Variante do coronavírus detectada na África do Sul assusta cientistas e OMS

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Este texto foi atualizado às 16h50 da sexta-feira (26/11/2021).

Na quinta-feira (25), cientistas divulgaram a detecção de uma nova variante do coronavírus SARS-CoV-2 (o vírus causador da covid-19) na África do Sul, nomeada B.1.1.529. A OMS (Organização Mundial da Saúde) e pesquisadores de diversos países monitoram a nova cepa para descobrir o tamanho do risco que ela pode representar.

Nesta sexta-feira (26), a OMS batizou a nova variante de ômicron, e a classificou como variante de preocupação, como já são as cepas Alpha, Beta, Gamma e Delta.

O Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul (NICD) afirmou que foram confirmados rapidamente 22 casos positivos — novos casos continuam sendo confirmados conforme saem os resultados das pessoas testadas. A variante também foi encontrada em Botswana, Hong Kong e Bélgica.

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Um dos grandes perigos da nova cepa são as suas mutações, já que ela pode mudar, se tornar mais transmissível e até escapar da resposta imunológica do corpo humano. Até o momento, os cientistas já observaram 32 mutações da proteína spike, estrutura em forma de espinhos que reveste o vírus e o ajuda a infectar uma pessoa saudável.

Vírus sofrem mutações o tempo todo, mas algumas dessas mudanças podem tornar a transmissibilidade do patógeno mais eficiente, isto é, fica mais fácil ser contaminado pelo vírus.

Ainda não se sabe se a variante B.1.1.529 pode ser mais transmissível do que versões anteriores do vírus, causar doença mais grave ou escapar da ação das vacinas.

Até o momento, foram registrados quase 3 milhões de casos e 89 mil mortes causadas pela doençaAté o momento, foram registrados quase 3 milhões de casos e 89 mil mortes causadas pela doençaFonte:  Shutterstock 

“Embora os dados sejam limitados, nossos especialistas estão trabalhando horas extras com todos os sistemas de vigilância estabelecidos para entender a nova variante e quais podem ser as implicações potenciais”, disse o diretor-executivo do NICD, Adrian Puren.

O cientista brasileiro Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta a Epidemias e Inovação (CERI), na África do Sul, disse, em redes sociais, que o mudo deve fornecer suporte para o país africano em vez de isolar.

"A nova variante é muito preocupante no nível mutacional. A África do Sul e a África vão precisar de suporte para controlá-la e evitar a disseminação para o resto do mundo", escreveu o pesquisador.

Situação grave alertou a OMS

Após a revelação dos cientistas, o governo da África do Sul solicitou uma reunião urgente com a OMS para discutir sobre a evolução da variante e sobre como prevenir novos infectados. Até o momento, menos de 30% da população sul-africana completou as duas doses e isso pode ser uma preocupação para a OMS, já que há mais possibilidades da cepa se espalhar entre os milhares de não vacinados.

Inclusive, após a revelação da nova descoberta, o governo do Reino Unido colocou a África do Sul, Namíbia, Lesoto, Botsuana, Eswatini e Zimbábue na lista de restrições de viagem por conta da pandemia — valendo já a partir desta sexta (26). Ou seja, voos comerciais saindo do Reino Unidos aos países citados estarão proibidos e sem previsão de volta.

“Nós sabemos que B.1.1.529 tem muito mais mutações do que outras variantes e tem mutações vistas em outras variantes que estão associadas a maior transmissibilidade e escape imunológico. É o número e o tipo de mutações que estão preocupando os virologistas e imunologistas”, disse a professora Christina Pagel.

Infelizmente, até o momento, os cientistas não sabem se a variante é capaz de burlar as proteções dos ciclos completos de imunização.

Na manhã desta sexta-feira (26), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou ao governo brasileiro que sejam criadas restrições temporárias à entrada no país de viajantes vindos de África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue para conter a disseminação da variante.