Dois novos dinossauros são descobertos na China por cientistas brasileiros

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Pesquisadores brasileiros e chineses descobriram duas novas espécies de dinossauros saurópodes em rochas fósseis de mais de 120 milhões de anos, localizadas na província autônoma de Xinjiang, na China.

Publicado na revista científica Nature Scientific Reports na quinta-feira (12), o estudo detalha as características do Silutitan sinensis e do Hamititan xinjiangensis.

Novos dinossaurosIlustração mostra os novos dinossauros descobertos na China (crédito: Maurilio Oliveira)

Identificado através de uma série de vértebras cervicais médias e posteriores articuladas, o Silutitan sinensis está intimamente ligado com uma espécie chinesa mais antiga chamada Euhelopus. Segundo a pesquisadora Kamilla Bandeira, do Museu Nacional/UFRJ, uma das autoras do estudo, esse “parentesco” entre as espécies ocorreu em período evolutivo muito recente.

Já do Hamititan xinjiangensis, foi descoberta uma sequência de vértebras caudais anteriores articuladas, representativas de um grupo denominado Titanosauridae, que é raro na Ásia, mas comum na América do Sul, inclusive no Brasil. Em nota do Museu Nacional, Bandeira explica que o espécime “mostra uma combinação incomum de características, especialmente para titanossauros”.

Esboço de titanossauro genérico, com elementos cervicais do Silutitan sinensis (vermelho), caudais (amarelo) do Hamititan xinjiangensi, e sacrais (verdes). Fonte: Maurílio Oliveira/Divulgação.Esboço de titanossauro genérico, com elementos cervicais do Silutitan sinensis (vermelho), caudais (amarelo) do Hamititan xinjiangensi, e sacrais (verdes). Fonte: Maurílio Oliveira/Divulgação.Fonte:  Maurílio Oliveira 

Importância da pesquisa

Coordenador brasileiro do estudo, o paleontólogo Alexander Kellner afirma que a descoberta dessas novas espécies de saurópodes "são particularmente importantes por serem de uma área onde grandes vertebrados, como dinossauros, não foram registrados até esse momento". No sítio, já foram reportados ovos e embriões muito bem preservados do pterossauro Hamipterus tianshanensis.

Para o professor, que também é especialista no estudo dos pterossauros, os achados confirmam o grande potencial fossilífero desta formação, não apenas para o estudo dos saurópodes, mas também de outros grandes grupos de dinossauros. A esse respeito, o coordenador chinês Xiaolin Wang, revelou que a carcaça do Hamititian apresentava um dente de dinossauro terópode (carnívoro), indicando possível predação.

A presente descoberta é fruto de uma cooperação existente desde 2004 entre o Museu Nacional/UFRJ e o Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology (IVPP) de Pequim. A parceria já resultou em mais de duas dezenas de trabalhos. Nesta pesquisa, estiveram também presentes paleontólogos do Beijing Museum of Natural History e do Hami Museum.

ARTIGO Nature Scientific Reports: doi.org/10.1038/s41598-021-94273-7