Plantas fossilizadas apontam para o fim do gelo na Groenlândia

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Imagem: NBCNewa/John Schoen/Reprodução
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Na década de 1960, o exército americano, usando como pretexto o que seria uma missão científica, construiu uma base enterrada no gelo da Groenlância para esconder, dos então soviéticos, 600 mísseis nucleares. Os cientistas do projeto, porém, tocaram a vida, retirando das profundezas abaixo da crosta congelada um tubo de terra de 4,5 metros de comprimento – uma amostra que, 60 anos depois, mostra  evidências para a compreensão tanto do destino da maior reserva de água doce do planeta como do clima da Terra.

A terra foi retirada abaixo das camadas de gelo da Groenlândia.A terra foi retirada abaixo das camadas de gelo da Groenlândia.Fonte:  NASA Goddard/Reprodução 

As amostras coletadas de quase um quilômetro de profundidade passearam por quase meio século pelas geladeiras de três continentes acondicionadas em potes de biscoitos, até serem redescobertas em 2017.

As amostras de terra ficaram esquecidas por 60 anos.  Université Libre de Bruxelles/Jean-Louis Tison/Reprodução 

Dois anos depois, a terra foi examinada pela equipe do geólogo da Universidade de Vermont Andrew Christ. Ao microscópio, as amostras revelaram não areia ou pedras, mas folha e galhos fossilizados.

“Os mantos de gelo normalmente pulverizam e destroem tudo em seu caminho, mas o que descobrimos foram estruturas delicadas de plantas, perfeitamente preservadas, como se tivessem morrido ontem. É uma cápsula do tempo do que costumava viver na Groenlândia”, disse Christ, em comunicado.

Sem gelo

A Groenlândia seria, em tempos geológicos recentes, coberta por uma espessa floresta boreal, onde hoje há geleiras de mais de um quilômetro de profundidade.

A conclusão a que chegaram Christ e seus colegas, entre eles o geocientista Paul Bierman, é que o gelo da Groenlândia derreteu inteiramente durante os recentes períodos quentes da história da Terra, à semelhança do que está ocorrendo agora, impulsionado pelos impactos no clima causados pela ação humana.

O estudo traz evidências que uma atmosfera mais quente levará ao total derretimento do gelo da Groenlândia – processo que parece já ter alcançado um ponto sem volta: “Esta não é uma questão a ser resolvida daqui a 20 gerações; este é um problema urgente para os próximos 50 anos”, concluiu Bierman.