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Ciência

Cientistas transformam folha de espinafre em coração artificial que bate

Folha possui estrutura que a tecnologia ainda não conseguiu reproduzir em laboratório.

Avatar do(a) autor(a): Amanda Fleure

schedule08/01/2026, às 09:00

updateAtualizado em 09/01/2026, às 11:38

Fonte:

Pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute, nos Estados Unidos, publicaram em 2017 um estudo que voltou a chamar atenção da comunidade científica nos últimos anos. A equipe conseguiu usar folhas de espinafre como base para criar uma estrutura funcional de tecido cardíaco humano em laboratório. O trabalho foi divulgado na revista científica Biomaterials.

A ideia surgiu a partir de uma observação simples, mas poderosa. As folhas do espinafre possuem uma rede de veias extremamente ramificada, muito semelhante ao sistema de vasos sanguíneos do coração humano. 

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Ao remover todas as células vegetais da folha, restou apenas uma estrutura de celulose, oca e resistente, capaz de conduzir líquidos de forma eficiente. Foi nessa espécie de “esqueleto” vegetal que os cientistas decidiram apostar.

Depois do processo de descelularização, os pesquisadores inseriram células do músculo cardíaco humano na estrutura da planta. Em poucos dias, essas células passaram a se comportar como tecido vivo, incluindo contrações espontâneas observadas em microscópio. 

Para testar a viabilidade do sistema, fluidos semelhantes ao sangue foram injetados nas veias do espinafre, circulando pelas ramificações da folha de forma surpreendentemente eficiente.

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Cientistas transformaram folha em coração artificial (Imagem: Worcester Polytechnic Institute).

Embora a tecnologia ainda esteja longe de ser aplicada em humanos, os pesquisadores acreditam que o método pode ajudar no desenvolvimento de tecidos para tratar infartos, má-formações cardíacas e, no futuro, reduzir a dependência de transplantes. Outros vegetais também estão sendo testados, o que reforça a ideia de que soluções inesperadas podem estar escondidas em lugares bem mais comuns do que parece.

E se descobertas improváveis como essa despertam sua curiosidade, vale continuar explorando o TecMundo para acompanhar mais histórias sobre ciência, tecnologia, inovação, vídeos, podcasts e muito mais.

Perguntas Frequentes

Como uma folha de espinafre pode ser usada para criar tecido cardíaco?
Os cientistas removeram todas as células vegetais da folha de espinafre, deixando apenas a estrutura de celulose, que é oca, resistente e capaz de conduzir líquidos. Essa estrutura foi usada como base para inserir células do músculo cardíaco humano, que passaram a se comportar como tecido vivo, inclusive com contrações espontâneas.
Por que os pesquisadores escolheram a folha de espinafre?
A escolha se deu porque a folha de espinafre possui uma rede de veias extremamente ramificada, muito semelhante ao sistema de vasos sanguíneos do coração humano. Essa semelhança estrutural inspirou os cientistas a utilizá-la como suporte para o crescimento de tecido cardíaco.
O que é o processo de descelularização?
Descelularização é o processo de remoção de todas as células de um tecido, deixando apenas a matriz estrutural — no caso da folha de espinafre, a celulose. Essa matriz serve como um “esqueleto” que pode ser reutilizado para o crescimento de células humanas.
As células cardíacas inseridas na folha realmente funcionam?
Sim. Após serem inseridas na estrutura da folha, as células do músculo cardíaco humano começaram a se comportar como tecido vivo, apresentando contrações espontâneas observadas ao microscópio, o que indica funcionalidade.
Esse coração artificial já pode ser usado em humanos?
Ainda não. Embora os resultados sejam promissores, a tecnologia está em fase experimental e ainda está longe de ser aplicada em humanos. No entanto, os pesquisadores acreditam que ela poderá, no futuro, ajudar no tratamento de infartos, má-formações cardíacas e reduzir a necessidade de transplantes.
Outros vegetais também estão sendo testados?
Sim. A pesquisa com a folha de espinafre abriu caminho para que outros vegetais também sejam testados como base para o desenvolvimento de tecidos humanos, reforçando a ideia de que soluções inovadoras podem estar em elementos comuns da natureza.
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