Lixo plástico: cientistas descobrem bactérias que decompõem poliuretano

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Bactérias, como se sabe, guardam diversos segredos que ainda desconhecemos. Afinal, são criaturas muito, muito pequenas. A dieta desses organismos também varia muito – havendo, inclusive, aqueles que se alimentam de eletricidade. Agora, cientistas realizaram uma descoberta e tanto. Pesquisadores alemães identificaram bactérias extremófilas capazes de decompor materiais plásticos à base de poliuretano.

Segundo Dr. Hermann J. Heipieper, cientista sênior do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental e um dos autores do estudo, esse achado representa um passo importante para a reutilização de materiais difíceis de reciclar. E não é para menos: em 2015, 3,5 milhões de toneladas de plástico com essa composição foram produzidas na Europa.

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)Fonte:  Pixabay 

Por serem leves, flexíveis e isolantes, eles são encontrados em diversas aplicações, como construções, refrigeradores, móveis e até calçados. Entretanto, mesmo que possam ser reutilizados, não derretem ao serem aquecidos devido a propriedades termoendurecíveis, o que demanda muita energia para reciclar ou destruir. Ou seja, acabam descartados no meio ambiente, liberando substâncias tóxicas, inclusive cancerígenas.

Essas bactérias, por outro lado, encontram um belo banquete nos plásticos à base de poliuretano, já que são fontes de carbono, nitrogênio e energia.

O estudo

Pesquisas sobre as possibilidades de uso de bactérias e fungos para decompor plásticos à base de petróleo são frequentemente realizadas – e nós contamos sobre uma delas aqui no TecMundo. Entretanto, poucos estudos focaram em ações que incluíssem o poliuretano.

Organismos extremófilos são aqueles que ocupam, como o nome sugere, os ambientes mais extremos, normalmente desfavoráveis à vida, podendo ser encontrados em diversas temperaturas e condições inóspitas. A amostra utilizada nos estudos é a de bactérias Pseudomonas, sendo que algumas variações podem causar infecções diversas no corpo humano. Dessa vez, porém, elas podem ajudar.

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)Fonte:  Pixabay 

A equipe alemã conseguiu isolar um grupo desses organismos em um local com grande quantidade de lixo plástico e percebeu o potencial de quebra de ligações químicas de composições com poliuretano. A resistência dos “bichinhos” às substâncias tóxicas foi o que mais chamou a atenção. “Essa característica é também chamada de tolerância a solventes, inerente a certos microrganismos extremófilos”, explica Dr. Christian Eberlein, coordenador dos estudos.

Depois disso, os pesquisadores se dedicaram a uma análise genômica para identificar padrões de degradação. Análises e experimentos, então, foram realizados para que as capacidades das bactérias pudessem ser esclarecidas. Foi aí que descobertas preliminares de propriedades metabólicas vieram à tona.

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)Fonte:  Pixabay 

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Um passo de cada vez

Apesar da dimensão dos resultados, Hermann é cauteloso com as promessas. Segundo ele, é necessário um aprofundamento ainda maior sobre essas bactérias para qualquer aplicação comercial ou tecnológica. Portanto, não há plano algum em andamento para a produção de bioplástico.

Ainda assim, não se descarta a expectativa de conversão genética de Pseudomonas em minifábricas capazes transformar compostos químicos à base de petróleo em produtos biodegradáveis. Para isso, será preciso, primeiramente, identificar os genes que codificam as enzimas extracelulares capazes de decompor poliuretanos à base de poliéster.

Quem sabe nossas garrafinhas plásticas logo se tornem menos nocivas ao meio ambiente?

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