Ah, a Faraday Future... A montadora chinesa começou com grandes pretensões: fazer um supercarro elétrico, como um braço esportivo da gigantesca LeEco. Depois disso, mudou para querer ser a principal rival da Tesla. A partir daí, ladeira abaixo, com o CEO da empresa, Jia Yueting, admitindo uma crise financeira brutal, vendo a LeEco passar vergonha e com seus principais executivos pularem do barco.

Ding Lei, o “CEO global” da Faraday Future, inclusive, pediu para sair a pouquíssimos dias da apresentação de hoje da empresa na CES – que, diga-se de passagem, contribuiu para a “vergonheira” que a montadora chinesa vem fazendo nos últimos tempos. A ideia era apresentar o FF91, o primeiro veículo de produção da marca, demonstrando suas capacidades autônomas.

O vice-presidente de pesquisa & desenvolvimento e engenharia da Faraday Future, Nick Sampson, apresentou a primeira parte da demonstração, com o FF91 andando em um ambiente externo e estacionando sozinho. Até aí tudo bem, mas o problema foi quando um segundo carro foi chamado ao palco.

Na presença de Jia Yueting (que está se mostrando um baita de um pé-frio), o veículo simplesmente não se moveu quando o executivo tentou demonstrar sua função de “valet autônomo”.

Sampson, por sua vez, tentou contornar a situação: “Parece que ele está um pouco preguiçoso nesta noite”, comentou durante um momento de mais pura vergonha alheia, que você pode conferir na transmissão abaixo em 1:12:30:

Yueting deixou o carro um pouco de lado, falou sobre os planos da Faraday Future e foi para uma segunda tentativa ao lado de Sampson. Nada aconteceu. O vice-presidente pediu para que os técnicos diminuíssem as luzes do palco, com um técnico entrando rapidamente no carro, mexendo em algo e saindo em seguida, para aí sim o veículo se movimentar.

Sampson explicou que a falha pode ter acontecido em função da estrutura complexa do local onde o palco foi montado, que podia inibir os sinais necessários para o carro andar de forma autônoma.

Ok, não deve ser tão ruim assim

Uma coisa é certa: apesar de todos os tropeços, a empresa de Jia Yueting ainda conseguiu fazer um belo trabalho com o FF91. O carro é realmente bom, pelo menos no papel, já que vem com uma bateria de 130 kWh que podem permitir que ele percorra até 605 quilômetros.

A potência da motriz elétrica é equivalente a absurdos 1.050 cavalos de potência e faz o FF91 partir de 0 a 100 km/h em apenas 2,4 segundos, mais rápido que um Tesla Model S P100D – que já é um dos carros com a marca mais impressionante da atualidade.

O design é bem convincente, abusando dos filetes de LED e com uma “grade” dianteira que exibe o logo da Faraday Future. A parte tecnológica também é caprichada, com um sensor LIDAR de alta definição, utilizado para a direção autônoma, aparecendo no capô do veículo quando necessário.  Ele é acompanhado de mais 10 câmeras espalhadas na dianteira e na traseira do veículo, 13 radares de longa e curta distância e mais 12 sensores ultrassônicos.

A promessa é que o FF91 seja o carro mais conectado mercado e seu lançamento é esperado para 2018... Mas, talvez, não seja tão fácil assim.

Futuro nebuloso

O que pode dar uma segurada no entusiasmo com a Faraday Future é o que acontece fora dos holofotes de lançamentos como o FF91 e dos anúncios megalomaníacos de Jia Yueting. Notícias como as que estão linkadas no início desta matéria são um presságio de um futuro bem incerto para a montadora chinesa, que está altamente endividada e não tem como garantir que seus carros sequer verão a luz do dia.

A saída de diversos executivos de alto-escalão, aliada ao adiamento da megafábrica de 1 bilhão de dólares que a Faraday Future pretendia construir no estado de Nevada – por falta de pagamento e com uma dívida de centenas de milhões de dólares –, indicam que, apesar de as demonstrações do FF91 serem animadoras (hey, ele funcionou... de certa forma), a empresa ainda tem um longo caminho para mostrar que ele pode se tornar uma realidade.

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