Alguns momentos são sagrados em nossas vidas. São aqueles instantes em que não precisamos fazer esforço algum com a mente ou o corpo e que geram um relaxamento sem precedentes. O cotidiano de todos nós – ainda mais na loucura corriqueira das principais capitais – costuma ser atribulado, mas sempre há espaço para um “pit stop”. E o banheiro é um deles.

Você certamente regozija desse momento quando ele ocorre. Como a tecnologia é um elemento onipresente em nossas rotinas, ela naturalmente acompanha cada passo que damos rumo ao sucesso. E ir ao banheiro, bem, é sempre um sucesso. A menos que você tenha saído daquela festinha "inesquecível" de formatura ou de um rodízio.

Independentemente do contexto, o “número 2” é inevitável. Trata-se de uma prática diária que, subitamente, gera um alívio absoluto. Quando o sininho bate e sorri para você, tudo o que se pode fazer é sorrir de volta. Esteja você no trem, no carro, no metrô, na lanchonete, no supermercado, no cinema, no parque, no boteco, com a namorada, com o marido, com a amante, com o “peguete”, na rua... quando a vontade bate, meu amigo, corra para as colinas. Você não tem outra alternativa.

Geralmente, no entanto, programamos nosso “sistema” para fazer essa atividade em casa, pelo menos psicologicamente (apesar de ela sempre gritar em locais inconvenientes). O “número 1” é coisa rápida e, na urgência, no último recurso, pode sair no cantinho da rua. Mas o número 2, não. Se antes tínhamos o hábito de devorar livros, gibis e revistas durante o processo, o cenário mudou e, graças à tecnologia – melhor dizendo, aos zilhões de aplicativos de conversação dos smartphones –, temos opções mais interessantes para esse período tão aliviante. O WhatsApp não está sozinho.

Gibis? Revistas? Isso é passado: tablets e smartphones com jogos e aplicativos são melhores

Muita coisa depende da sua preferência por tamanhos. Como os smartphones grandalhões estão na crista da onda, com telas de 5 ou 6 polegadas circulando à vontade no mercado, a maior probabilidade é que você saque seu aparelho do bolso e abra qualquer chat apenas para estimular a “vontade”.

Diga lá: quando você vai à residência do seu amigo, da sua namorada ou de algum parente, o banheiro não costuma ter o mesmo acervo que o da sua casa. Aí, tudo funciona à base do improviso: vale pegar embalagem do shampoo e ler as instruções de uso (já decorei as diversas formas de enxaguar e massagear o cabelo, por exemplo), o pacote de papel higiênico, cujos textos também servem como ótimo incentivo, enfim, os componentes do ambiente são uma ótima saída.

O poder das palavras

Há um estudo psicológico que diz que a leitura “estimula” a vontade – e pode ser a leitura de qualquer conteúdo. As palavras ativam algum comando no cérebro que libera a “catraca”. Portanto, repare que se você jogar aquele Temple Run ou Candy Crush, o desempenho pode não ser o mesmo. Mas, ao abrir o WhatsApp, abre-te também o Sésamo. Isso porque não faltam palavras ali.

Com a metamorfose de nossos atuais hábitos de chat virtual, observe: cerca de 80% da sua lista de contatos vai ter o aplicativo de Mark Zuckerberg. Uns dois ou três anos atrás, a coisa não era bem assim. Mas hoje, a “descoberta” já está feita e o uso do aplicativo se tornou um hábito frequente – fique mais de uma hora sem ligar o seu aparelho no WiFi ou na conexão móvel da operadora e você verá que está abarrotado de mensagens.

Existem até grupos específicos a essa finalidade: a ida ao banheiro para o número 2. No meu WhatsApp, por exemplo, esse grupo se chama “Gases Nobres”. A criatividade não tem limites – assim como a zoeira, que jamais pode terminar.

Mas nem tudo se restringe ao referido aplicativo. Existem diversos outros apps de conversação que, com maestria, atendem a esse objetivo tão comum: Viber, Telegram, o saudoso ICQ, que acabou de ser ressuscitado, iChat, Snapchat, ZapZap, enfim, opções não faltam no “baralho”. Vida longa ao rei.

Jogos e internet

Ao entrarmos no banheiro após a feijoada, o ato de abrir algum app de conversação é quase que inconsciente a essa altura do campeonato, mas existem outras alternativas que são igualmente eficazes para o entretenimento “estático”: navegação na internet, jogos e afins.

Como temos mais de um browser mobile à disposição, fica a seu critério (e gosto) escolher o predileto para abrir as suas páginas favoritadas – lembrando que você pode se debruçar nos sites da NZN tanto nos navegadores quanto em aplicativos próprios que alguns deles têm para Android e iOS.

O problema dos jogos é que você pode ficar mais tempo do que imagina – e, bem, isso não é exatamente legal quando se faz número 2. Temple Run, Candy Crush ou Asphalt são aqueles “joguinhos-ameba”, isso porque a onda de Flappy Bird diminuiu um pouquinho. Não à toa: a raiva que o jogo promove pode incitar você a fazer alguma besteira no banheiro. Não que você já não estivesse fazendo besteira. Enfim...

Só smartphones e tablets?

Não! Lembre-se de que existem livros, gibis, revistas! Mas vamos nos ater à tecnologia. Os portáteis – obrigado, Nintendo e Sony – estão ali para isso. O saudoso Game Boy, o elegante PSP (ou PS Vita) e até mesmo o clássico Game Gear (ah, SEGA, obrigado também) são ótimos companheiros para suas empreitadas pós-refeição. E nem se arrisque a comer mamão ou o negócio perde o freio.

Caso isso aconteça, é melhor ficar na leitura de objetos “físicos” mesmo. Afinal de contas, a Turma da Mônica é um dos quadrinhos precursores de nossos tempos, e o destino final deles acaba sendo o banheiro. O notebook também é uma opção, mas talvez seja um trambolho para o seu colo. E esse é um momento que pede conforto.

E você, que uso faz da tecnologia para os aliviantes momentos de número 2 no banheiro?

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Atenção: este artigo faz parte do quadro "Erro 404", publicado semanalmente no Baixaki e Tecmundo com o objetivo de trazer um texto divertido aos leitores do site. Algumas das informações publicadas aqui são fictícias, ou seja, não correspondem à realidade.

Ilustração por Andre Tachibana

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