Bennu 'surrupiou' pedaços do asteroide Vesta e intriga cientistas

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Em 2016, uma missão chamada OSIRIS-REx foi lançada ao espaço com um objetivo ambicioso: analisar o asteroide Bennu (cujo comportamento atípico foi detalhado pela agência recentemente) e, de quebra, trazer algumas amostras do corpo celeste para a Terra em 2023. Agora, os pesquisadores à frente da empreitada se depararam com uma novidade e tanto a respeito do viajante, que, aparentemente, não está sozinho no Universo. Isso porque, de acordo eles, Bennu parece estar carregando pedaços de um outro objeto, o Vesta, segundo maior asteroide do Sistema Solar.

O aspecto fragmentado do Bennu intriga especialistas desde 2018, ano em que a nave enviada para a região chegou por lá, e as informações levantadas podem dar mais clareza sobre como tais exemplares orbitavam por nossa vizinhança no início dos tempos, assim como revelar informações sobre o passado violento do "meliante" em questão, que teria se formado a partir de choques gigantescos.

Daniella DellaGiustina, cientista sênior da equipe da Universidade do Arizona, explica, em comunicado da NASA, que a descoberta só foi possível porque, em 2011, a entidade fez uma visita de 14 meses ao Vesta, e esses dados tornaram fácil a identificação da origem do achado: "Encontramos seis rochas com tamanhos de 1,5 a 4,3 metros espalhadas pelo hemisfério sul de Bennu e perto do equador. Essas pedras são muito mais brilhantes do que o resto dele e combinam com o material do Vesta."

Por meio de um espectrômetro de infravermelho, o OSIRIS-REx capturou imagens que mostraram pedaços brilhantes cheios de uma rocha ígnea chamada piroxênio, típica das formações encontradas no Vesta e até 10 vezes mais brilhantes do que as presentes nos arredores do Bennu. Um estudo sobre a luz refletida nos fragmentos deu noção da composição química à equipe.

Pedaços do asteroide Vesta foram encontrados no Bennu.Pedaços do asteroide Vesta foram encontrados no Bennu.Fonte:  Reprodução 

Ele não é o pai!

É provável que a "coleta espacial" tenha ocorrido depois que fragmentos do próprio Vesta, os vestoides, o atingiram e lançaram material da "vítima" ao espaço. "Quando o asteroide principal foi catastroficamente atingido, uma porção de seus destroços se acumulou na gravidade Bennu, incluindo parte do piroxênio do Vesta", disse Hannah Kaplan, cientista espacial pesquisadora do Goddard Space Flight Center da NASA, na mesma declaração. Ainda assim, inicialmente, não se descartou uma outra ideia sobre o mistério.

Considerou-se que as peças pertencessem originalmente ao próprio "asteroide do fim do mundo", mas a composição dele não sustenta o argumento, já que é feito predominantemente de rochas com minerais aquáticos, enquanto o piroxênio se forma com o derretimento de outros compostos, decorrente de grandes impactos – o que o torna rico nos ambientes em que surge.

De qualquer modo, mais detalhes devem levar mais um tempo para serem desvendados: "Estamos ansiosos para ter acesso às amostras que contenham pedaços desses objetos intrigantes", afirma Dante Lauretta, investigador principal da missão.

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