Em poucos anos, o Facebook passou de simples rede de relacionamentos para um portal inteiro de notícias, atualizações de seus amigos e a transmissão de muitos, muitos vídeos. São clipes de humor, debates, trailers e vários formatos feitos especialmente para a rede social. Mas uma das categorias que mais cresce é de longe a de transmissões ao vivo.

O recurso foi implementado em agosto de 2015 para perfis verificados e liberado a todos os usuários em setembro do mesmo ano. Assim, qualquer pessoa pode entrar ao vivo do celular (e recentemente até o desktop) e produzir conteúdo.

Só que cidadãos de todo o mundo descobriram que "transmitir qualquer coisa" também pode significar mostrar assassinatos, pessoas em estado grave e outras situações violentas. E o Facebook tem feito muito pouco para impedir isso.

Virando moda

Não é exatamente uma novidade para o Facebook: em julho de 2016, uma norte-americana transmitiu a morte do próprio namorado, baleado por um policial dentro do carro. Muito antes disso, sites como o pioneiro Livestream também sofreram com a divulgação de cenas fortes que escapavam da fiscalização dos responsáveis.

Só que isso atingiu o ápice recentemente. Na Tailândia, uma menina de 11 anos foi morta pelo próprio pai, que em seguida se enforcou. Tudo isso foi transmitido ao vivo pelo Facebook e ficou no ar por quase 24 horas. Ainda no começo do ano, uma jovem na Flórida cometeu suicídio e também fez o streaming de tudo.

O atirador Steve Stephens alega ter matado mais 12 pessoas, mas só uma teve streaming via Facebook.

Em 16 de abril, em plena Páscoa, um norte-americano fez um streaming dele mesmo assassinando um idoso sem motivo algum. As imagens mostram ele procurando uma pessoa aleatório na rua para matar, encontrando um senhor de 74 anos e atirando a sangue frio. O culpado, Steve Stephens, tirou a própria vida depois de ficar foragido por alguns dias.

Nem prevenir, nem proibir

Não há qualquer chance de limitar ou proibir transmissões ao vivo: o Facebook está investindo pesado nisso não só com usuários espontâneos, mas fazendo acordos com grandes empresas para que elas estejam sempre presentes — Buzzfeed e o jornal The New York Times são alguns exemplos.

Celebridades fazem sucesso com lives, algumas patrocinadas pelo próprio site.

O problema é que, às vezes, é simplesmente tarde demais para perceber ou receber uma denúncia de usuário de que o conteúdo transmitido é proibido ou até envolve um crime. E prevenção? Bom, as tecnologias de “precogs” do filme “Minority Report” simplesmente não existem, então não há qualquer possibilidade de identificar qual perfil teria a chance de começar um streaming ao vivo cometendo um assassinato, por exemplo.

O que o Facebook pode fazer?

A principal crítica que a rede social recebe é sobre a demora em banir esses vídeos ofensivos e eventualmente contatar autoridades responsáveis. E esse problema vai mais além: o site volta e meia é acusado por banir de forma injusta perfis ou páginas e deixar certos conteúdos no ar, mesmo violando termos de serviço.

A mais nova solução proposta do Facebook envolve uma equipe dedicada a isso. O próprio CEO e cofundador, Mark Zuckerberg, anunciou depois dos dois últimos casos que vai chamar 3 mil pessoas ao longo do ano para moderar a comunidade e agir o mais rápido possível quando uma dessas denúncias chegar. Além disso, já existe uma ferramenta para prevenir o suicídio de usuários: quando você percebe o potencial em algum contato que esteja ao vivo, basta usar um botão especial para reportar a rede social, que recebe o aviso com urgência.

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Em resumo, ao facilitar que pessoas exponham suas vidas em tempo real para milhares de pessoas ao mesmo tempo, o Facebook criou uma solução e também um problema. As novas medidas podem ajudar a impedir que usuários tenham acesso a esse tipo de conteúdo e, quem sabe, até que crimes sejam prevenidos antes que de fato aconteçam.

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