Concha de 17 mil anos era usada para fazer música

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Imagem: Museu de Toulouse/Reprodução
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Uma concha de búzio da espécie Charonia lampas descoberta em 1931, em uma caverna nos Pirineus (França), é o mais antigo instrumento de sopro do seu tipo, tendo aproximadamente 17 mil anos de idade. A novidade foi revelada em um estudo publicado na Science Advances, nessa quarta-feira (10).

Na época em que foi encontrada, os responsáveis pelas escavações arqueológicas acreditavam se tratar de um objeto utilizado como uma taça para servir bebidas há milhares de anos. Dessa forma, a concha foi parar no Museu de Toulouse, na França, onde ficou armazenada por décadas.

Mas tudo mudou quando pesquisadores do museu, em parceria com cientistas da Universidade de Toulouse, do Centro Nacional de Investigação Científica da França e do museu Quai Branly - Jacques Chirac resolveram investigar a real função da concha, que tem 31 cm de comprimento, 18 cm de largura e a ponta quebrada, formando uma abertura de 3,5 cm.

A concha passou por várias modificações para se tornar um instrumento musical.A concha passou por várias modificações para se tornar um instrumento musical.Fonte:  Museu de Toulouse/Divulgação 

Por meio de tomografias computadorizadas, eles conseguiram analisar o interior da peça e fizeram descobertas incríveis, encontrando dois orifícios possivelmente utilizados para adaptar uma boquilha e pequenos cortes na outra extremidade, que ajudariam a modular o som e criar música. Vestígios de decoração com um pigmento vermelho (hematita) também foram achados, sugerindo se tratar de um objeto simbólico.

Sons produzidos pela concha

O passo seguinte foi testar a hipótese de que ela era um antigo instrumento musical, verificando se a concha emitia sons. Para tanto, os pesquisadores criaram uma réplica 3D do objeto e chamaram o musicólogo da Universidade de Toulouse Jean-Michel Court.

Durante os testes, o especialista em trompa conseguiu produzir três sons parecidos com notas musicais, transmitidos a 1 m de distância e alcançando 100 decibéis (o áudio está disponível no tweet abaixo). Ele acredita que a utilização de uma boquilha pode expandir o alcance do som e o uso da mão no interior da concha permita criar notas diferentes.

Segundo os pesquisadores, a descoberta possibilita conhecer um pouco mais do cotidiano dos humanos do Paleolítico Superior e reforça a ideia de que os antigos habitantes dos Pirineus se deslocavam até a costa atlântica, a mais de 200 km de distância.

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