Cientistas farão estudo para droga que retarda envelhecimento

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Imagem: Louis Wes/The Washington Post
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A edição de sábado (6) do jornal The Washington Post trouxe uma matéria que, através da história, tem sido o sonho da humanidade: a eterna fonte da juventude. Só que aqui não se trata de algum conquistador espanhol buscando uma fonte real nas selvas da Flórida, mas um grupo de cientistas que, desde 2014, têm conduzido experimentos destinados a estender a vida útil dos seres humanos.

O encontro, acontecido em 2014, foi entre gerocientistas, nome dados aos pesquisadores que investigam a confluência entre envelhecimento, biologia e doença. O objetivo foi materializar uma ideia provocante: o estudo em seres humanos de uma droga potencialmente capaz de retardar o envelhecimento.

Segundo esses cientistas, a droga em questão — a metformina — pode auxiliar na prevenção ou desaceleração de três principais doenças relacionadas ao processo de envelhecimento: demência, cardiopatias e câncer. Se a metformina se provar eficaz no combate a essas três enfermidades, pode também estender a nossa vida útil.

O ensaio clínico com a Metformina

Fonte: AluvaLife/YouTube/ReproduçãoFonte: AluvaLife/YouTube/ReproduçãoFonte:  AluvaLife/YouTube 

"Não se trata da fonte da juventude”, alerta Nir Barzilai, diretor do Instituto de Pesquisa do Envelhecimento da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em declaração ao The Washington Post. Segundo o médico israelense, não se trata aqui de pegar uma pessoa velha e torná-la jovem, mas sim de retardar o processo de envelhecimento.

Barzilai é um dos cientistas que, durante a reunião na Espanha em 2014, organizaram o ensaio clínico de seis anos chamado Targeting Aging With Metformina (TAME), que irá analisar de forma detalhada as capacidades antienvelhecimento da metformina. A amostra envolverá uma população de 3 mil indivíduos com idades entre 65 e 79 anos, em 14 centros de pesquisa em universidades norte-americanas.

Escolhida pelo seu histórico no tratamento para diabetes, segurança e baixo custo, a metformina será avaliada quanto à sua capacidade de prevenir ou remediar as “três doenças do envelhecimento”. Os pesquisadores esperam também descobrir se quem toma a metformina sobrevive àqueles que não tomam o medicamento.

Impacto social de um remédio prolongador de vida

Fonte: AgeWise King County/ReproduçãoFonte: AgeWise King County/ReproduçãoFonte:  AgeWise King County 

Falando ao The Washington Post sobre a importância e a relevância do estudo, a professora Corinna Ross, do Southwest National Primate Research Center, no Texas, destacou o impacto desproporcional da pandemia do coronavírus sobre as populações idosas. Para ela, as pessoas com maior risco, estão em asilos.

Portanto, o interesse em um medicamento como possível prolongador da vida útil tem um grande impacto social. “Se pudermos evitar que as pessoas precisem de cuidados de longo prazo, reduzindo os impactos do envelhecimento, podemos reduzir o impacto nas famílias, nos custos médicos, no sistema de saúde e na economia em geral”, diz Ross.

Embora o estudo possa se revelar extremamente promissor, ainda se encontra em seus estágios iniciais. O próprio Barzilai, que toma a metformina desde 2015, quando foi diagnosticado com pré-diabetes, afirma que ninguém deve usar a substância para retardar o envelhecimento até que haja comprovação científica de que ela funciona realmente.

Os desafios para aprovação

Por incrível que pareça, o grande desafio que um medicamento antienvelhecimento poderá enfrentar é a aprovação na Food and Drug Administration (FDA), pois a agência reguladora norte-americana não considera o envelhecimento como uma doença. Além disso, dificilmente as empresas farmacêuticas investiriam em um medicamento que possa reduzir seus ganhos com tratamentos de idosos.

Os pesquisadores de Toledo estão plenamente conscientes dos desafios que enfrentarão, mas permanecem otimistas com as perspectivas, segundo Barzilai. Para ele, embora a morte seja inevitável, o envelhecimento é flexível. E promete: "Queremos tornar os idosos mais resilientes, especialmente contra doenças graves, e podemos fazer isso. Isso vai mudar a sociedade”.