Novo dinossauro descoberto tem armadura de espinhos nunca antes vista

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Imagem: Natural History Museum
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Quando pensamos que já vimos de tudo em paleontologia, frequentemente somos surpreendidos por alguma descoberta bizarra ou alguma evidência que nos obriga a revisar antigos conceitos. Um artigo publicado no dia 23 de setembro na revista científica Nature Ecology & Evolution apresenta um desses animais surpreendentes: o primeiro anquilossauro africano com uma armadura dérmica fundida aos ossos das costelas.

Descoberta no grupo de montanhas Médio Atlas, no Marrocos, a nova espécie de dinossauro data de 167-163 milhões de anos, o que torna esse anquilossauro o espécime mais antigo já encontrado. Embora esses herbívoros gigantes blindados já tivessem sido descobertos nos continentes do Hemisfério Norte, é a primeira vez que um deles é achado na África.

Mas, o que chamou mesmo a atenção dos cientistas foi esse tipo de esqueleto que, além de fortemente blindado com "espinhos" pontiagudos, tem esses depósitos ósseos (osteodermas) fundidos diretamente com as costelas. Em comunicado à imprensa, a pesquisadora do Museu de História Natural de Londres, Susannah Maidment, diz que essa característica "é totalmente diferente de qualquer vertebrado existente ou extinto que conhecemos."

Fósseis comprados

Anquilossauro Euoplocephalus (Fonte: N. Tamura/Wikimedia Commons/Reprodução)Ilustração mostra como seria o Anquilossauro Euoplocephalus (Fonte: N. Tamura/Wikimedia Commons/Reprodução)Fonte:  N. Tamura/Wikimedia Commons 

As estranhezas não param por aí. Os fósseis que levaram à descoberta não foram escavados, mas comprados pelos pesquisadores do museu de um colecionador particular do Marrocos, por um preço não divulgado. Quando a compra foi feita, os paleontólogos pensavam estar comprando ossos de um estegossauro, encontrado na mesma região, em 2019, o Adratiklit boulahfa, também o primeiro descoberto no norte da África.

A descoberta foi tão impressionante, que os cientistas começaram a questionar se aquele fóssil era mesmo original, ou uma montagem colada. Para ter certeza da autenticidade, usaram um tomógrafo, mas não foram encontrados sinais de construção ou adulteração. Para determinar que o animal era um anquilossauro, os pesquisadores fizeram uma análise microscópica das seções finas do fóssil, que revelaram padrões exclusivos da espécie.

Spicomellus afer

Chamado na pesquisa de Spicomellus afer, o fóssil data do período Jurássico Médio, o que o coloca como um dos primeiros anquilossauros a habitar o planeta. Maidment explica que “Os anquilossauros eram pequenos dinossauros com armadura que se assemelhavam a mesinhas de centro ambulantes. Eram muito massudos e largos, mas tinham pernas curtas".

Como o fóssil descoberto está totalmente fragmentado, será difícil descobrir a forma exata desse anquilossauro, mas algumas deduções podem ser feitas. Susannah Maldment acredita esses espinhos não ficavam expostos, mas "provavelmente estariam cobertos por uma bainha de queratina, como o chifre de uma vaca".

O fóssil do anquilossauro Spicomellus afer agora faz parte da coleção permanente do Museu de História Natural, onde os pesquisadores continuarão fazendo estudos da estrutura. Maidment espera estreitar a parceria com os colecionadores do Marrocos e seus colegas na Universidade de Fez, para obter mais detalhes sobre os locais onde os fósseis foram localizados na Cordilheira de Atlas. A ideia é montar ali um laboratório especializado.

ARTIGO Nature Ecology & Evolution: doi.org/10.1038/s41559-021-01553-6