Engenheiros criam robô resistente à Fossa das Marianas

2 min de leitura
Imagem de: Engenheiros criam robô resistente à Fossa das Marianas
Imagem: Reprodução
Avatar do autor

Uma equipe de engenheiros da China revelou, em artigo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (3), ter criado um robô capaz de "sobreviver" às condições extremas de pressão encontradas em regiões abissais, antes atingidas somente por submersíveis altamente resistentes.

De acordo com os pesquisadores, o dispositivo pode chegar, inclusive, ao ponto mais profundo do oceano, a Fossa das Marianas, e mudar a forma como monitoramos e limpamos tais territórios.

Munida de bateria de lítio, a novidade tem apenas 22 centímetros de comprimento e se assemelha a uma minúscula raia jamanta, ainda que seu design seja baseado no aspecto do peixe-caracol, que se esconde a quase 8 mil metros abaixo da superfície.

Além disso, sua composição o torna mais seguro do que seus equivalentes rígidos convencionais em interações com humanos, e a flexibilidade que apresenta otimiza a manipulação de objetos e a capacidade de se espremer em espaços apertados ou de viajar por locais irregulares.

Para encontrarem uma maneira de protegerem os componentes eletrônicos, os autores os separaram, em vez de agrupá-los, e os embutiram em silicone para os incorporarem ao corpo, algo mais prático e barato do que outros métodos. A abordagem funcionou, já que testes de laboratório e simulações demonstraram que esse arranjo reduz o estresse nas interfaces.

Em suma, o projeto desenvolvido prevê uma estrutura semelhante à de um peixe e duas nadadeiras laterais oscilantes, presas aos "músculos" – feitos de um material macio que converte energia elétrica em trabalho mecânico. Os movimentos são garantidos por "um mecanismo bem estabelecido." Por fim, estruturas sólidas conectam as partes.

Esquema de construção do robô.Esquema de construção do robô.Fonte:  Reprodução 

Pra baixo, todo santo ajuda. Será?

Em uma câmara de água pressurizada e conectado a um poste, que girou em círculo, o robô foi testado pela primeira vez. Depois, nadou livremente em um lago com profundidade de 70 metros a uma velocidade de 3,16 centímetros por segundo e, então, no Mar da China Meridional, a uma profundidade de cerca de 3.200 metros.

Por fim, se lançou à Fossa das Marianas, 10 mil metros abaixo da superfície, contando com um robô subaquático convencional de apoio, demonstrando um bom funcionamento de sensores e aguentando por 45 minutos sua jornada.

Equipamento explorou a Fossa das Marianas.Equipamento explorou a Fossa das Marianas.Fonte:  Reprodução 

Apesar dos resultados promissores, há muito trabalho a ser feito, defendem os especialistas. Isso porque a nova máquina é mais lenta do que as convencionais e pode não resistir a outros fatores, correndo o risco, inclusive, de ser arrastada por correntes subaquáticas.

Suas capacidades locomotoras também necessitam de aprimoramentos, o que não muda o fato de que o robô estabelece as bases para as futuras gerações de exploradores de alto mar resilientes e confiáveis, defende a equipe.

Engenheiros criam robô resistente à Fossa das Marianas