No início era o caos. Encontrar qualquer coisa na confusão endereços da internet era complicado, e frequentemente suas pesquisas não chegavam até os conteúdos mais relevantes. Um sistema simples, visualmente limpo e sem grandes maquiagens mudou a maneira de se procurar qualquer coisa na rede, e assim surgiu o Google.

Grandes sucessos

Do verbo “googlar” (sinônimo moderno para “procure no Google”), novos serviços surgiram. O Gmail, que pela primeira vez permitiu ao usuário não se preocupar em receber anexos na sua caixa de entrada online com seu 1 GB de espaço inicial – hoje, uma caixa normal desse serviço tem 7 GB de espaço – e também ofereceu a solução para agrupar emails sobre um mesmo assunto: as conversações, ou conversas.

Seguindo o rumo natural – buscando a interação social de quem está online – da web 2.0, depois de renovar as buscas por conteúdo e facilitar a troca de informação privada, dois passos foram dados em Mountain View.

Serviços do Google: Gmail, Gtalk, Orkut e Google Docs

Primeiro – em 2007 – veio o Google Talk, ferramenta de mensagens instantâneas que, apesar de não ser mais popular, no Brasil, que o MSN ainda assim tem seus usuários fiéis. Logo no ano seguinte um dos maiores fenômenos da internet – em termos de usuários nacionais – surge. O Orkut começa suas operações e, seguindo o modelo de convites do Gmail, acaba por tornar-se referência em rede social em países tão diferentes quanto o Brasil e a Índia.

Diversos outros serviços da empresa são reconhecidamente grandes sucessos no mercado online. A plataforma AdSense é usada em um universo de sites e blogs como maneira de capitalizar o conteúdo ali apresentado, enquanto o Analytics ajuda donos de sites a melhorar a navegação de suas páginas. A suíte de aplicativos Google Docs é uma das mais estáveis e funcionais da ainda incipiente cloud computing pessoal.

Googleplex, em Mountain View, California. (Sebastian Bergmann - wikipedia)

Isso tudo, claro, é só uma parte da história do Google. Além dos serviços desenvolvidos em Mountain View, a empresa também tem a cultura de comprar sucessos online. Foi o que aconteceu com o YouTube e o Earth Viewer, que você conhece como Google Earth.

Novas apostas

Google ChromeCom o crescimento da empresa e a popularização das plataformas móveis de conexão, a Google começou a investir mais em mercados diferentes do seu campo inicial. Além das buscas na internet, a visão de Mountain View sobre como deve ocorrer o acesso à informação online criou o Google Chrome. O navegador apareceu com várias inovações em termos de processo, e rapidamente ganhou espaço nos discos rígidos da maioria dos internautas.

Mesmo que não seja o navegador mais popular na web – não tendo tanta aceitação quanto o Internet Explorer ou o Firefox, por exemplo – o Chrome cresce continuamente em funções e na preferência do público conectado.

Google AndroidA experiência Chrome é tão bem vista que os princípios usados na programação do navegador estão se expandindo. Em breve deve-se conhecer o Chrome OS, sistema operacional completo baseado no Linux voltado principalmente ao cloud computing e aos netbooks.

Na mesma linha de raciocínio, o Googleplex – como é chamada a sede da empresa – também compete em alto estilo no mercado de smartphones com o Android. O sistema é inclusive a primeira ameaça real ao encanto do iPhone e apresenta um crescimento impressionante no competitivo segmento de celulares inteligentes.

Reveses

Mas mesmo os gigantes podem cair. Apesar de a Google ainda se manter como um dos principais jogadores no cenário de tecnologia, a concorrência está atenta e não pretende ser deixada para trás.
A Microsoft, por exemplo, lançou seu próprio serviço de buscas, o Bing, e tem obtido resultados expressivos com este sistema.

Microsoft Bing, concorrente de peso no serviço de buscas na internet

Apesar das enormes diferenças, os resultados de pesquisas no Bing são bons, mesmo que inferiores aos do Google, e algumas funcionalidades – principalmente na busca por imagens – do serviço de Bill Gates são até mais interessantes que as soluções de Mountain View.

Se no caso do Bing o Google precisa se firmar novamente como líder, o mesmo não acontece no âmbito dos smartphones. O Android é um dos novatos na área, competindo com os já estabelecidos Symbian, BlackBerry e iPhone no status de recém-chegado. Com isso, o Google precisa estar sempre um passo à frente da concorrência, para ganhar mercado de seus rivais.

Direitos no bolso

Uma das alternativas que Mountain View percebeu para alavancar seu sistema móvel foi a produção de um aparelho próprio. Em parceria com a HTC a equipe do Google criou o Nexus One, primeiro celular com a marca Google, além do sistema Android.

Google Nexus One, feito em parceria com a HTCO que não se esperava era que o aparelho – que há muito tempo era alvo de especulações pelos antenados em tecnologia e fãs da empresa – fosse afundar no mercado. Com vendas irrisórias quando comparado com concorrentes – 135 mil unidades, contra um milhão de iPhones e 1,05 milhão de Motorola Droid vendidos nos mesmos 74 dias a partir do lançamento –, o Nexus One encarou vários problemas.

Como a Google é uma empresa da web, espera-se que seus lançamentos estejam disponíveis através da rede. Não foi o que se viu no lançamento do “Google Phone”. Muitos países, entre eles o Brasil, recebiam o aviso “este produto ainda não está disponível na sua área” ao entrar na loja online do Nexus One. Graças a isso e à existência de alternativas igualmente interessantes rodando o mesmo Android, o telefone de Mountain View perdeu público.

Pouco depois, um novo empecilho ao Nexus One apareceu, na figura dos herdeiros de Phillip K. Dick, escritor de ficção científica e autor de “Do Androids Dream of Electric Sheep?” (“Será que androides sonham com ovelhas elétricas?”, em tradução livre), novela que inspirou o filme Blade Runner – o caçador de androides.

O espólio de Philip K. Dick questiona a utilização do nome Nexus One, já que esse é o nome dos primeiros modelos dos androides da obra. Apesar de nenhum indivíduo deste modelo aparecer, eles são mencionados por um dos Nexus Six, personagens da trama. O próprio sistema Android recebeu críticas – a partir do lançamento do Nexus One – por também remeter diretamente à obra de Dick.

O Google ainda está tentando lidar com o problema, e a solução não parece próxima.

Maré baixa

A busca por convites foi incessante. No Twitter, era quase impossível passar mais do que alguns instantes sem receber uma mensagem implorando pela entrada no Google Wave.

Google WaveO serviço que – segundo seus criadores – revoluciona a maneira com que as pessoas trocam informação é até agora incompreendido. Enquanto a Google insiste que o Wave é a versão 2.0 do email, os usuários que correram para experimentar o serviço tiveram – quase todos – a mesma reação: “mas para que serve?”.

Misturando elementos de correio eletrônico, mensageiro instantâneo e rede social, o Wave sofreu duras críticas por parte das mesmas pessoas que estavam desesperadas para experimentar a novidade. “Adiante do seu tempo” ou não, é certo que o serviço não atingiu nem de longe o objetivo de substituir o email.

Zumbido incômodo

Quando um novo serviço busca juntar tudo em um único lugar, a chance de surgirem problemas é grande. Mountain View descobriu isso da pior maneira ao lançar o Google Buzz.

Google Buzz

O serviço – integrado ao Gmail – buscava reunir em um único lugar um microblog semelhante ao Twitter, interação social como a encontrada nas comunidades do Orkut e funcionalidades de outras ferramentas do Google, como o Picasa e o Latitude.

O grande problema veio da maneira com que o Buzz foi implementado. Ao invés dos tradicionais convites – utilizados por Gmail, Orkut e Wave quando de seus lançamentos – o Buzz foi liberado aos poucos nas contas de email dos usuários. Sem a opção de escolher utilizar o serviço, que simplesmente aparecia logo abaixo da caixa de entrada do Gmail, problemas de privacidade surgiram em questão de segundos.

Blogs e canais de notícias online mostraram casos de usuários que reataram – involuntariamente, devido ao autofollow do Buzz – relações com ex-maridos abusivos e profissionais de saúde que tiveram suas listas de clientes descobertas a partir de quem eles seguiam no serviço, por exemplo.

Novo nem sempre é melhor

OrkutQue o digam os usuários que fizeram a passagem para o novo Orkut, não é mesmo? A interface da rede social mais usada no Brasil ficou mais complicada e diversos problemas surgiram na plataforma. Usuários relatam problemas com o carregamento de fotos e vídeos, mensagens e até mesmo para a troca de mensagens – característica básica de um serviço de interação social.

Apagando incêndios

Claro que uma empresa do porte da Google não deixa que problemas a impeçam de crescer. Como o Wave funciona exatamente como planejado, não há o que consertar em sua estrutura. Talvez mostrar melhor para as pessoas como elas podem se aproveitar do serviço ajude a alavancá-lo, mas mesmo assim ele está lá e – para os poucos que o utilizam – tudo está bem.

O Nexus One já tem problemas maiores. Aumentar a distribuição do aparelho para outros países antes de resolver a questão jurídica sobre direitos autorais pode acarretar maiores prejuízos, então o que resta a Mountain View é esperar.

Na parte em que algo podia ser feito – os problemas com o Buzz – tudo se resolveu rapidamente. À medida que problemas eram relatados, os engenheiros e programadores da Google – ao longo de um fim de semana – se prepararam para receber todo o feedback sobre as falhas e consertá-las.

O Facebook, quando encontrou problemas semelhantes, levou quase um mês para arrumar a casa. Resultado: ponto para o Google e suas ideias inventivas. Mesmo que a gigante tropece, ela ainda não caiu.

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