor final do produto. Assim, muita gente opta por um clone, em vez de um iPhone 4.

O Brasil paga mais?

Por incrível que pareça, não pagamos muito mais do que um smartphone vale. Nos EUA, por exemplo, o Nokia N8 custa US$ 519 , sendo que US$ 197 é o investimento na fabricação do aparelho. Convertendo para reais — usando a taxa de câmbio de R$ 1,65 —, o aparelho custa R$ 325  para ser produzido .

O valor de venda é um pouco superior, subindo de R$856 para R$1.499,00. Quase o dobro, todavia, devemos considerar que nem sempre os aparelhos chegam ao Brasil por planos próprios da fabricante. Em muitos casos, as lojas importam o produto, o que acaba encarecendo o valor final do smartphone.

No caso do Nokia N8, o valor adicional (R$ 643 ) é adicionado para pagar a transportadora, os impostos e o lucro final para a loja. Tal valor não se aplica a todos os aparelhos, sendo que os modelos mais básicos costumam dar menor lucro e ter poucos impostos adicionados. Com isso, o valor cobrado é quase aceitável, ainda que não seja uma realidade acessível para muitos.

Vale o investimento?

É claro que o preço de um smartphone poderia ser bem mais baixo. Mesmo considerando os gastos com profissionais, conceito e tantas outras etapas da criação de um celular inteligente fica evidente que alguns valores poderiam ser retirados do valor final do produto.

No entanto, como não há grandes soluções, temos de aceitar que para ter alta tecnologia é necessário pagar mais do que o produto vale. O que você acha dos valores dos smartphones? Já conhecia o processo de criação? Deixe sua opinião!

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